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Deputados ligados a Bolsonaro pedem destituição de Waldir

Em guerra, grupo pró-Bivar protocola documento pedindo manutenção de atual líder

16 out 2019
23h29
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BRASÍLIA - Um grupo de 27 deputados do PSL decidiu destituir, na noite desta quarta-feira, 16, o líder da bancada na Câmara, Delegado Waldir (GO), substituindo-o por Eduardo Bolsonaro (SP). O pedido para a troca foi feito pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, que conversou com parlamentares do PSL e cobrou apoio para seu filho "zero três".

Eduardo afirmou que o partido está aos poucos "aprendendo a jogar o jogo político". "Inicialmente eu não queria ser líder, mas é o meu nome que tem maior convergência entre os deputados. Meu compromisso aqui é ficar até dezembro que é quando teremos eleições no partido. Minha intenção é manter o status quo", afirmou Eduardo, dando a entender que sua indicação para embaixador do Brasil em Washington será "congelada" até o fim do ano.

"Estou vindo para tentar colocar um pouco de panos quentes", insistiu o filho do presidente. "Muitos deputados foram retirados de comissões. Ocorreu uma retaliação e pareceu que se estava fazendo política com o fígado. Agora, todos os temas como a embaixada ou a viagem para a Ásia são secundários".

Nesta terça-feira, 15, Delegado Waldir orientou a bancada do PSL a votar contra uma Medida Provisória que tratava da reestruturação administrativa da Casa Civil e da Secretaria de Governo. A manobra segurou a votação por duas horas e, embora a MP tenha sido aprovada, o gesto representou uma vitória do grupo "bivarista".

Em um contraataque à destituição de Delegado Waldir, o grupo de deputados do PSL ligado ao presidente do partido, Luciano Bivar (PE), protocolou uma segunda lista na Câmara, pedindo a manutenção do atual líder no cargo. O movimento ocorreu pouco depois de Eduardo dar entrevista já como novo líder da bancada. Os bivaristas alegaram ter 32 assinaturas.

As assinaturas dos dois documentos ainda precisam ser checadas pela Casa e pelo aval do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que o ato seja consolidado. A bancada do PSL tem 53 deputados. Se o grupo bolsonarista tiver maioria, como diz, Waldir terá de entregar o posto para Eduardo.

"A decisão está tomada e foi tomada pela maioria dos deputados, em função de todo o tensionamento e dos posicionamentos do líder anterior, que contrariavam a posição do governo", afirmou o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (GO). "Estamos caminhando para paz a partir disso", disse. Mais cedo, Delegado Waldir (GO) havia dito que Bolsonaro estava pressionando parlamentares para destituí-lo da liderança da bancada. "O presidente da República está ligando para cada parlamentar e cobrando o voto no filho dele", protestou.

Estadão
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