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O que as operações Lava Jato, Carne Fraca e Zelotes tem a ensinar sobre a gestão de negócios?

21 mar 2017
11h31
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O Conceito de República, do latim res pública ou "coisa pública", é uma estrutura política de Estado que é frequentemente adotado como sinônimo de administração do bem público ou dos interesses públicos visando o melhor interesse comum.

Foto: DINO

Em uma República, a forma de interação entre as empresas, e não apenas os indivíduos, e o Estado requer um claro entendimento de parte a parte sobre o papel de um e de outro. Especialmente, quando percebemos que diversos grupos econômicos possuem faturamento superior ao PIB de vários países.

Nesse ambiente, governança, transparência e uma inequívoca percepção sobre conflito de interesse são elementos vitais para balizar e orientar tais interações.

Por alguma razão, o Brasil incorporou a chamada Lei de Gerson não apenas nas relações entre pessoas, mas também na gestão de negócios e - portanto - nas relações entre empresas e o Estado.

Para quem não se recorda, a expressão tem origem em uma propaganda do ano de 1976, estrelada por Gérson, jogador da Seleção Brasileira de Futebol, para o cigarro Vila Rica. A célebre fase é: "... gosto de levar vantagem em tudo, certo? leve vantagem você também, leve Vila Rica!".
Muito provavelmente o grande prejuízo de tal "lei" esteja em seu presumido e implícito complemento "... mas alguém estará levando desvantagem".

Em qualquer lugar do mundo, obter vantagem sem prejudicar outras partes, é competitividade. Levar vantagem, de maneira não transparente e / ou ocasionando desvantagem a outrem, é algo bem diferente.

Maquiavel, em "O Príncipe" já nos ensinava que " não há nada mais difícil de manejar, mais perigoso de conduzir ou mais incerto de suceder do que levar adiante a introdução de uma nova ordem de coisas, pois a inovação tem por inimigos todos os que se deram bem nas condições antigas, e por defensores frágeis todos aqueles que talvez possam se dar bem nas novas".

O Brasil ainda possui muitos inimigos da Compliance, inimigos da Governança, da Transparência, afinal, temos diversas organizações e - por conseguinte - executivos e empresários que se deram bem nas condições antigas.

Ocorre que a tecnologia e a sociedade mudaram. E isso é irreversível!

Independentemente dos desdobramentos jurídicos das chamadas Operações Lava Jato, Carne Fraca e Zelotes, um grande ensinamento precisa ser imediata e definitivamente incorporado à gestão dos negócios em nosso País.

O grande ensinamento é perceber que o "jeito de fazer negócios" antigo, que foi bem sucedido até ontem, seguramente não o será daqui para frente.

Mesmo sem nenhum tipo de juízo antecipado de valor, alguém tem dúvida sobre os significativos impactos econômicos e de imagem que as "operações" Lava Jato, Carne Fraca e Zelotes trouxeram às empresas envolvidas?
Vamos esperar que estes impactos sejam ainda maiores antes de mudar o nosso "jeito de fazer negócios"?
O trem da história está passando e muitas organizações estão com grandes dificuldades de perceber que necessitam urgentemente embarcar nele. Do contrário, o seu "jeito de fazer negócios" vai reduzi-las a pó.

Cada dia mais, a perpetuidade dos negócios é fortemente impactada pelos eventuais passivos que vão se formando ao longo do tempo. Esses passivos vão se iniciando, quase sempre, em atitudes de complacência diante de situações que - à primeira e míope vista - estariam trazendo algum benefício de curto prazo à organização.

Complacência pertence a um antigo "jeito de fazer negócios" e traz enormes riscos. E riscos devem ser gerenciados.

O tripé cultura, comportamento e tomada de decisões na organização passa a ser chave, quando se avalia o potencial impacto reputacional e econômico que a complacência pode trazer às organizações.

Governança, transparência, uma inequívoca percepção sobre conflito de interesse e - sobretudo - zero complacência contribuem fortemente para preservar a reputação e deveriam levar as organizações a buscar soluções que permitam uma gestão destes temas de maneira sistêmica e sistemática. Essas, são características de um novo "jeito de fazer negócios".

Toda organização - independente do porte ou do segmento empresarial - precisa incorporar aos seus processos de negócio mecanismos para prevenir, controlar e combater a ocorrência de possíveis não cumprimentos que possam impactar negativamente alguma perspectiva de desempenho de seu negócio: imagem, estratégia, participação de mercado, satisfação dos clientes ou ambiental, somente para citar alguns exemplos, além dos impactos econômicos, naturalmente.

Adotar Normas Internacionais para balizar as iniciativas de Compliance e Antissuborno de uma organização produz diversos benefícios. Sob o ponto de vista externo, no âmbito global, a compreensão sobre a efetiva abrangência das abordagens adotadas por uma organização fica enormemente facilitada. Sob o ponto de vista interno, o próprio fato de as Normas ISO requererem a participação e o envolvimento desde o Conselho de Administração, além de que se busque permanente e incessantemente a melhoria contínua, são pontos igualmente bastante positivos.

A ISO - International Organization for Stantadization - vem publicando Normas que contribuem fortemente com necessidades de nível mais estratégico para as organizações, como Gestão de Riscos (ISO 31000, publicada em 2009), Gestão da Continuidade dos Negócios (ISO 22301, publicada em 2012) e - mais recentemente - Gestão da Compliance, com a publicação da ISO 19600 em 2014, Gestão Antissuborno, com a ISO 37001 publicada em 2016.

Contendo Requisitos ou Diretrizes, absolutamente todas as Normas Internacionais de Sistemas de Gestão publicadas pela ISO são perfeitamente auditáveis, e mesmo os temas cobertos por Normas contendo diretrizes podem dar origem a declarações de conformidade ou mesmo certificação.
Em "Alice no país das maravilhas", de Lewis Carroll, há um sensacional diálogo entre o Gato Cheshire e Alice, quando ela está perdida. A resposta do gato é brilhante: "para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve".

Pelo menos para as organizações que sabem para onde NÃO querem ir, parece que o caminho da Compliance e do Antissuborno seja a única opção, ainda que conte com poucos e frágeis defensores.

As que não mudarem de rumo e permanecerem com o antigo "jeito de fazer negócios" tem encontro marcado com o insucesso. É só uma questão te tempo.

Por qual caminho você e sua empresa pretendem trilhar?

* Por Rogério Campos Meira

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra

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