Em entrevista, Boulos não especifica quando liberaria volta às aulas em SP

Candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo participou de entrevista realizada pelo Estadão em parceria com o movimento Todos pela Educação

28 out 2020
17h24
atualizado às 20h05
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O candidato a prefeito de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) disse nesta quarta-feira, 28, que, caso seja eleito, só autorizará a reabertura das escolas da capital quando houver segurança, sem especificar datas ou dar estimativas para esse retorno. O candidato participou de entrevista realizada pelo Estadão em parceria com o movimento Todos pela Educação.

A entrevista, com foco nas propostas dos candidatos em relação à Educação, contou com a apresentação da presidente do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, e a participação dos repórteres Renata Cafardo e Bruno Ribeiro. Retorno presencial das escolas, orçamento e gestão de creches foram os assuntos mais abordados.

"Havendo as condições sanitárias, serei o primeiro a defender a volta às aulas", disse Boulos. Indagado sobre quais seriam essas condições sanitárias, ele afirmou que essa avaliação depende de um comitê de especialistas em saúde. "Não sou infectologista. Quem tem de dizer são os especialistas", afirmou. "Quando eles disserem que é possível, é essa orientação que eu vou seguir. Não posso dizer se isso vai acontecer em janeiro, fevereiro ou março."

O candidato também criticou o ensino remoto oferecido pelo prefeito e candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB). Para Boulos, a baixa qualidade da educação em casa vai levar a um "passivo" no retorno, que ele pretende contornar com mutirões de reforço nas escolas, caso seja eleito. "A prefeitura poderia ter buscado outras alternativas de apoio aos pais do ponto de vista dos cuidados. Mas a solução não é jogar as crianças em escola com risco de contaminação e lavar as mãos."

Creches conveniadas e CEUs

Boulos também afirmou que não pretende desativar creches conveniadas que funcionem bem. O plano de governo do candidato indica a intenção de usar apenas recursos públicos para a educação, mas as creches próprias da Prefeitura podem custar até três vezes mais do que as conveniadas.

"Defendemos fazer um processo de transição (das creches conveniadas para a administração direta) para fortalecer a gestão direta", disse Boulos. "As creches por gestão direta frequentemente têm espaço mais adequado", completou o candidato, destacando que algumas unidades conveniadas foram alvo de desvio de verbas.

Em relação à alimentação escolar, Boulos propõe oferecer alimentos orgânicos aos estudantes em todas as escolas municipais em parceria com pequenos produtores. E, embora não cite em seu plano de governo, disse que pretende ampliar a rede de Centros Educacionais Unificados (CEUs), melhorar a estrutura dos que já existem e criar centros de oportunidade, análogos aos CEUs, com aulas como idiomas, empreendedorismo e música. "Queremos uma rede espraiada em todas as regiões, priorizando bairros com mais vulnerabilidade social."

Currículo

O candidato criticou o currículo colocado em prática nas escolas que, segundo ele, é defasado e preparado para inserir crianças e jovens "em um mercado que não existe mais". Para Boulos, há aspectos da Base Nacional Comum Curricular (documento homologado pelo Ministério da Educação que indica os objetivos de aprendizagem para todos os anos do ensino infantil e do fundamental) que não são aplicados nas escolas e é preciso dar ênfase ao combate ao preconceito.

Orçamento

Indagado sobre a suficiência dos recursos para colocar em prática as ações na área de Educação, o candidato do PSOL disse que todas as suas propostas "têm fonte orçamentária e param em pé". Ele disse que há R$ 17 bilhões no caixa da Prefeitura "parados, que poderiam ser utilizados para investimento na cidade".

Boulos também disse contar com os recursos do novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), principal mecanismo de financiamento do setor no Brasil, aprovado no Congresso Nacional este ano. Além disso, Boulos afirmou ainda que pretende resgatar de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões da dívida ativa de grandes empresas em quatro anos.

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Estadão
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