Ministro defende entrada da polícia nas universidades

Abraham Weintraub disse que a autonomia das instituições deve se dar também na área financeira

14 mai 2019
13h58
atualizado às 14h53
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BRASÍLIA - O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou na manhã desta terça-feira, 14, durante café da manhã com jornalistas, ser favorável à entrada da polícia nas universidades. "Autonomia universitária não é soberania", disse. Ele argumentou que, no passado, a regra pode ter feito sentido, mas atualmente é dispensável. "Entendo por que no passado foi criada essa soberania universitária. Mas hoje não tem necessidade de a polícia não poder entrar no campus", afirmou. "Por que as universidades têm regras diferentes do resto do Brasil?"

Ministro da Educação, Abraham Weintraub
Ministro da Educação, Abraham Weintraub
Foto: Rafael Carvalho/ Divulgação Governo de Transição / Estadão Conteúdo

A relação entre o ministro e universidades federais se deteriorou nos últimos dias, depois do anúncio do contingenciamento de recursos para o setor e das críticas feitas ao desempenho de cursos de humanas. A Associação Nacional de Dirigentes de Ensino Superior (Andifes) publicou uma nota em que ressaltava, entre os argumentos, a autonomia universitária.

Nesta terça, Weintraub se referiu às universidades como "torres de marfim" e que a autonomia das instituições deve se dar também na área financeira, com a criação de mecanismos que permitam a busca de recursos e patrocínios. "Hoje elas não podem... Não estou falando em cobrar, sou contra cobrar dos alunos de graduação", disse. Mas, emendou, o ideal seria a criação de mecanismos para que empresas se tornem patronas de instituições, possam construir prédios, colocar nomes nas novas instalações. "Essas torres de marfim que a gente criou impedem que renda possa ser gerada para ser usada na pesquisa."

É esperada para a quarta-feira, 15, uma greve em protesto contra o contingenciamento de recursos do MEC, uma medida que atingiu sobretudo as universidades federais. Hoje, o prédio do MEC amanheceu cercado por homens da Força Nacional. O secretário executivo da pasta, Antoni Paulo Vogel, afirmou que a proteção foi pedida pelo MEC. "Temos de estar preparados para evitar qualquer tipo de problema. Simples assim."

Após declaração do ministro Abraham Weintraub, MEC recuou de cortar verbas de universidades por causa de 'balbúrdia'
Após declaração do ministro Abraham Weintraub, MEC recuou de cortar verbas de universidades por causa de 'balbúrdia'
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado / Estadão Conteúdo

Weintraub se esquivou de fazer comentários sobre a greve. Durante o café da manhã, ele condicionou a liberação dos recursos bloqueados à aprovação da reforma da Previdência e não descartou novos cortes.

O ministro procurou, ainda, reduzir a importância do bloqueio sofrido pela pasta, citando outros ministérios que tiveram contingenciamentos maiores, como Defesa. Ele disse ter recebido 50 reitores nos poucos dias no cargo e que, de acordo com relatos, a conta das universidades "a vida segue normal". "Se tiver algum problema vou até o Ministério da Economia, para abrir uma exceção. A gente vai atrás", afirmou. Mas, de acordo com o ministro, o impacto do bloqueio das contas seria sentido pelas universidades apenas no segundo semestre.

Weintraub queixou-se de estar sendo perseguido por críticos e não poupou elogios à equipe econômica, em especial o ministro Paulo Guedes.

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Estadão
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