Peças do Museu Nacional são salvas por empréstimo

Únicas peças que restaram do acervo etnológico do Museu Nacional estão em exposição em Brasília

9 set 2018
16h09
atualizado às 16h40
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A exposição Índios: Os Primeiros Brasileiros, em exibição até o dia 16 de dezembro no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, conseguiu salvar o que sobrou do acervo etnológico brasileiro de mais de 40 mil peças do Museu Nacional no Rio de Janeiro, consumidas pelo incêndio de domingo passado (2).

As peças não se perderam porque já se encontravam emprestadas para a exposição desde o dia 29 de agosto no Memorial dos Povos Indígenas. Entre os itens expostos, há uma série de imagens dos raríssimos mantos tupinambás e um conjunto de praiás (vestimentas rituais) do povo indígena pankararu, como também maracás, arcos, flechas e cocares de povos indígenas do Nordeste, como os xucuru, kiriri, tupinambá e fulniô.

O professor de antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e curador da exposição João Pacheco comemorou a sorte em ter os objetos integrando uma mostra fora do Rio. "Se o material não estivesse nessa exposição, provavelmente teria sido destruído também com o restante da coleção. É o que resta de memória das atividades antropológicas do Museu Nacional", disse.

Vista aérea do Museu Nacional no Rio de Janeiro
 3/9/2018    REUTERS/Ricardo Moraes
Vista aérea do Museu Nacional no Rio de Janeiro 3/9/2018 REUTERS/Ricardo Moraes
Foto: Reuters

Pacheco disse que a coleção em exposição foi reunida por ele dentro de um projeto de pesquisa. "O aspecto muito triste é que essa é a única coleção que restou de todo o acervo do Museu Nacional. Todo material foi destruído, todo nosso acervo. Quarenta mil peças de todos os povos indígenas do Brasil, peças de mais de cem anos, recolhidas por viajantes no tempo do Brasil Império, peças mais recentes, material do Brasil, África e Oceania. Material arqueológico muito precioso também foi perdido", destacou.

Segundo o professor, algumas peças que não vieram para Brasília ficaram guardadas num galpão anexo ao museu. "Essas peças também se salvaram", disse. No início da semana passada, já havia sido anunciado que parte do acervo de etnologia havia sido salvo devido à sua descentralização e digitalização.

Entre as partes salvas do acervo de cultura indígena por terem sido digitalizadas estão documentos do etnólogo alemão Curt Nimuendajú sobre as lendas e as línguas dos povos amazônicos, como também gravações do antropólogo Edgar Roquette-Pinto, de acordo com Carlos Fausto, pesquisador do Museu Nacional .

China começa inspeção nacional de seus museus após incêndio no Brasil

Após o fogo que destruiu a maior parte do acervo de 20 milhões de peças do Museu Nacional, as autoridades de patrimônio cultural da China anunciaram que farão inspeções dos sistemas de combate a incêndios em todos os museus do país, a fim de reduzir riscos e evitar desastres como o ocorrido há uma semana no Rio de Janeiro.

A campanha vai se centrar principalmente nos museus mais visitados e nos que se considera que têm sistemas de prevenção mais obsoleta, destacou uma circular da Administração Nacional de Patrimônio Cultural da China.

No documento, as autoridades recomendam especialmente a revisão das saídas de incêndios, dos sistemas elétricos em mal estado e do uso ilegal de eletrodomésticos e outros aparelhos, como também a contratação de pessoal especializado para organizar as medidas de prevenção.

Depois do incêndio, também a Biblioteca Nacional, que se localiza no Rio de Janeiro, afirmou que vai abrir uma nova licitação para concluir a renovação de seu sistema elétrico.

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