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YouTuber brasileiro teria sido pago por vídeos contra vacina

Segundo reportagem, Everson Zoio foi contratado por agência com sede na Rússia para produzir conteúdo questionando eficácia da vacina Pfizer

26 jul 2021 18h19
| atualizado às 18h48
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O YouTuber Everson Zoio fechou contato com a Fazze para questionar a eficácias de vacinas contra a COVID-19
O YouTuber Everson Zoio fechou contato com a Fazze para questionar a eficácias de vacinas contra a COVID-19
Foto: Reprodução/Everson Zoio / Tecnoblog

Uma agência de marketing com sede no Reino Unido e na Rússia teria pago o YouTuber brasileiro Everson Zoio para espalhar informações falsas relacionadas à taxa de mortalidade de vacinas contra a covid-19, diz uma apuração do jornalista investigativo alemão Daniel Laufer, veiculada em mídias estrangeiras, como a BBC News.

Com quase 13 milhões de inscritos na plataforma de vídeos e mais de 3 milhões de seguidores no Instagram, o influenciador teria sido contratado para divulgar uma tabela que insinuava que o imunizante da Pfizer tinha uma letalidade 3 vezes maior quando comparada à vacina da Oxford AstraZeneca.

Segundo a apuração de Daniel Laufer, o YouTuber brasileiro aceitou uma oferta de valor desconhecido feita pela agência Fazze para publicar conteúdo falso sobre a vacina da Pfizer.

Em um e-mail enviado a outro YouTuber — o francês Léo Grasset — a agência exige que o influenciador mostre ao público uma tabela de casos de morte após uso de imunizantes; Grasset deveria, então, apontar que a incidência de mortes de pessoas que tomaram a vacina da Pfizer é 3 vezes maior do que a da Oxford AstraZeneca.

Everson Zoio mostrou o mesmo material em um de seus vídeos. O conteúdo destoa do que geralmente é postado em seu canal, como pegadinhas e paródias de músicas.

O jornalista alemão confrontou Everson e o YouTuber indiano Ashkar Techy — que também aceitou a oferta da Fazze — com a informação. Eles apagaram os vídeos, e não responderam às perguntas de Laufer.

Em outro vídeo, o YouTuber brasileiro não faz críticas à Pfizer, mas sim à AstraZeneca. Ele afirma que a eficácia do imunizante é de 70%, e diz que "as outras são elevado (sic) a pelo menos a 90(%) superior"

Na verdade, a vacina da Oxford AstraZeneca oferece proteção a variante Delta do coronavírus, causa de preocupação mundial, de até 67% após as duas doses; a do imunizante da Pfizer reduz em até 88% o desenvolvimento de sintomas da doença, segundo estudo do New England Journal of Medicine.

O imunizante da AstraZenca, entretanto, é 100% eficaz ao tratar de casos graves da covid-19, segundo a Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ambos os imunizantes são suficientes para controlar a pandemia, segundo especialistas.

Em um e-mail enviado a um YouTuber francês, a agência diz que o influenciador deve mostrar uma tabela e apontar que a incidência de casos de pessoas que tomaram o imunizante da Pfizer é 3 vezes maior do que a vacina da Oxford AstraZeneca.

A tabela incluída no e-mail da Fazze compila artigos suspeitos e dados de vacinação de diversos países tirados de contexto.

Homepage da Fazze
Homepage da Fazze
Foto: Reprodução / Tecnoblog

Por exemplo, a tabela mostra o número de mortes de pessoas após tomarem a vacina da Pfizer, mas que podem ter morrido por outra causa, como um acidente de carro. Além disso, são dados extraídos de países onde a maior parte da população foi imunizada com as doses da Pfizer, portanto, é de se esperar que a taxa de óbitos seja proporcional.

Mesmo com dados errados, a Fazze ofereceu 2 mil euros para que Leo Grasset divulgasse a informação falsa. Ele expôs a oferta em sua conta no Twitter. Desde então, todos os artigos linkados no briefing da empresa foram apagados.

 

Segundo a BBC, a Fazze faz parte da Adnow, que tem sedes no Reino Unido e na Rússia. A reportagem entrou em contato com o diretor da Adnow no Reino Unido, Ewan Tolladay. Ele afirma que, à luz dos recentes escândalos envolvendo a empresa no pagamento a YouTubers para divulgarem fake news, a operação da filial britânica será encerrada.

Site da Adnow, dona da Fazze, que tem sede no Reino Unido e na Rússia
Site da Adnow, dona da Fazze, que tem sede no Reino Unido e na Rússia
Foto: Reprodução / Tecnoblog

Rússia nega envolvimento

Autoridades da França e da Alemanha — um YouTuber alemão também foi abordado pela Fazze com a proposta de espalhar desinformação — foram acionadas e devem investigar o caso. O porta-voz para assuntos internacionais do Partido Verde alemão sugeriu que a conexão da Fazze com Moscou deve ser o alvo do inquérito:

"Falar mal de vacinas no Oeste mina a confiança em nossas democracias e confere mais crédito às vacinas da Rússia. Há apenas um lado que se beneficia disso: o Kremlin."

Em comunicado, a embaixada da Rússia em Londres negou envolvimento do país com o marketing de fake news e disse que trata a pandemia de covid-19 como um "problema global e, portanto, não está interessado em minar esforços para combatê-la". Os embaixadores russos afirmam que a vacina da Pfizer é uma das formas de controlar o vírus.

Tecnoblog
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