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Apesar de déficit, tecnologia gerou 122 mil novos empregos em 2021

Levantamento do Observatório da Associação Catarinense de Tecnologia com base no Caged mostra que o número de contratações foi quase quatro vezes o total do ano anterior

18 mar 2022 11h01
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A disputa por profisionais para o setor de tecnologia é intensa, uma vez que o ramo vive com a falta deles. Estudo da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), publicado em dezembro passado, projeta um déficit anual de 106 mil talentos até 2025, pois enquanto a demanda média é de 159 mil pessoas por ano, o Brasil forma 53 mil em cursos de perfil tecnológico. Apesar do cenário de urgência, o ano de 2021 foi positivo e gerou 122 mil novas vagas de emprego na área.

O dado é parte de um levantamento do Observatório da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os Estados que mais contrataram foram São Paulo (54,4 mil), Minas Gerais (12,3 mil) e Santa Catarina (10,3 mil). Apenas dois tiveram saldo negativo: Pará (-485) e Maranhão (-555).

Segundo o vice-presidente de talentos da Acate, Moacir Marafon, a pandemia aumentou a demanda por soluções digitais, seja de empresas que tiveram de se adaptar ao modelo ou de trabalhadores diversos que, no home office, intensificaram o uso de serviços online. Como consequência, cresceu a busca por profissionais capazes de inovar, dar suporte e incrementar os processos da tecnologia de informação.

"A expectativa é que a demanda por esses talentos siga em crescimento exponencial nos próximos anos", ele comenta. O número de vagas criadas em 2021 foi quase quatro vezes maior do que o registrado no ano anterior, de 31,4 mil novos postos com carteira assinada. Serviços de TI, prestação de serviços de TI, fabricação de equipamentos e produtos e telecomunicações estão entre as atividades com maior volume de contratações.

Outro indicativo é que os empregos em alta para 2022 estão justamente na área de tecnologia, de acordo com pesquisa do LinkedIn. Os cargos em engenharia de dados e cibersegurança estão no top 5 de cargos com maior potencial, aparecendo em terceiro e quarto lugar, respectivamente. No topo da lista estão recrutadores especializados em tecnologia, necessários para conduzir processos seletivos adequados às demandas das empresas.

Contra o déficit, educação e diversidade

Por causa da urgência do setor, diversas iniciativas gratuitas formam jovens e adultos em tecnologia de modo a atender em curto tempo as necessidades atuais das companhias. A Alpha Lumen, por exemplo, oferece, inclusive, um auxílio financeiro mensal para que os alunos estudem e garantam emprego ao final do curso.

Já o Instituto Proa, que forma jovens de 17 a 22 anos de baixa renda vindos de escolas públicas, atua em duas vertentes: o projeto ProProfissão, que capacita em tecnologia, linguagem de programação e estimula o desenvolvimento de habilidades comportamentais, e a Plataforma Proa, que prepara o jovem em competências como autoconhecimento, raciocínio lógico, comunicação, carreira e projeto de vida. No final de cada uma delas, os jovens ficam disponíveis para mais de 70 empresas que são parceiras ou apoiadoras da ONG e querem contratar esses talentos.

Outros casos são o projeto DEVinHouse, promovido pelo Senai e Acate, que já formou 225 novos desenvolvedores desde novembro de 2020, e o Entra21, da Blusoft, polo regional da Acate em Blumenau (SC), que já capacitou gratuitamente mais de 5 mil jovens desde 2006.

"Entendemos que a falta desses profissionais em quantidade e qualidade demandados pelo setor passou a ser um desafio a ser enfrentado de forma coletiva. Por isso, a Acate vem articulando com empresas e outros atores, criando uma série de cursos para jovens talentos e para quem deseja pivotar de profissão, migrando para a carreira da tecnologia da informação", diz Marafon.

Na hora de contratar, há empresas que fogem à regra quando o assunto é idade e apostam em profissionais maduros e experientes - na área de tecnologia ou não - que estão em busca de oportunidades. Eles também são alvo de cursos de formação em tecnologia para atender demandas específicas de empresas parceiras.

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Estadão
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