Oito em cada dez paulistanos são contrários à volta das aulas presenciais

Escolas da capital reabriram para atividades extracurriculares, mas ainda não há data para o retorno das classes regulares

16 out 2020
18h17
atualizado às 23h07
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Oito em cada dez paulistanos são contrários ao retorno das aulas presenciais ainda em 2020, segundo revela a pesquisa Ibope/TV Globo/Estadão sobre as eleições para a Prefeitura e outros temas do momento. O ibope fez a seguinte pergunta aos 1.001 entrevistados: "A secretaria de Educação tem discutido sobre uma possível volta às aulas ainda neste ano. O(a) sr.(a) é a favor ou contra?" Apenas 17% responderam ser a favor, e 81%, contrários. Entre as mulheres, 84% se manifestaram contra, e 15% a favor.

Por causa da pandemia de covid-19, as aulas na capital paulista estão suspensas desde março. No início deste mês, o prefeito Bruno Covas (PSDB) autorizou a abertura de escolas públicas e particulares apenas para atividades extracurriculares. O retorno de aulas regulares na capital está previsto para 3 novembro, mas ainda não há confirmação da data. Covas aguarda resultados de uma bateria de testes com professores e estudantes para verificar quantos já têm anticorpos contra o novo coronavírus.

O Ibope também perguntou quais seriam os principais fatores de insegurança, em caso de volta às aulas. Os entrevistados puderam dar mais de uma resposta. O item "falta de estrutura das escolas para lidar com a pandemia" foi citado por 60%, e ficou em primeiro lugar no ranking. A seguir vieram "aglomeração dos estudantes em um só lugar" e "as crianças não têm noção de como se cuidar". Também houve menções a riscos no transporte e a temores de prejuízos no aprendizado dos alunos.

Educadores apontam que o longo período em que as crianças e os adolescentes estão afastados da escola podem aumentar o déficit de aprendizagem e os índices de evasão. Ainda há dúvidas, porém, sobre o risco envolvido na reabertura dos colégios no avanço da transmissão da doença.

Falta de diálogo das autoridades com famílias prejudica, diz especialista

Anna Helena Altenfelder, presidente do conselho do Cenpec, considera que esse número alto de pais que não querem a volta envolve vários fatores, incluindo a falta de uma coordenação central para as decisões do retorno às aulas, que segundo ela, deveria ser o papel do Ministério da Educação. Houve ainda uma falha de comunicação com os pais. "Há pouco diálogo das autoridades com a famílias, explicando os riscos, as possibilidades, as dificuldades. (É preciso) escutar mais as famílias, dialogar..."

Já para Salomão Ximenes, professor de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC), esse resultado da pesquisa indica dois fatores: o primeiro é que não há na realidade brasileira uma situação de controle epidemiológico do vírus que permita segurança para essa volta às aulas e o segundo é que as pessoas percebem que ainda há risco real e nível de insegurança muito elevado para esse processo de retomada.

"Há a percepção geral da população sobre as condições das escolas para assegurar a segurança do retorno. A população, mais do que os governos, percebe a impossibilidade de implementação de vários protocolos (<CF742>sanitários</CF>)", disse. "Falta segurança também no trajeto. É preciso levar em consideração o transporte, a interação urbana que as escolas ampliam", disse Ximenes.

Covas e Russomanno estão tecnicamente empatados, aponta pesquisa

Na parte eleitoral da pesquisa, o Ibope constatou que Celso Russomanno (Republicanos) e Bruno Covas (PSDB) estão tecnicamente empatados na disputa pela Prefeitura de São Paulo, com 25% e 22% das intenções de voto, respectivamente. A seguir estão Guilherme Boulos (PSOL), com 10%, e Márcio França (PSB), com 7%.

Na comparação com a pesquisa anterior, publicada há duas semanas, os dois líderes apenas oscilaram dentro da margem de erro, que é de até três pontos porcentuais para mais ou para menos, mas a distância entre o deputado e apresentador de TV e o atual prefeito da capital passou de cinco para três pontos porcentuais.

Entre os demais candidatos, Jilmar Tatto (PT) passou de 1% para 4%. Artur do Val, conhecido como Mamãe Falei (Patriota), oscilou de 1% para 2%. Os outros concorrentes ficaram com 1% ou menos.

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 15 de outubro de 2020, com 1.001 eleitores As entrevistas foram realizadas de forma presencial - por causa da pandemia de covid-19, a equipe do Ibope usou equipamentos para proteção da própria saúde e da dos entrevistados. O nível de confiança utilizado é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerada a margem de erro. O levantamento foi registrado no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo SP-01432/2020.

Veja também:

Investigação da BBC revela tortura e abusos em escolas islâmicas no Sudão
Estadão
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