PUBLICIDADE

Tecnologia, de vilã a aliada dos professores para engajar alunos

Ferramentas digitais, como redes sociais, são cada vez mais usadas para fins pedagógicos

24 set 2021 05h12
ver comentários
Publicidade

Dá para aprender crase no Tik Tok? Claro que dá. E ensinar algo produzindo um videoclipe? Também dá. Se, no início da pandemia, pode ter havido resistência dos professores aos formatos digitais, este um ano e meio de aulas remotas serviu para quebrar paradigmas. Uma pesquisa da Fundação Lemann mostrou que 81% dos educadores reconhecem a tecnologia como grande aliada na promoção de um aprendizado mais ativo e que 73% dos docentes brasileiros pretendem utilizar mais tecnologia no ensino do que antes do contexto de pandemia.

O desafio é estar familiarizado com os recursos tecnológicos, ficar atento às dificuldades que podem surgir no novo formato e, principalmente, dominar as técnicas que mantêm os alunos concentrados e engajados no aprendizado.

"Em uma aula online, quando explico um conteúdo que é difícil para o estudante entender, preciso repetir várias vezes, com uma entonação diferente; tenho de ter uma expressão diferente. Também uso o (aspecto) lúdico que a internet permite, como fazer um clipe, colocar legendas, usar e abusar de recursos de edição de vídeo", conta Noslen Borges de Oliveira, professor de Língua Portuguesa e youtuber de educação.

Quanto às ferramentas digitais, uma boa dica é adaptar o ditado "em Roma, faça como os romanos". Com a presença massiva de alunos em redes sociais, professores vêm descobrindo como explorá-las para usos pedagógicos.

"Antes da pandemia, 68% dos estudantes de escolas urbanas já utilizavam redes sociais para fazer as tarefas escolares. Durante a pandemia, as próprias escolas oficializaram esse uso das redes, e 91% delas utilizaram o WhatsApp nas comunicações com alunos e pais, por exemplo", afirma Daniela Costa, coordenadora do projeto TIC Educação, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

As ferramentas digitais também podem auxiliar em um dos principais desafios dos professores: promover metodologias ativas e tornar o aluno protagonista de sua própria aprendizagem. Os estudantes podem, por exemplo, planejar e produzir conteúdos a serem publicados em uma plataforma virtual, com recursos audiovisuais diversos e adaptáveis aos mais variados dispositivos, o que pode facilitar o compartilhamento com familiares e amigos.

"Posso dizer ao aluno: 'Faça um roteiro para o TikTok com conteúdo sobre o uso da crase'. Assim, ele vai fazer uma pesquisa sobre a crase, com elementos para construir isso. Quando o estudante bota a mão na massa, ele aprende, guarda e não mais esquece. Temos de propor atividades para que o aluno construa, e sejamos mediadores", observa Oliveira.

Inteligência artificial. Na fusão entre tecnologia e educação, a inteligência artificial tende a ser grande aliada na otimização de tarefas dos educadores. "Essa tecnologia envolve uma automação que pode reduzir o tempo gasto pelo professor em atividades que não envolvam a interação com os alunos", comenta Rafael Marangoni, CEO da BRLink.

Na Gran Cursos Online, a tecnologia agilizou a transformação de 28 mil livros para o formato de áudio, ampliando a acessibilidade do conteúdo. "Com inteligência artificial fizemos a customização léxica, controle de aspectos da fala como volume, tom e velocidade. Tudo para deixar com aparência natural", conta Rodrigo Calado, cofundador da plataforma.

Estadão
Publicidade
Publicidade