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Programas capacitam jovens minorizados para mercado de trabalho

Parceria entre entidades e empresas privadas ajudam a capacitar grupos mais vulneráveis e a fazer a ponte com as vagas; saiba como se inscrever nos programas Cósmicas e Vocação LIT

21 mai 2021 10h10
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As desigualdades sociais que perpassam por problemáticas de gênero, classe, raça e acessibilidade estão sendo cada vez mais discutidas no mercado de trabalho. Não apenas com relação a diversidade e inclusão de grupos minorizados, mas também na capacitação dessas pessoas. Com isso, estão abertas inscrições tanto do projeto Cósmicas - Programa de Lideranças Femininas Makro, concebido pelo Instituto Tomie Ohtake com patrocínio do Makro Atacadista, quanto da plataforma Vocação LIT, com cursos da Saint Paul Escola de Negócios e apoio da Vocação, organização da sociedade civil que atua para fortalecer as capacidades de crianças, jovens e suas comunidades.

Com mil vagas abertas, o Cósmicas foi desenvolvido com foco em mulheres jovens (de 14 a 21 anos), que sejam prioritariamente negras, indígenas, trans e com deficiência, que residam nas periferias da capital paulista e de outras 18 cidades do estado de São Paulo. As inscrições podem ser feitas no site, até o dia 5 de junho.

"Esses programas têm um papel fundamental, principalmente quando falamos das mais jovens. Primeiro porque mostrar que estar na liderança é um lugar para todos. Não é uma coisa inatingível, principalmente quando damos acesso a oportunidades. Participar desses programas dão a possibilidade de troca de experiências", diz Jandaraci Araujo, cofundadora do Conselheira 101, conselheira do CIEE São Paulo e uma das 30 mulheres inspiradoras que serão responsáveis por ministrar atividades no programa.

Além de Jandaraci, também estarão presentes nomes como Adriana Barbosa, da Feira Preta, Macaé Evaristo, vereadora em Belo Horizonte, Priscila Gama, presidente do Instituto Das Pretas, e Danielle Rainha, CHRO do Makro Group.

"Não é empoderar, é despertar o protagonismo. Todo mundo tem poder. O que a gente faz é despertar o protagonismo individual, fortalecendo o poder das redes e que as pessoas podem ter um papel de liderança independente de onde elas estejam (bairro onde vivem, empresas e outros)", ressalta Jandaraci.

Jandaraci Araujo é conselheira do CIEE São Paulo e faz parte das 30 mulheres inspiradoras que vão ministrar atividades no Cósmica. 
Jandaraci Araujo é conselheira do CIEE São Paulo e faz parte das 30 mulheres inspiradoras que vão ministrar atividades no Cósmica.
Foto: Divulgação / Estadão

São 16 semanas de atividades, totalizando 112 horas com conteúdos diversos, como aulas online, encontros com lideranças femininas inspiradoras e experiências virtuais ligadas a temas como artes, cultura, direitos humanos, ancestralidade, gênero, raça e acessibilidade. O principal objetivo é criar espaços de aprendizagem, desenvolvimento de autonomia e articulação de redes.

Como o programa ocorrerá de forma remota, a plataforma online para a interação das participantes com os conteúdos e o pacote de dados de internet serão disponibilizados pelo Cósmicas.

Para Jandaraci, o preconceito ainda é uma questão a ser enfrentada no Brasil. "A gente ainda tem muito o que batalhar para falar de equidade de gênero no País, principalmente quando falamos de intersecções. Mulheres negras são minorizadas nos espaços de poder, mesmo sendo 27% da população. E aí eu volto para um dado que foi divulgado no ano passado de que mulheres negras chegam a ganhar 160% a menos que homens brancos. Estou falando além de um tabu, mas um preconceito. A sociedade não avança."

Capacitação de jovens em 2 anos

Outra parceria que busca capacitar jovens de baixa renda é formada pelo LIT, plataforma de cursos da Saint Paul Escola de Negócios, e a Vocação, organização da sociedade civil que atua para fortalecer as capacidades de crianças, jovens e suas comunidades. Em um primeiro momento, mil vagas serão abertas, sendo que metade é dedicada ao público atendido pela entidade e as demais são para o público geral. A expectativa é atender 13 mil alunos ao longo de dois anos de projeto, com idades entre 18 e 24 anos.

Serão oferecidos cursos livres gratuitos em diversas áreas, desde assuntos mais técnicos - como contabilidade e finanças pessoais - até o desenvolvimento de soft skills, com temas voltados para gestão e liderança. "Os cursos são livres, qualquer pessoa pode fazer, e isso é importante para não criarmos restrições que, eventualmente, algum jovem tenha por não ter concluído alguma fase dos estudos", comenta José Cláudio Securato, CEO da Saint Paul Escola de Negócios e idealizador do LIT.

Ele afirma que a capacitação oferece a oportunidade de um currículo mais competitivo para o mercado de trabalho, que passa por um momento frágil devido à pandemia e contabiliza 14,2 milhões de desempregados no Brasil. Há ainda uma porcentagem de pessoas subutilizadas, ou seja, que atuam em funções que exigem menos do que a qualificação delas.

"Quando faz extrato disso para o jovem, tem problema grave que é: ele não tem emprego porque não tem experiência e não tem experiência porque não tem emprego. O foco da parceria é democratizar a aprendizagem de qualidade, conseguir fazer a educação chegar a eles. Pelo menos um início para ter mais projeção no mercado de trabalho", diz Securato.

Dessa forma, a edtech (startup de educação) ainda não atua para fazer a ponte direta desse jovem com o mercado de trabalho, mas a união entre a empresa e a Vocação vai na linha de complementar o trabalho de ambas. Enquanto uma oferece a capacitação, a outra segue com o trabalho que já é realizado de formação pessoal, profissional e o programa de jovem aprendiz.

Os cursos podem ser acessados por qualquer jovem e, inicialmente, é necessário ter acesso à internet para baixar os conteúdos e realizar algumas atividades. Mas, com os materiais em mãos, é possível estudar de modo offline. As inscrições estão abertas por meio deste link e, a partir da validação pela Vocação, o estudante terá acesso a todos os cursos durante três meses.

O idealizador do LIT destaca a possibilidade de personalização do aprendizado na plataforma. "A gente usa uma inteligência artificial que atua em duas esferas: uma para ajudar a identificar o que o aluno já sabe sobre o curso que escolheu e outra que tem a ver com a personalidade de cada um, porque cada pessoa aprende de um jeito diferente", explica. Assim, o estudante pode focar mais nos conteúdos que ainda desconhece e otimizar o ritmo e modo de aprendizagem, se mais com textos ou vídeos, por exemplo.

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Estadão
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