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Witzel: Se suspender isolamentos, União deve assumir mortes

Governador do Rio prevê ainda 'caos financeiro pela letargia do governo federal em fazer o que tem que ser feito'

26 mar 2020
10h02
atualizado às 10h22
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O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), defendeu que, se o governo federal quer suspender o isolamento das pessoas em meio à pandemia de coronavírus, que o faça pelas vias oficiais - como um decreto ou uma determinação do ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) aos secretários estaduais de Saúde, por exemplo - e assuma, assim, a responsabilidade pelas mortes que serão provocadas pela doença no País. A declaração foi feita por Witzel nesta quinta-feira, 26, em entrevista à rádio CBN.

Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, observa o presidente Jair Bolsonaro 
08/05/2019
REUTERS/Ricardo Moraes
Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, observa o presidente Jair Bolsonaro 08/05/2019 REUTERS/Ricardo Moraes
Foto: Reuters

"O governo federal precisa deixar de falar e colocar no papel. Só podemos fazer e deixar de fazer alguma coisa só através de lei ou outros instrumentos", afirmou Witzel. "Assume as responsabilidades e as mortes que vierem."

Witzel queixou-se que uma ameaça real às restrições de circulação de pessoas para prevenir a disseminação do vírus é a demora do governo federal em pôr em prática as medidas de socorro a trabalhadores e a Estados e municípios. "Vamos entrar num caos financeiro pela letargia do governo federal em fazer o que tem que ser feito", disse.

"Entre a fome e o medo de morrer, a fome é maior. Como é que você vai falar pras pessoas ficarem em casa sem ter o que comer? Muitos autônomos, taxistas, pessoas que dependem do movimento de rua já estão em desespero. Eu recebo mensagens nesse sentido. Então estou realmente muito preocupado porque acredito que nós não possamos continuar com as medidas restritivas se o governo federal não tomar as providencias que cabe a ele que é organizar a economia do País", declarou Witzel à rádio.

Ontem, Witzel participou de videoconferência com os outros governadores do Sudeste e o presidente Jair Bolsonaro.

O governo estadual montará um hospital de campanha no Estádio do Maracanã, na zona norte da capital fluminense, afirmou Witzel em entrevista ao telejornal Bom Dia Rio, da Rede Globo, também na manhã desta quinta-feira. Outros três hospitais de campanha serão montados em três terrenos diferentes, afirmou o governador.

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Estadão
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