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Arte Eletrônica Indígena recebe dois artistas do Reino Unido para residência e cocriação audiovisual

9 set 2019
18h42
atualizado em 10/9/2019 às 12h38
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O programa "Arte Eletrônica Indígena" (AEI) desenvolve residências artísticas de cocriação em comunidades indígenas, e no ano de 2018 realizou dez residências em dez comunidades, um festival no Museu de Arte Moderna da Bahia em Salvador e, em junho de 2019 uma mostra de seus projetos em Londres. Contando com o patrocínio da Oi, Oi Futuro e do British Council, o AEI começa no dia 9 de setembro sua mais recente residência artística na aldeia do Cachimbo, no município de Ribeirão do Largo, próximo a Itambé, o projeto Sincronia Sonora, que vai registrar e (re)produzir paisagens sonoras em cocriação com comunidades indígenas. Parte do material será exibido em uma exposição interativa no Teatro Municipal de Ilhéus (BA), de 24 a 27 de setembro, das 09h às 21h.

Foto: Coletivo Kókir / DINO

A ONG Thydêwá idealizadora e responsável pelo AEI, convidou a dupla composta por Tom Jackson e Andreas Rauh para explorar as relações entre tecnologia, sociedade, e cultura usando métodos cocriativos de produção audiovisual. Em sua residência, a dupla pretende focar seu olhar criativo nas intersecções entre tecnologias digitais, cultura contemporânea indígena, e a experiência sonora no cotidiano de comunidades indígenas. "Estamos interessados nos aspectos sensoriais e sonoros que costumam passar desapercebidos", disse Andreas Rauh, músico que investigou formas de produção cultural independente na Inglaterra por seis anos. Ele explica que, "esses sons 'invisíveis' do ambiente nos dizem muito sobre os lugares que ocupamos, e mais ainda, quem somos nesses espaços e como nos portamos ao compartilhá-los com outras pessoas". O segundo membro da dupla é Tom Jackson, pesquisador, docente e artista multimídia na School of Media and Communication da Universidade de Leeds. Ele tem experiência profissional em design gráfico, programação de sistemas interativos e realidade virtual. O trabalho artístico de Jackson incorpora experiências sensoriais, tecnologia, e comunicação, "combino interesses em estudos neurológicos e sensoriais com tecnologias de realidade virtual", mas "mantenho uma visão crítica sobre o papel da tecnologia na sociedade, mantendo sempre em mente a importância de elementos sociais, culturais e do ambiente". O projeto da dupla se aventura na gravação de ambientes sonoros em comunidades indígenas e conta com a colaboração de voluntários das comunidades para tal, que contribuirão com suas próprias gravações. A dupla afirma que conta com a participação de voluntários, de todas as idades e gêneros porque "sem a participação de membros das comunidades o projeto perde muito do seu potencial em registrar a riqueza de sons e ambientes sonoros". Os artistas estarão sediados no Sul da Bahia, onde interagirão com os Tupinambá de Olivença e os Camacã Ymboré.

O Sul da Bahia recebe ainda a pesquisadora e curadora do AEI, Dra. Thea Pitman, também da Universidade de Leeds (Reino Unido), que vem ao Brasil para participar do Festival que incluirá as obras cocriadas por Tom, Andreas e indígenas Tupinambá e Camacã Ymboré, bem como algumas obras realizadas em 2018 resultado da primeira série de residências.

O Festival acontece no marco do "III Colóquio Internacional da Rede Latino Americana de Investigações em Práticas e Mídias da Imagem: Tecnoculturas, Alteridades e Resistências Minoritárias" e propõe pensar as relações entre tecnologia e subjetividades na cultura contemporânea. O Colóquio é organizado pela Universidade Federal do Sul da Bahia e conta com a cooperação de outras 12 Universidades do Brasil e do exterior. Além das obras expostas no saguão do Teatro Municipal de Ilhéus, a presença de indígenas e dos artistas do AEI, dois dos curadores do AEI comentam sobre o AEI no Colóquio, 27 de setembro (sexta feira), sendo Thea às 14 horas e, Sebastián Gerlic, às 16 horas. Gerlic está coordenador e documentarista do AEI, programa que além de promover as residências, as mostras e os festivais, mantém um portal aberto e interativo, onde já se acumulam mais de dez documentários de curta duração sobre as residências já realizadas.

Gerlic comenta sobre a importância desta edição do AEI: "É com muita felicidade que estamos dando continuidade, não só ao AEI como também a nossa relação de parceria com pesquisadores, artistas e instituições do Reino Unido, que há três anos vem se aprofundando. AEI está promovendo pontes entre os dois países, promovendo aprendizados e benefícios mútuos, enriquecendo uma rede de relações bilaterais".

O AEI expõe entre os dias 5 e 9 de setembro, no ARS ELECTRONICA FESTIVAL 2019, em Linz - Áustria a convite da Comunidade Europeia que outorgou uma menção honrosa STARTS PRIZE 2019 ao AEI por entender que o programa contribui não só na erradicação de preconceitos como também promove o diálogo intercultural como caminho para a cultura da Paz para todos.


SERVIÇO
Arte Eletrônica Indígena: uma exposição interativa
Teatro Municipal de Ilhéus (BA)
De 24 a 27 de setembro, das 09h às 21h.
Dia 24 e 25 visitas guiadas as obras cocriadas pelos indígenas mais a dupla britânica.
Dia 27 de setembro, às 14h e às 16h os curadores do AEI, Thea Pitman e Sebastián Gerlic comentam sobre o projeto no Colóquio.



Website: http://aei.art.br/

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra
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