Um ano após MEC mudar regra, polos de ensino a distância aumentam 133%

Segundo especialistas, crescimento no número de cursos facilita acesso ao ensino superior, mas há a preocupação com queda na qualidade e também com falta de fiscalização

5 ago 2018
19h29
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SÃO PAULO - Mariane Gouveia, de 51 anos, estuda até nas brechas do trabalho. Entre uma reunião e outra como mediadora de conflitos em um centro judiciário de Praia Grande, na Baixada Santista, ela aproveita para assistir a aulas ou rever explicações na tela do celular. Mariane cursa uma graduação a distância - modalidade que cresce no País.

Um ano após a publicação de um decreto que regulamenta a modalidade, o número de polos de ensino a distância (EAD) autorizados no Brasil cresceu 133%. Antes da regra, eram 6.583. Hoje já chegam a 15.394, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). O resultado é a capilarização do EAD no País. Entidades de classe, a maior parte ligada a carreiras da área de saúde, porém, criticam o modelo, enquanto especialistas veem risco de que a expansão resulte em queda na qualidade e falta de fiscalização.

O decreto eliminou a exigência de que o governo fizesse visitas prévias aos câmpus e deu autonomia às instituições para a criação dos próprios polos, desde que elas cumpram parâmetros de qualidade definidos pelo governo. O número de polos que podem ser criados hoje é calculado com base no Conceito Institucional (CI) da escola, obtido em avaliações feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep). Quanto maior o conceito, maior a qualidade. Instituições com CI igual a 3 (o mínimo satisfatório) podem ter até 50 polos; se o CI é igual a 4, o número aumenta para 150 e, se o CI é 5, a instituição pode criar até 250 polos.

A regra também regulamentou o surgimento de centros exclusivos para educação a distância. Mas, desde maio do ano passado, isso não ocorreu. As quatro instituições credenciadas no País para oferecer apenas cursos a distância já existiam antes do decreto.

Logística. Para Mariane, veterana de graduações presenciais, a instalação de um polo da Estácio em Praia Grande pesou na decisão pelo curso de Mediação, um tecnólogo focado na solução de conflitos judiciais. Ela trabalha e mora na cidade e, no início do curso, teve de ir mais vezes ao polo para tirar dúvidas sobre a plataforma. Hoje, elogia a possibilidade de estudar e continuar trabalhando. "Não preciso esperar terminar a faculdade para aí sim entender a prática."

A unidade foi uma das 171 que passaram a funcionar a partir do segundo semestre do ano passado. Segundo Aroldo Alves, vice-presidente de EAD da Estácio, a quantidade de municípios com unidades quase dobrou no período. "Vamos aos menores, para dar acesso ao ensino superior onde não seria viável a instalação de um câmpus."

Diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), Luciano Sathler diz que as regras para a modalidade no Brasil facilitam o acesso ao ensino superior. "Antes, tínhamos um número muito grande de polos com poucas instituições."

Estudo. O ensino a distância não é a primeira opção de brasileiros. É o que mostra estudo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), que entrevistou 1.012 pessoas. 56% disseram preferir a graduação presencial, contra 27% que preferem o EAD.

Para Celso Niskier, vice-presidente da Abmes, porém, cresce o número de adeptos do ensino a distância, especialmente entre os mais novos. "O jovem tem compreensão maior de como a tecnologia pode ser usada no ensino." Cursos online na área de Educação são os que registram mais matrículas.

Estadão Conteúdo

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