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O agronegócio tanto produz quanto consome energia, mas é um forte aliado nas matrizes limpas, como os biocombustíveis

Veja quanta energia é consumida pelo setor e saiba como ele tem contribuído com a produção de energia e biocombustíveis no Brasil e no mundo

6 nov 2018
15h47
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De acordo com o Relatório Energy, Agriculture and Climate Change, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), os alimentos gerados pela cadeia agrícola consomem em torno de 30% da demanda mundial por energia. Com o contínuo crescimento populacional, a demanda por alimentação também se mantém crescente.

Foto: Unsplash / DINO

Até 2050, quando, segundo a ONU, a população mundial será de 9,7 bilhões, precisaremos de 60% mais alimentos para sustentar a humanidade. Atualmente, os sistemas de cultivo, transporte e distribuição de produtos agrícolas dependem fortemente de combustíveis fósseis para operar. A agricultura é impactada pelas mudanças climáticas, mas também pode ter papel fundamental nas estratégias de combate ao aquecimento global, fornecendo fontes de energia renovável e soluções para diminuir o consumo de combustíveis fósseis.

Para a FAO, a mudança é possível pela melhoria no acesso à energia, uso mais eficiente e aumento das fontes renováveis na agricultura, incluindo bioenergia sustentável a partir de sistemas agroalimentares (fabricação de alimentos e bebidas). Isso pode ter o benefício duplo de fornecer energia para a agricultura, aumentando a produtividade, enquanto limita as contribuições para o impacto no clima do planeta.

Segundo o Balanço Energético Nacional, conduzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o setor agropecuário brasileiro respondeu por 4% do consumo de energia no país em 2017, apresentando demanda menor do que todos os outros grandes setores da economia - indústrias 33,3%, transportes 32,5%, setor energético 10%, residências 9,6% e serviços 4,8%.

De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia, o óleo diesel, combustível fóssil responsável por emissão de particulados e gases de efeito estufa (GEE), foi o energético mais consumido pelo setor agropecuário em 2017. Além disso, em seus processos produtivos, o custo da energia está entre os três principais itens que mais oneram o orçamento, por causa da necessidade de energia elétrica, combustível e, dependendo do setor, energia térmica.

Entre 1970 e 2016, as emissões brasileiras do setor agropecuário aumentaram 165%. Hoje, o setor agropecuário brasileiro é o terceiro maior emissor global, atrás apenas dos mesmos setores na China e Índia. Se considerarmos os últimos dez anos, as emissões aumentaram cerca de 40%, enquanto a produção agrícola aumentou cerca de 130% e a produção de carne bovina 180%. Em relação às emissões de GEEs, o Observatório do Clima informa que, em 2016, a agropecuária brasileira foi responsável por aproximadamente 22% das emissões brutas e 30% das emissões líquidas de GEE no país.

O principal componente emissor de GEE é o consumo direto e indireto de combustíveis fósseis, como nos processos de geração de eletricidade, de calor ou no setor de transporte. No setor agrícola, entretanto, as emissões decorrem prioritariamente do uso e manejo do solo, fisiologia de animais de rebanho (gases bovinos, principalmente) e também do tratamento e disposição de resíduos vegetais e animais, além do manejo de áreas nativas para sua transformação em agroecossistemas.

No longo prazo, mudanças climáticas podem comprometer de forma expressiva a atividade agrícola. A EPE aponta que, além da insegurança hídrica, a agricultura deve sofrer com o aumento das temperaturas atmosféricas, o que poderá colocar em risco a segurança alimentar da população brasileira e gerar resultados negativos na balança de pagamentos com a redução de produtos destinados à exportação.

Uma das alternativas para contornar os efeitos negativos do aquecimento global é a adoção do processo de biodigestão para a produção e refinamento do biogás para geração de biometano e energia. Neste sentido, o Brasil já leva vantagem em relação ao resto do mundo. A proporção da bioenergia (inclui etanol de cana) na matriz energética brasileira já é de 30%, enquanto nos países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) esse número é de apenas 5%. Nos países não-membros da OCDE, o percentual é de 12%. A alta participação da bioenergia no Brasil se deve, sobretudo, ao uso de etanol.

A Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás) informa que a disponibilidade de terras e a experiência acumulada no setor sucroalcooleiro permitem que a biomassa já contribua para a renovação da matriz elétrica brasileira, principalmente em função do aproveitamento do bagaço de cana.

Mas boa parte dos resíduos agropecuários ainda não é plenamente aproveitado, o que acarreta desperdício considerável em termos energéticos. O Brasil possui grande potencial para utilização do biogás como fonte energética pela ampla disponibilidade de biomassa e resíduos orgânicos, principalmente a partir de resíduos agrosilvopastoris (resultados da atividade agrícola, de manejo florestal e pasto numa mesma unidade rural). Além disso, há condições climáticas ideais para o processo de biodigestão, contexto muito superior ao de países de clima frio que se adiantam no aproveitamento energético da fonte.

Alternativas renováveis em desenvolvimento

O biogás gerado a partir da biodigestão de resíduos do setor agropecuário poderia se transformar em eletricidade ou combustível renovável, ambos itens de alto consumo do setor e que ainda tem o diesel como o energético predominante. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a partir de 2030, com a difusão e consolidação dos projetos pioneiros e estabelecimento da cadeia de serviços do biogás, o mercado encontrará condições para o seu desenvolvimento. A pesquisa indica que a eletricidade gerada será contratada, majoritariamente, por meio da compensação de energia e deve ser consumida principalmente pelos setores público e rural.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: http://bluevisionbraskem.com/inteligencia/agronegocio-tanto-produz-quanto-consome-energia-entenda



Website: http://bluevisionbraskem.com/inteligencia/agronegocio-tanto-produz-quanto-consome-energia-entenda

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