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Debate: Presidente da Câmara fatura politicamente com aprovação da Previdência?

Analistas avaliam impacto da aprovação do texto-base da Previdência nas figuras de Rodrigo Maia e do Congresso

12 jul 2019
05h11
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SIM - Compreensível que, terminada a votação em 1.º turno da reforma da Previdência, os holofotes caíssem sobre Rodrigo Maia. O presidente da Câmara foi decisivo para que seus pares aprovassem a proposta por 379 votos, algo expressivo dada a complexidade e a impopularidade da matéria.

Maia amealhou recursos para dar passos mais ambiciosos no futuro. Um deles pode vir a ser a postulação de uma candidatura presidencial, trafegando pelo território da centro-direita com inflexões liberais e alguma pegada social.

O discurso com que Maia encerrou o primeiro dia de votação delineou esse figurino. Não faltaram nele alusões categóricas à desigualdade, aos privilégios e à injustiça do sistema previdenciário, assim como manifestações reformistas. Foi uma mensagem destinada a cortejar os parlamentares e os partidos, fixando na Câmara um polo de poder vigoroso. Ela também demarcou distância diante do Poder Executivo, enfatizando que o Parlamento seria maior e mais generoso que o governo em sentido estrito.

*Marco Aurélio Nogueira, PROFESSOR TITULAR DE TEORIA POLÍTICA DA UNESP

NÃO - O Congresso está entre as instituições com menos credibilidade no País: pesquisa de junho de 2018 mostrava que 67% dos brasileiros não confiam em nosso Parlamento. O noticiário também não ajuda. São abundantes as notícias sobre aposentadorias milionárias, gastos dos deputados, prisões, etc.

Os dois maiores escândalos nacionais tiveram deputados na linha de frente. O mensalão e a Lava Jato estão aí para tirar qualquer dúvida. Como se não bastasse, a maioria dos eleitores enxerga o ambiente parlamentar como o espaço da bagunça, do desrespeito e da ineficiência, onde cada um só busca interesses particulares.

Além disso tudo, a aprovação da reforma da Previdência não trará consequências espetaculares no curto prazo. É um avanço, não há dúvidas, mas está longe de ser um novo Plano Real ou algo do gênero. Muitos ajustes precisarão ser feitos.

*Rubens Figueiredo, CIENTISTA POLÍTICO E DIRETOR DO CEPAC - PESQUISA E COMUNICAÇÃO

Estadão
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