Cuidado com saúde vira o pré-requisito

Volta às aulas presenciais inclui diversas medidas de precaução contra a contaminação por covid-19 e um plano de ação em caso de contágio

18 out 2020
05h10
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Após quase sete meses de escolas fechadas, todo cuidado parece pouco na reabertura: número de estudantes reduzido, distância obrigatória entre quem estiver presente, máscaras usadas o tempo todo, rigor na limpeza dos espaços e na lavagem das mãos. Ninguém pode dizer com certeza quanto tempo essas precauções vão permanecer no espaço escolar. Mas, de algumas formas, a pandemia deve alterar definitivamente o jeito de as instituições de ensino lidarem com questões de saúde daqui para a frente.

O Colégio Miguel de Cervantes reabriu as portas com uma novidade antes impensável para uma escola: salas de isolamento. São espaços na enfermaria destinada a estudantes e funcionários que apresentem sintomas de covid-19 enquanto estiverem na instituição. "Antes da pandemia, tínhamos começado uma reforma na escola. Aproveitamos para ampliar a enfermaria, que agora tem duas salas de isolamento", conta a diretora-geral da instituição, Lourdes Ballesteros. Assegurar um espaço para isolamento, trabalhando com a comunidade escolar para evitar estigmas, está entre as recomendações do Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para a retomada das aulas presenciais mais informações nesta página.

A escola tem uma parceria com o Hospital Albert Einstein, que pode ser renovada indefinidamente. De março até setembro, o colégio recebeu 300 crianças, filhos de funcionários do hospital, que não puderam parar de trabalhar durante a pandemia. "Acolhemos os filhos dos trabalhadores e isso nos serviu de aprendizado", relata a diretora. No momento, é o hospital que ajuda no esforço de orientar os estudantes e as famílias do Cervantes sobre os novos protocolos escolares. "Temos três pilares: limpeza, distanciamento e uso de máscara. Fazemos ainda a conscientização de que todo mundo tem de preencher um check-list de sintomas antes de entrar."

Participação

A mudança na escolas para garantir a saúde depende muito mais de uma equipe engajada do que de equipamentos e produtos, acredita Vitor Pugliese, coordenador de relações institucionais do grupo Saea, mantenedor dos colégios Agostiniano Mendel e São José, além de quatro creches gratuitas. Ele cita, por exemplo, que todos os profissionais que lidam com a primeira infância tiveram de aprender novos protocolos para trocar fraldas de forma segura.

A comunicação dos protocolos a todos os públicos se tornou, portanto, uma das principais armas para manter a saúde. Para as crianças que estudam na rede, as regras foram transformadas em historinha de um gibi. "O protocolo começa na casa dos estudantes, com o check-list de saúde diário. Portanto, todos têm de saber o que está sendo feito na escola, entender o porquê. Isso deve promover uma mudança de cultura. Depois que estivermos de volta no nosso dia a dia escolar, coisas como a forma de higienizar as mãos devem se manter, e evitar até outras doenças", diz.

As medidas apresentadas pelas instituições de ensino têm se mostrado muito semelhantes, avalia Gustavo Laranja, gestor do Colégio Augusto Laranja. "As ações básicas não são segredo", diz ele. Assim, envolver as famílias tem sido um dos cuidados da instituição para que a prevenção seja mais efetiva. "A escola tem um papel didático também na relação com os pais. Eles devem saber que tipo de materiais mandar, devem respeitar seus horários para evitar aglomeração. A ideia é que entendam qual é seu papel no espaço coletivo, para que o modelo proposto funcione", diz o gestor.

Separação

Além de incorporar máscaras, álcool em gel e termômetros na rotina, nos próximos meses as escolas devem dividir alunos e equipe em subgrupos - muitas vezes chamados de "bolhas" - para exercer um controle exato de quem entrou em contato com quem. Se alguém for diagnosticado com covid-19, é possível rastrear rapidamente todos os que estiveram próximos. Na prática, significa que alguns espaços de uso coletivo, como laboratórios, ateliês e salas de música, podem ser temporariamente desativados - ou passar por limpeza rigorosa cada vez que receber um subgrupo diferente.

Neste momento, ninguém sabe ao certo o quanto as limitações de circulação vão durar. "Só mesmo com a vacina para a gente ter uma segurança um pouco maior. Até lá, sempre que recebemos famílias interessadas na escola, passamos por uma fase na entrevista só falando da saúde física e emocional", afirma Laranja.

Para Anarita Buffe, diretora de desenvolvimento de projetos do Einstein, é importante que ações de prevenção se mantenham de forma definitiva. "Ainda que tenha sido decretado o fim da pandemia, será que a gente vai voltar como a gente era? Tem cuidados básicos relativos a higiene, a oferecer espaços adequados, que são simples. Espero que a gente, como sociedade, não esqueça."

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Estadão
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