Veja as polêmicas que levaram a troca de presidentes no Inep

Sob governo Bolsonaro, instituto anuncia o terceiro presidente em menos de cinco meses

17 mai 2019
12h22
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Desde o começo do ano, o Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep), órgão responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), terá seu terceiro presidente no comando da instituição sob o governo Bolsonaro. Cercado de polêmicas envolvendo seus dirigentes, a presidência do Inep será assumida na segunda-feira, 20, pelo engenheiro químico Alexandre Ribeiro Pereira Lopes.

Ministério da Educação (MEC)
Ministério da Educação (MEC)
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil / Estadão

Em meio a troca de presidentes, o Inep tem pela frente a aplicação de grandes exames como o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) em agosto e o Enem em novembro, com mais de cinco milhões de inscritos.

Lopes substituirá Elmer Coelho Vicenzi, que foi demitido nesta quinta-feira, 16, após ficar 18 dias no cargo. Segundo o Estado apurou, Vicenzi estava em meio a uma disputa com integrantes da procuradoria, a área jurídica do órgão, e acabou demitido.

O ex-presidente defendia a divulgação dos dados produzidos pelo Inep, como avaliações e indicadores educacionais. A procuradoria é a favor de uma política de sigilo dos dados, que envolvem informações de alunos e escolas. Vicenzi foi colocado no instituto pelo novo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

O presidente anterior também teve uma gestão rápida de três meses no cargo. O professor Marcus Vinicius Rodrigues foi demitido após se envolver em uma polêmica sobre a desistência de se avaliar a alfabetização, ainda sob o comando do então ministro da Educação Ricardo Vélez.

Após sua exoneração, Rodrigues fez duras críticas ao então ministro Vélez. "O Brasil precisa de um ministro da Educação que tenha responsabilidade de gestão, competência e experiência", disse ao Estado.

Em outra disputa interna com Vélez, Rodrigues contou que discordou da comissão que vai analisar as questões do Enem e tentou barrar integrantes de perfil ideológico e ligados ao filósofo Olavo de Carvalho, guru dos bolsonaristas.

Depois do anúncio de medidas polêmicas, recuos, duas dezenas de exonerações, falência da gráfica que imprime o Enem, o presidente Jair Bolsonaro demitiu no dia 8 de abril o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez e colocou no cargo Abraham Weintraub.

Sob o comando de Weintraub, o Ministério da Educação anunciou bloqueio de recursos no orçamento da Educação e com isso o governo do presidente Jair Bolsonaro foi alvo na última quarta-feira, 15, dos primeiros grandes protestos de rua. Manifestações foram registradas em cerca de 250 cidades do País.

Estadão
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