Provas deprimem e atormentam a Geração Z

Para a maioria dos jovens, tirar boas notas é uma preocupação maior do que bebida ou gravidez não planejada

3 nov 2019
03h10
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Tchau, millennials. Os jovens agora pertencem à "Geração Z", um grupo que os demógrafos geralmente definem como formado pelas pessoas nascidas desde 1997. Os pesquisadores fizeram de tudo para entender as atitudes e experiências das pessoas nascidas na década de 1980 e início da década de 1990 (ou seja, Geração do Milênio ou Geração Y), que são mais instruídas e mais pobres do que seus pais. Mas coletaram muito menos dados sobre pessoas que mal conseguem se lembrar de um mundo sem redes sociais ou smartphones. Nos Estados Unidos, essa geração agora representa cerca de ¼ da população.

Até agora, a maioria das pesquisas sobre a Geração Z sugere que são menos hedonistas, mais comportados e mais solitários que nunca. Um relatório recente do think tank Pew Research Center reforça essa descoberta e lança mais luz sobre as esperanças e medos dessa nova geração. No final de 2018, o Pew entrevistou 920 americanos entre 13 e 17 anos sobre os problemas que eles mais veem entre seus amigos e colegas. Os dados mostram que eles estão muito menos preocupados com problemas da adolescência, como gravidez não planejada e consumo excessivo de álcool, do que com saúde mental. Setenta por cento dos entrevistados disseram que ansiedade e depressão são uma questão importante entre seus pares. Adolescentes de famílias mais pobres tenderam a relatar uma gama mais ampla de problemas comportamentais do que os de famílias ricas, mas as preocupações com a saúde mental parecem afetar os dois grupos igualmente.

O que está causando tanto estresse e desânimo entre os jovens? Uma resposta possível é que as mídias sociais fazem os adolescentes se sentirem mais isolados de seus amigos e mais atormentados por seus colegas. Mais da metade dos entrevistados pelo Pew citou o bullying como um grande problema. Outro motivo talvez sejam as preocupações acadêmicas. Os membros da Geração Z, ainda mais do que os millennials, parecem ter menos vontade de curtir e mais de obter as melhores notas. Dois terços dos entrevistados da pesquisa do Pew disseram que não sentem nenhuma pressão para ficarem bêbados, enquanto nove em cada dez se sentem estressados quando o assunto é desempenho escolar.

Uma explicação final pode ser que pessoas de todas as idades estão mais ansiosas e deprimidas (ou, pelo menos, mais dispostas a falar sobre isso). Pesquisas com estudantes universitários americanos mostram que a proporção que relata tendências depressivas tem aumentado desde a década de 1950. Hoje, quase 1/5 dos adultos do país vive com uma condição de saúde mental, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que os transtornos de depressão e ansiedade custem à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano. E considera que investir mais em tratamento psiquiátrico ajudaria a aliviar parte desse fardo, uma vez que, segundo seus cálculos, cada dólar gasto pelo governo em tratamento proporciona um retorno de US $ 4 com melhoria da saúde e da produtividade. Os Estados Unidos certamente poderiam destinar mais do que os atuais 0,05% de seu orçamento de saúde a esses cuidados. Talvez animasse os adolescentes deprimidos. Mas dificilmente os ajudaria com a lição de casa. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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Estadão
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