Inovador, antenado e veloz: novo executivo precisa ter perfil digital

Companhias buscam profissional com características digitais para posições de comando. Cursos focam nesses atributos

28 nov 2019
10h11
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SÃO PAULO - De tempos em tempos, mudam os atributos que fazem a diferença no currículo dos executivos. Décadas atrás, as qualificações em formações tradicionais como Administração, Engenharia ou Marketing eram o passaporte para importantes cargos. Tempos depois, as boas perspectivas de carreira seriam conquistadas por quem dominasse diversos idiomas e tivesse alguma formação em universidade estrangeira. Atualmente, para chegar às posições de comando nas empresas, é preciso ter um perfil digital.

O termo se refere a características como ser inovador, antenado, cosmopolita e veloz, além, é claro, de estar familiarizado com os novos recursos tecnológicos. Atributos que são parte inatos, mas parte apreendidos. E é com foco no ensino desses conteúdos que as instituições de ensino - que têm executivos como público-alvo - criam novos cursos ou adaptam o currículo dos atuais.

Na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), o MBA em Projetos Digitais, que teve sua primeira turma neste ano, contempla em seu programa temas como inteligência relacional, comunicação assertiva, storytelling para negócios e growth hacking, termo comum nos glossários de marketing digital que trata de aliar a busca de oportunidades para o sucesso com estratégias que resultem em crescimento rápido.

"Selecionamos competências e habilidades imprescindíveis para a transformação digital, a inovação e o empreendedorismo, além de destacar quais são as demandas emergentes desse campo em nossa região. A partir disso definimos ementa e propósitos do curso", explica Jorge Rocha Neto, um dos coordenadores.

Além do conteúdo, a metodologia do curso da PUC Minas também se alinha às demandas do mundo digital, com a realização frequente de eventos online, produção de podcasts com especialistas em diversas áreas e a oferta de trilhas de aprendizagem para personalizar ao máximo o ensino.

No encerramento do MBA, os alunos devem apresentar um projeto prático de fôlego a ser executado no mercado, por um prazo determinado, para ser avaliado por uma banca de professores a respeito de sua viabilidade.

"É dessa forma que esse MBA, o único de Minas Gerais voltado para a capacitação prática de players que ajudarão a conduzir os passos da transformação digital no Estado, contribui para vencer os desafios do mercado", completa Rocha Neto.

Internacional

Ser um executivo digital também é estar alinhado com conceitos globais de gestão, que permeiam tanto o dia a dia das empresas multinacionais como o cotidiano de boa parte dos clientes. Por isso, estabelecer parcerias com centros de ensino internacionais é outra estratégia das instituições que formam executivos.

O Ibmec acaba de lançar o Mestrado Profissional Internacional em Finanças, programa realizado em parceria com a Sorbonne Business School, instituição que integra a Universidade de Paris Panthéon-Sorbonne. Com a primeira turma aberta em novembro, a proposta é o ensino de gestão financeira com parâmetros internacionais.

"A Sorbonne é uma das principais instituições do mundo, por onde passaram diversos prêmios Nobel e foi palco de importantes debates que afetaram o modelo econômico e político moderno. Além disso, com o mesmo empenho dedicado à cultura nos últimos séculos, a França investe em inovação e tecnologia", afirma Maria Frastrone, pró-reitora de pós-graduação do Ibmec.

Global

Para proporcionar uma experiência imersiva, o curso contempla um período de 15 dias em Paris, no câmpus da Sorbonne. Lá os estudantes farão dois módulos do programa e terão a oportunidade de interagir com organizações e profissionais de importantes empresas ao redor do mundo.

"Em um momento de intensas e céleres mudanças, com o mercado de pernas para o ar, a parceria do Ibmec com a Sorbonne Business School é uma oportunidade de desenvolver profissionais reflexivos, cooperativos, com conhecimento sólido e multidisciplinar, aplicado às reais necessidades do mercado", completa a pró-reitora de pós-graduação do Ibmec.

Imersão

E se a exigência é ter um perfil digital, a imersão em novas tecnologias precisa fazer parte do pacote de formação. Mas não deve entrar no currículo como aulas complementares ou estanques. Para que o aprendizado seja fluido e o conteúdo possa ser aplicado, as ferramentas devem compor a metodologia de ensino.

É o que ocorre na Saint Paul Escola de Negócios, em que os estudantes do MBA Executivo Internacional têm acesso à plataforma Lit, um sistema de machine learning que orienta todo o percurso formativo do aluno.

Por meio de inteligência artificial, a LIT atua em três frentes. A primeira é o teste de personalidade, que descobre as características de aprendizagem do estudante, como se é uma pessoa que precisa de mais ou menos interação humana para aprender. Com esse mapeamento, a plataforma indica quais são os formatos - vídeos, grupos de discussão, textos - que se aplicam melhor para aquela pessoa. A outra maneira é o teste de conhecimentos, que indica ao executivo áreas nas quais ele precisa fazer um esforço maior e sobre que módulos ele já tem domínio.

Acompanhamento

Por fim, há um tutor digital, batizado como Paul, que tira dúvidas dos estudantes como se fosse um professor. Ele é capaz de abordar assuntos como inovação, empreendedorismo, contabilidade e demonstrativos financeiros, entre outros temas.

"Quanto mais interações são feitas, mais nossa IA (inteligência artificial) entende os alunos e como eles aprendem melhor", explica Anna Andrade, gerente de Marketing da instituição.

Para a executiva Talita Queiroz Alvez, de 30 anos, aluna do MBA Executivo Internacional da Saint Paul, a própria experiência de lidar com a LIT tem sido uma oportunidade de aprimorar suas habilidades.

"Ao fazer o cadastro na plataforma, inseri cópias de conversas em aplicativos de mensagens e e-mails. Com isso, o sistema conseguiu entender o modo como eu penso e personalizou os conteúdos. Eu nunca vi algo assim antes", afirma a estudante.

Talita é responsável pelo dimensionamento do quadro de pessoal de uma empresa. Trata-se de uma área na qual novidades vêm ganhando espaço, por exemplo, em softwares de análises comportamentais e competências, plataformas de recrutamento e sistemas remotos de controle de pessoal.

Para a executiva, seu cotidiano com a Lit permite que se habitue a algumas características das tecnologias que cedo ou tarde vão estar inseridas em seu trabalho, como inteligência artificial e trabalho remoto.

"Já me antecipei à mudança. Estou preparada para quando ela chegar", acredita a estudante.

Estadão
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