Universitários criam jogo de tabuleiro baseado em lendas de MG

25 dez 2011
15h45
atualizado às 15h47
Daniel Favero

Inspirados na Associação de Caçadores de Monstros e Assombrações de Mariana (Acam), a 114 km de Belo Horizonte, entidade que se dedica a enfrentar mais de 30 criaturas como gigantes e o temido o Caboclo d'Água, alunos da Faculdade Metropolitana Unida (FMU), de São Paulo, criaram um jogo de tabuleiro sobre folclore brasileiro chamado: Caça aos Mitos.

As lendas e mitos tratados no jogo são as do Saci Pererê, Caboclo d'Água, Matinta Pereira, Iara, Mula-Sem-Cabeça e Romãozinho
As lendas e mitos tratados no jogo são as do Saci Pererê, Caboclo d'Água, Matinta Pereira, Iara, Mula-Sem-Cabeça e Romãozinho
Foto: Divulgação

A iniciativa fez parte de um projeto do curso de jogos digitais e levou cerca de quatro meses para ser concluída pelos sete integrantes da equipe. O objetivo era elaborar um jogo baseado em lendas e mitos da cultura brasileira com enredo realista, de estratégia e design rústico, e a associação mineira serviu como fonte de informação e inspiração para os universitários.

"Eles gostaram da ideia, consideraram muito interessante, inclusive, falei que poderíamos fazer uma viagem à Mariana para que eles pudessem jogar. Seria bacana!", afirma o game designer e estudante do curso Rogério Favero, que trabalhou na elaboração do projeto. Segundo ele, a Acam participou indicando material de consulta, dando ideias e forneceu retratos-falados das criaturas, elaborados com base em depoimento das vítimas.

As lendas e mitos tratados no jogo são as do Saci Pererê, Caboclo d'Água, Matinta Pereira, Iara, Mula-Sem-Cabeça e Romãozinho. Alguns destes estão na lista de procurados da associação mineira, que chega a oferecer recompensa de R$ 10 mil por uma foto do Caboclo d'Água.

"Pelas nossas pesquisas, no interior de Minas, eles levam muito a sério essas coisas. Tanto que quando iniciamos as pesquisas, antes mesmo de encontrar a associação, vimos muita coisa do interior. As lendas sempre têm pequenas variações, se você está no Nordeste, a mesma lenda pode ter um nome diferente, mas as características são as mesmas, então, por tudo que nós colhemos de material a respeito, acho que lá no interior de Minas eles acreditam mesmo ", afirma Favero.

De acordo com o estudante, o jogo custou R$ 400 para ser produzido e a ideia já foi apresentada para uma empresa paulista produtora de jogos de tabuleiro que está analisando a proposta. "Agora estamos trabalhando em uma versão digital - point and click -, no qual você vai clicando na tela e resolve os mistérios", diz ele, ao revelar que planejam uma visita à cidade para colher material para essa nova versão.

O jogo
O jogo é voltado para um público maior de 8 anos e comporta entre 3 e 10 jogadores, que assumem o papel de habitantes da cidade de Mariana e têm como objetivo encontrar as tocas das lendas, ou de um impostor que tenta atrapalhar a busca. A cada tarefa, o jogador ganha recompensa, mas se falhar na missão, quem é recompensado é o impostor. Após três rodadas, vence o jogador que conseguir mais tesouros.

Lendas dos personagens
Saci-Pererê - É uma lenda do folclore brasileiro que se originou entre as tribos indígenas do Sul do Brasil. No começo ele era retratado como um curumim endiabrado, com duas pernas, de pele morena e com rabo. Com a influência da mitologia africana passou a ser retratado como negro que perdeu a perna lutando capoeira, passou a usar o pito - uma espécie de cachimbo - e ganhou da mitologia europeia um gorrinho vermelho. Sua principal característica é a travessura.

Caboclo d'Água - Monstro definido como uma mistura de lagartixa, macaco e galinha, que ataca às margens do rio do Carmo, no interior de Minas Gerais. É relatado por muitas testemunhas, em tempos diferentes, e tem três retratos falados. Os ataques ocorrem de setembro a dezembro. Ele já teria matado duas pessoas.

Matinta Pereira - É uma ave que assume a forma de uma idosa vestida de preto, com o rosto parcialmente coberto. Prefere sair nas noites escuras sem lua, quando vê alguma pessoa sozinha, dá um assobio ou grito estridente, cujo som lembra a palavra "matintaperera". Acredita-se que ela possua poderes sobrenaturais e que seus feitiços possam causar dores ou doenças nas pessoas.

Iara - É uma linda sereia que vive no rio Amazonas. De pele morena, longos cabelos negros e olhos castanhos, costuma tomar banho nos rios e cantar uma melodia irresistível, que faz com que os homens pulem dentro do rio. Ela tem o poder de cegar quem a admira e leva para o fundo do rio qualquer homem com quem desejar se casar.

Mula-Sem-Cabeça - Seria uma mulher que namorou um padre e foi amaldiçoada. Nas noites de quinta para sexta-feira se transforma em uma besta na encruzilhada e percorre sete povoados. Se encontra alguém, suga seus olhos, unhas e dedos. Apesar do nome, segundo relatos de testemunhas, ela aparece como um animal inteiro, forte, lançando fogo pelas narinas e pela boca.

Romãozinho - É uma criança malcriada que adorava maltratar animais e destruir plantas. Ele teria mentido para o pai sobre um adultério da mãe, fazendo com que o progenitor matasse a mulher. À beira da morte, a mãe teria rogado uma praga contra o filho para que não morresse. Desde então, anda pelas estradas quebrando telhas a pedradas e assombrando as pessoas.

Fonte: Terra
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