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Lula não crê em golpe, mas compara Aécio a Carlos Lacerda

Ex-presidente citou apoiador do golpe militar de 1964 para criticar discurso do candidato tucano contra Dilma Rousseff

26 out 2014
11h38
atualizado às 14h37
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Depois de votar em São Bernardo do Campo na manhã deste domingo ao lado de dona Marisa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou o discurso de campanha eleitoral do adversário da petista Dilma Rousseff, Aécio Neves (PSDB), ao de Carlos Lacerda, que apoiou o golpe militar de 1964 contra o presidente João Goulart e contra Getúlio Vargas. Mesmo assim, Lula não crê em um golpe.

Além disso, ele afirmou ainda que o presidente eleito terá dificuldades em lidar com o Senado e a Câmara dos Deputados por ter que dialogar com 28 partidos dentro da Casa. Apesar dos problemas e das críticas à campanha eleitoral, Lula acredita que Dilma é a candidata mais preparada para o cargo.

Lula vota em São Bernardo do Campo na manhã deste domingo

Em relação à comparação dos discursos, Lula pensa que o País tem muita “experiência” em lidar com reacionários e que não enxerga a possiblidade de um golpe, já que não há um “inimigo da democracia”.

“Eu não acredito (em golpe). Primeiro porque o País aprendeu a valorizar a democracia e segundo porque a Dilma tem o povo brasileiro e uma grande parte da sociedade brasileira do lado dela. Por isso não acredito que haja nenhum reacionário tentando truncar o mandato como aconteceu com Getúlio (Vargas) e Jânio (Quadros)", disse o ex-presidente.

Em seguida, Lula mostrou-se preocupado com o discurso da oposição e comparou Dilma ao presidente americano Franklin Delano Roosevelt, que governou os Estados Unidos durante a recessão e a segunda Guerra Mundial.

"O que há de grave é que o discurso é muito semelhante. Se vocês lessem o livro do (Franklin) Roosevelt iriam perceber que os republicanos o tratavam da mesma forma que o Aécio tratou a Dilma. Se ler a biografia do Getúlio vai perceber que o Lacerda o tratava do mesmo jeito. E assim foi tratado o João Goulart, assim tentaram me tratar", explicou Lula.

"Qual a resposta que dei na época? Querem debater comigo vamos debater, mas na rua. Vou envolver o povo no debate e o povo participou. Com a Dilma é a mesma coisa Não dá pra ficar um debate entre governo e deputado ou senador”, lembrou-se.

O líder petista afirmou estar confiante na reeleição de Dilma que, segundo ele, fez uma campanha mais madura e tentando discutir temas nacionais. Apesar disso, Lula afirmou que independente de quem vencer, as dificuldades de um apoio dos deputados e senadores terá que ser enfrentada.

“Eu acho que ela vai ganhar a credibilidade do povo brasileiro no dia de hoje. Vamos ter que ter um aprendizado de convivência com o Congresso Nacional que fica cada vez mais difícil. Você tem que negociar agora com 28 partidos. Não é fácil o jogo de montar uma coalisão com 28 partidos na Câmara", analisou Lula.

"Mas é assim porque quis o povo brasileiro que fosse eleito tantos deputados de tantos partidos. E em vez de ficar reclamando temos que começar a pensar como construir a engenharia de governabilidade neste País, sem esquecer de que o mais importante de tudo é a relação que o governo tem que manter com a sociedade”, completou.

Importância das eleições
Logo que deixou a sessão de votação no ABC Paulista e depois de distribuir autógrafos e tirar fotos com fãs, Lula iniciou seu discurso falando sobre a importância da democracia e das eleições no atual momento político do Brasil. Lula irá acompanhar a apuração dos votos em sua casa e caso Dilma seja reeleita, existe a possibilidade de o ex-presidente viajar a Brasília.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou à imprensa na manhã deste domingo (26)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou à imprensa na manhã deste domingo (26)
Foto: Marcos Bezerra / Futura Press

“Vou repetir uma coisa que tenho dito desde que eu concorri à primeira eleição pra presidente em 89. Eu acho que cada eleição pra mim é a consagração de mais um dia de convivência e aperfeiçoamento democrático. As pessoas se queixam do processo eleitoral. Todo mundo reclama de tudo, mas quando chega às 6h da tarde tudo tem um final", apontou o ex-presidente de dois mandatos, 2003-2006 e 2007-2010. "E o que é importante é que o resultado é o da consciência politica da sociedade brasileira. O resultado é que a gente aprendeu que, diferentemente dos outros países, que quem ganha leva, quem ganha governa".

"Sou testemunha viva de uma pessoa que perdeu 1989, 1994 e 1998 e toda vez que perdi comecei a me preparar para outras eleições”, completa o líder petista.

Para Lula, o processo eleitoral está melhorando a cada pleito e a população brasileira está amadurecendo e aproveitando as oportunidades de crescer. “O Brasil está ávido pra chegar a ser a quinta economia do mundo. E acho que cada vez que passa, a possibilidade do Brasil melhorar aumenta muito", afirmou.

"Vamos ter, daqui alguns anos, uma geração infinitamente melhor que a nossa porque teve mais possiblidade, estudou mais, teve mais oportunidades, aproveitou melhor porque o mercado de trabalho está cada vez mais exigente”, apontou o ex-presidente brasileiro.

Críticas à revista Veja
Lula voltou a criticar a reportagem da revista Veja. A publicação veiculou um depoimento do doleiro Alberto Yousseff, afirmando que Lula e Dilma Rousseff sabiam dos desvios de dinheiro na Petrobras.

“A gente não tem que ficar nervoso. A Folha (de S. Paulo) só republicou a matéria da Veja. Eu acredito que é possível que ele tenha falado mesmo. O cara está em uma delação premiada. Ele está recebendo prêmio pra ferrar alguém. Lamentavelmente eu só conheço esse cara pelas páginas policiais. É importante a gente estar com a consciência tranquila”, completou.

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Fonte: Terra
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