Escolas investem em estágios temporários para aluno experimentar vida profissional

Estudantes têm oportunidade de participar de reuniões em empresas de diferentes portes, conversar com profissionais in loco, treinar networking e se preparar para a etiqueta do mercado de trabalho

18 out 2020
22h11
atualizado em 20/10/2020 às 11h58
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Para um aluno ter uma pequena amostra do que pode ser o futuro profissional, escolas particulares de São Paulo têm investido em programas de estágios temporários de até uma semana de duração. De empresas de pais de alunos a multinacionais, os estudantes têm a oportunidade de participar de reuniões, conversar com profissionais in loco, treinar networking e se preparar para a etiqueta do mercado de trabalho.

Esse é o foco da empresa Guide-U, que começa a expandir a abrangência após três anos de experiência em parceria com o St. Francis College, de São Paulo. Com o Work Shadowing Programme, ela leva alunos do 2.º ano do ensino médio para ficar por uma semana em empresas de portes variados e escritórios de profissionais liberais, onde passam por uma espécie de mentoria.

Também sócia-fundadora, Vivian Bradshaw descreve a experiência como um test-drive, em que é possível perceber aspectos variados da rotina, como possibilidade de ascensão, momentos de lazer, necessidade de viajar etc. Antes do breve estágio, os estudantes são preparados em um workshop sobre dress code, horários de trabalho, políticas de privacidade e outros elementos essenciais de uma rotina profissional.

Um dos primeiros participantes Diego Rocha, de 20 anos, estagiou na área de marketing da Unilever. "Achei bem dinâmico porque não ficou só na reunião, no workshop, teve um dia que a gente (ele e outro colega) saiu da empresa junto com os funcionários", comenta. "Na época, não tinha muita noção de que tipo de carreira queria seguir, sabia que gostava da área de administração e de economia, mas não sabia exatamente o que me interessava."

Nas reuniões, o tutor indicava quando ele podia interagir e dar ideias e quando era melhor apenas observar. "Depois dessa experiência, decidi que não queria fazer marketing. Não porque tenha sido uma experiência ruim, foi uma experiência ótima, mas descobri que não era uma área para mim, compatível com o que eu quero. Me ajudou a afunilar o que queria fazer futuro", conta Rocha, que hoje estuda na área de economia em uma universidade em Los Angeles.

Martina Devoto, de 19 anos, fez o estágio na Camil, também no setor de marketing. Para ela, que hoje cursa Estudos Sociais em Londres, um dos ganhos da experiência foi desconstruir conceitos pré-formados, como perceber que há espaço para ser criativo mesmo em empresas de grande porte. "Uma das coisas que mais gostei é que me deixaram assistir à montagem de uma campanha de produto que seria lançada online."

'Estágio reflexivo'

Um programa semelhante é realizado pelo Colégio Humboldt, em São Paulo, com duração de cinco dias. Coordenadora do ensino médio na instituição, Talita Marcília descreve o Projeto Trabalho como um "estágio reflexivo", tanto que os participantes precisam depois escrever um relatório sobre a experiência.

Além disso, em paralelo, os estudantes participam de simulações de dinâmicas de processo seletivo e de entrevista de emprego, realizadas com funcionários de grandes empresas alemãs, como a Audi, em parceria com o RH da escola.

A aluna Melanie Korber Silva, de 17 anos, participou do projeto na rádio do pai e ficou em diferentes setores da empresa. "Foi uma forma de conhecer esse mundo corporativo. Passei bastante tempo na comunicação e na parte financeira", conta. Um ano depois, ela acha que a experiência a ajudou a escolher que irá cursar duas graduações simultaneamente, em Tecnologia e Design.

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