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Análise: Os desafios à estratégia bolsonarista

De Alexandre Kalil a Bruno Covas, os tipos eleitos possuem trajetórias políticas bastante particulares; há, contudo, uma lição importante das disputas locais: política importa

30 nov 2020 05h11
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As especulações em torno dos efeitos das eleições para 2022 já ocorriam antes do fechamento das urnas. Analistas se debruçam na interpretação do humor do eleitorado, buscando identificar partidos vencedores e a força dos padrinhos políticos, que aparecem como potenciais concorrentes à Presidência. A ausência de régua única para medir o desempenho da política resulta em interpretações generalistas que pouco contribuem para o entendimento da motivação do voto do eleitorado, diante de uma variação importante nas dinâmicas políticas locais.

Tomemos a afirmação de que partidos moderados foram os maiores vencedores das eleições. Esse adjetivo moderado engloba candidaturas e projetos políticos bastante distintos. De Kalil a Bruno Covas ou Edmilson Rodrigues, os tipos eleitos possuem trajetórias políticas bastante particulares e 2016 disse muito pouco sobre 2018. Há, contudo, uma lição importante das disputas locais: política importa. A construção de alianças e o uso dos recursos de poder aumenta a chance de vitória de um candidato.

A questão passa a ser o tamanho dessa importância. Nesse sentido, a influência da competição local nas eleições de 2022 está condicionada ao desempenho do governo Bolsonaro (e das administrações estaduais). Governos bem avaliados se reelegem, independentemente de sua coloração ideológica ou partidária. Governos rejeitados têm dificuldade de mobilizar o eleitor mesmo com ampla aliança de partidos. Sob o prisma da eleição presidencial, os dados sugerem que não haverá no eleitorado um "sentimento natural" diante do desempenho da administração federal. Em 2018, o desejo era de mudança. Assim, a relevância da disputa fica condicionada ao desempenho do governo.

Nesse sentido, as perspectivas de divisão no interior da centro-direita sugerem um quadro desafiador. É pouco provável que legendas que antecipam rivalidade encontrem cooperação. O destino do presidente se encontra nas mãos da política tradicional, justamente aquela que ele prometeu que combateria.

*DOUTOR EM CIÊNCIA POLÍTICA (USP) E SÓCIO DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA

Estadão
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