SP: sindicato encerra greve de professores e ato termina em pancadaria

Ato terminou em confusão após direção sindical decidir encerrar greve mesmo com votação sendo aparentemente a favor da continuidade

10 mai 2013
16h47
atualizado às 20h48
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Terminou em briga generalizada a assembleia dos professores da rede estadual de São Paulo ocorrida na tarde desta sexta-feira na avenida Paulista. A direção da Apeoesp, o sindicato da categoria, decretou o fim da greve após três semanas de paralisação, depois de uma votação que mostrou divisão entre os presentes. Houve uma aparente vitória do grupo que defendia a continuidade do movimento. Revoltadas, essas pessoas encurralaram a direção sindical no caminhão de som e jogaram objetos como latas, garrafas e até cones utilizados para isolar o veículo do tráfego. A Polícia Militar, que acompanhava o ato, entrou em ação e a cena foi de agressões por todos os lados.

Antes da votação, uma nova proposta teria sido feita pelo governo aos professores nesta sexta-feira, o que teria contribuído para que a greve acabasse. Procurada, a Secretaria Estadual de Educação ainda não se pronunciou sobre a suposta proposta ou sobre o fim da paralisação docente.

<p>Após a decisão pelo encerramento da paralisação, a direção sindical foi hostilizada e acabou encurralada no caminhão de som, cercado por manifestantes.</p>
Após a decisão pelo encerramento da paralisação, a direção sindical foi hostilizada e acabou encurralada no caminhão de som, cercado por manifestantes.
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

De acordo com Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, a decisão na assembleia foi clara. "Pelo menos 60% dos professores que estiveram aqui votaram pelo fim da greve", disse ela. De acordo com Izabel, há um grupo radical dentro do movimento que impede que qualquer decisão que seja discordante em relação ao que eles pensam seja levada adiante.

Com a confusão, o trânsito foi fechado na avenida Paulista em ambos os sentidos na altura do Masp. O caminhão com a líder sindical e representantes da imprensa só conseguiu sair do tumulto com a escola da polícia. Manifestantes tentaram invadir o veículo e colocaram fogo em papeis e outros materiais usados na manifestação. Aos gritos de "que papelão, a Bebel (Maria Isabel) vai sair de camburão", o carro de som com os membros da Apeoesp deixou a avenida Paulista.

"Foi votado e ganhou a suspensão da greve. Mas eles são assim. Toda greve é isso. Até perdendo eles são assim. É uma dinâmica deste movimento. É um grupo que se põe desta forma e não tem como mudar isso", disse a presidente da entidade.

Ela definiu o grupo que se opôs à decisão como um grupo radicalizado. "São extremistas que entendem que a greve tem de ir até a morte. Na minha opinião, ficou a decisão foi clara. Eu não posso ter dúvida daquilo que eu encaminho. Na semana passada, eles ganharam. Mas hoje não ganharam", disse ela. Segundo a presidente do sindicato, a adesão à greve caiu da semana passada para esta. "Hoje temos 10% da categoria em greve. Como é que você mantém uma greve assim? Na semana passada tínhamos 30%. Então, você suspender um movimento com 30% é muito. Eles perdem e não aceitam", defendeu-se.

Desde a primeira assembleia, há três semanas, Maria Izabel enfrentou oposição. Durante os discursos, foi sempre vaiada. "É um pouco isso, estou acostumada. A gente sabe perfeitamente o momento que tem de ser direção e eu ajo como direção. Eles são assim. É o PCO. Vocês nunca ouviram falar do PCO? É uma ala extremista. Porque radical é bom. São fundamentalistas", afirmou.

Maria Izabel lamentou os atos de violência na avenida Paulista. "Eu só tenho a lamentar. A gente faz uma pesquisa para falar sobre violência nas escolas, mas me parece que na relação com quem pensa diferente, usam a violência. Eu não tenho esse comportamento. Eles me vaiam e eu toco a assembleia tranquilamente. Eles vão ficar gritando greve, mas eles não têm greve. Pergunta quantos por cento eles têm. Eu acredito que ficou 60% (a favor do fim da greve) e 40% contra. Eles trazem aluno para votar...", disse ela.

Fonte: Terra

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