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Análise: Aliança do presidente pode ficar ruim para ambas as partes

Celso Russomanno larga como favorito, mas não tem bom retrospecto: perdeu todas as eleições majoritárias que disputou

20 set 2020
13h02
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Celso Russomanno larga como favorito, mas não tem bom retrospecto. Perdeu todas as eleições majoritárias que disputou, entre elas para o governo do Estado, em 2010. Como candidato a prefeito, essa será a quarta tentativa - já concorreu na capital, nas duas eleições anteriores, e em Santo André, no ano 2000.

O apresentador de TV sempre se beneficiou eleitoralmente do privilégio de interpretar nas telas o papel de herói dos consumidores, mas isso só lhe garantiu sucesso nas disputas para deputado. Nas eleições municipais de 2012 e 2016, apareceu em primeiro lugar nas pesquisas de início de campanha, perdeu terreno ao longo do tempo e nem sequer chegou ao segundo turno.

Depois de mais de duas décadas de carreira como deputado federal, Russomanno parece convencido de que, para administrar a maior cidade do país, não basta se apresentar aos eleitores como justiceiro de supermercado. Como trunfo, ele busca concorrer pela primeira vez com o apoio do Palácio do Planalto. Abandona o disfarce de outsider na política e assume o papel de homem do presidente em São Paulo.

A estratégia funcionou com o tucano João Doria, eleito governador em 2018. Ele e outras dezenas de candidatos ganharam mandatos ao se associar a Jair Bolsonaro - que, na capital paulista, teve seis em cada dez votos.

Mas o fato é que presidentes têm pouca influência em eleições municipais, e estas pouco pesam nas disputas nacionais, apesar do que dita o senso comum. Além disso, o desgaste de Bolsonaro na cidade é evidente - como mostra a pesquisa Ibope, seu apoio a um candidato mais tiraria votos do que acrescentaria.

Até recentemente, o presidente aparentava desdenhar das eleições municipais. Parecia convencido de que, ao se envolver, correria riscos desnecessários e teria quase nada a ganhar. Agora, ao dar sinais de alinhamento a Russomanno, ganha holofotes na disputa local. É uma aposta de alto risco. Pode ficar ruim para ambas as partes.

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Estadão
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