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Djokovic aguarda decisão sobre permanência na Austrália detido em hotel

15 jan 2022 10h47
| atualizado às 16h35
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Tenista nº1 do mundo teve visto cancelado pela segunda vez após tentar entrar na Austrália sem estar vacinado contra a covid-19. Audiência neste domingo decidirá se ele poderá ficar no país e jogar o Aberto da Austrália.O destino do tenista sérvio Novak Djokovic, número 1 do mundo, será selado menos de 24 horas antes do começo do Aberto da Austrália, na segunda-feira.

Tenista já venceu nove vezes o Aberto da Austrália
Tenista já venceu nove vezes o Aberto da Austrália
Foto: DW / Deutsche Welle

Ele aguarda detido em um hotel de Melbourne, na Austrália, uma audiência neste domingo (16/01), que decidirá se o tenista poderá ou não seguir no país ou se será deportado. Se isso ocorrer, ele ficará três anos sem poder pisar na Austrália e, portanto, sem jogar a competição a qual já ganhou nove vezes.

O tenista de 34 anos só pode sair do hotel para conversar com seus advogados e para participar da audiência.

A saga da estadia de Djokovic na Austrália já dura 10 dias, com uma nova reviravolta nesta sexta-feira, quando seu visto foi cancelado pela segunda vez, apesar de um tribunal anular o primeiro cancelamento.

"Hoje eu exerci meu poder de cancelar o visto do senhor Novak Djokovic por motivos de saúde e ordem, com base no interesse público", disse o ministro australiano da Imigração, Alex Hawke Hawke, em comunicado.

Poucas horas depois, a equipe jurídica de Djokovic solicitou uma liminar para que ele pudesse permanecer na Austrália e buscar o décimo título do Aberto.

A Austrália tem uma política que não permite o ingresso de quem não é cidadão australiano ou não mora no país e que não esteja totalmente vacinado contra a covid-19. Isenções médicas - como a que Djokovic argumentou ter apresentado - são aceitas, mas o governo australiano disse que o tenista não forneceu justificativa adequada para tal isenção.

Djokovic anunciou publicamente que não se vacinou. Ele, portanto, queria entrar na Austrália com uma permissão especial, justificando que teve a covid-19 em dezembro, o que permitiria sua entrada no país. No entanto, há inconsistências em seu exame positivo que pode, inclusive,ter sido manipulado, de acordo com o revista alemã Der Spiegel.

Além disso, ele mentiu no formulário de entrada na Austrália, fato pelo qual culpou seu agente.

Maioria é contra permanência de Djokovic

A maioria dos cidadãos australianos ouvidos pela mídia local é contra a permanência do tenista no país. Muitos afirmam, ainda, que ele já deveria, inclusive, ter sido mandado embora há muito tempo, criticando a demora do ministro da Imigração em agir.

"O governo não fez nada e um problema se transformou em crise. É uma vergonha internacional para a Austrália", disse o líder da oposição Anthony Albanese.

Em sua defesa, Hawke disse que não queria cometer nenhum erro e verificou todos os fatos cuidadosamente.

Os advogados de Djokovic argumentam que a decisão é "irracional" e que o tenista serve de "bode expiatório" para todas as pessoas não vacinadas.

Agitação civil e mau exemplo

Em documentos pedindo sua deportação, as autoridades australianas argumentaram que a presença de Djokovic no país "pode fomentar o sentimento antivacinação". Para Hawke, a presença do tenista na Austrália poderia incitar "agitação civil" e encorajar outros a evitar a imunização contra covid-19.

Hawke admitiu que Djokovic significava um "risco insignificante para aqueles ao seu redor". No entanto, ele é visto por alguns como "um talismã de uma comunidade de sentimento antivacina".

De acordo com Hawke, a postura de se negar a se vacinar, de mentir no formulário e até mesmo de participar de eventos após ter afirmando testar positivo contra covid-19 pode incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo.

Reações na Sérvia

O tratamento de Djokovic provocou reações ferozes na Sérvia, país natal do tenista e onde ele é visto como herói nacional.

Nas redes sociais, o presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić, falou em "assédio" e "caça às bruxas política" visando "o melhor tenista do mundo". O Ministério das Relações Exteriores da Sérvia afirmou que Djokovic foi "atraído para a Austrália para ser humilhado".

Entenda o caso

Djokovic chegou a Melbourne em 5 de janeiro para disputar o Aberto da Austrália. Cético da vacinação, ele viajou sem apresentar comprovante de imunização, amparado apenas por uma isenção médica que havia sido concedida pelos organizadores do torneio e autoridades estaduais de Melbourne. O governo federal, responsável pelas fronteiras internacionais e pelos vistos, não participou do processo de isenção. Para obter sua isenção, Djokovic argumentara que havia tido covid-19 em 16 dezembro e que havia se recuperado.

O anúncio da isenção, feito pelo próprio atleta em suas redes sociais, imediatamente provocou críticas na Austrália, onde mais de 90% das pessoas com mais de 16 anos receberam duas doses de vacina contra a covid-19. Melbourne também teve o lockdown mais longo do mundo para conter o coronavírus, e recentemente um surto da nova variante ômicron levou os números de casos a níveis recordes.

Antes mesmo de Djokovic desembarcar em Melbourne, as autoridades federais do país avisaram que ele precisaria justificar essa isenção, ou seria colocado "no próximo avião para casa". Após o desembarque, o tenista teve sua entrada no país recusada e ficou retido no aeroporto de Melbourne sob a alegação de não ter mostrado "evidências adequadas para atender aos requisitos de entrada no país".

Depois de permanecer oito horas no aeroporto e ter seu visto cancelado, Djokovic foi colocado em um hotel especial da imigração australiana.

Na última segunda-feira, Djokovic ganhou tempo ao conseguir reverter o cancelamento do visto nos tribunais. O juiz do caso entendeu que o governo australiano não respeitou um prazo concedido inicialmente a Djokovic para que o tenista apresentasse sua defesa.

No entanto, mesmo perdendo a disputa judicial, o governo australiano avisou que ainda tinha poder para cancelar o visto de Djokovic por meio de uma medida executiva. Foi o que finalmente aconteceu nesta sexta-feira.

le (ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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