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Vacinação da terceira idade dará fôlego ao setor turístico, diz pesquisa

Hotéis e resorts, que registraram quedas recorde de ocupação na pandemia, estão entusiasmados com essa nova onda de viajantes

20 fev 2021 05h10
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Quando a pandemia do coronavírus atingiu os Estados Unidos, Jim e Cheryl Drayer, de 69 e 72 anos respectivamente, cancelaram todas as viagens que haviam planejado e se fecharam em sua casa em Dallas. Mas no início deste mês o casal recebeu a segunda dose da vacina contra a covid-19. E em março, armados com seus novos anticorpos, viajarão para Maui para suas férias atrasadas.

Em todo o país, os idosos são os primeiros da fila a receberem a vacina. E os dados de hotéis, linhas de cruzeiro e operadoras de turismo são claros: os viajantes mais idosos vêm liderando uma onda de novas reservas de viagem. Os americanos com mais de 65 anos, que tiveram acesso prioritário à inoculação, agora se sentem encorajados a viajar - ao passo que seus filhos e netos continuam a esperar pela vacina. Para os cabelos brancos esse é um aspecto positivo.

"Nós nos dispusemos voluntariamente a cumprir as regras de uso de máscaras e distanciamento social e basicamente vivemos dentro da nossa bolha aqui em Dallas", disse Jim Drayer. "Em um ano não fomos a restaurantes. Portanto estamos ansiosos para sair agora e fazer as coisas com um pouco mais de segurança."

No Foundry Hotel, em Asheville, Carolina do Norte, um hotel de luxo com 87 aposentos e que no passado foi uma siderúrgica do Biltmore Estate, as reservas com tarifas promocionais aumentaram 50% no mês passado. Aqua-Aston Hospitality, empresa de Honolulu com resorts, hotéis e condomínios informa que as reservas com tarifas especiais para pessoas mais idosas saltaram quase 60% em janeiro.

O casal Drayer, que já excursionou na África para ver gorilas e viajou para a Índia, Israel e Egito, admite que sua viagem ao Havaí, onde se hospedará no Exclusive Resorts, que só aceita membros do clube, é somente um pequeno passo. (Segundo o clube de férias, mais de 50% das reservas atuais são de membros com mais de 60 anos). "Vamos fazer um teste. Não queremos acabar numa quarentena num país estrangeiro ou não conseguir retornar aos Estados Unidos. O Havaí nos parece um local seguro e estamos em território americano", disse Cheryl.

Essa sensação de segurança se deve em parte ao fato de que o Havaí, que realiza um sério monitoramento de contatos e estabeleceu uma quarentena obrigatória, tem administrado bem o problema da pandemia.

Alice Southworth, 75 anos, também vinha buscando um destino de viagem onde as precauções contra a covid-19 são levadas a sério e ela não precisasse sair muito da sua zona de conforto. Psicóloga semiaposentada, ela continuou a atender alguns pacientes durante a pandemia, mas não se aventurou a ir muito longe da sua cidade natal, McLean, na Virgínia, em mais de um ano. Por isso, tão logo recebeu a primeira dose da vacina, reservou uma estadia no Hilton Head Health, um resort na Carolina do Sul. E quando chegar ao resort, em 28 de março, estará inoculada com as duas doses da vacina.

Pesquisa

As pessoas mais velhas estão mais ansiosas para viajar em 2021 do que grupos de outras idades, de acordo com pesquisa feita pela rede de agências de viagens Virtuoso. De acordo com a pesquisa, 83% dos entrevistados com mais de 77 anos disseram estar mais dispostos a viajar em 2021 do que estavam em 2020, e 95% do mesmo grupo disseram que só viajarão depois de serem vacinados.

Para aqueles nas faixas de 60,70 e 80 anos, disse Conor Goodwin, gerente de marketing do Charlestowne Hotels, a rapidez com que o tempo passa é um outro motivo forte para viajar tão logo uma vacina torne a viagem segura. "O pessoal com mais de 65 anos está perdendo seus anos dourados e compreensivelmente está ansioso para retornar", disse ele.

O Bristol Hotel, em Virginia, que faz parte da rede do Charlestowne, viu a receita vinda de viajantes com mais de 65 anos aumentar 179% entre 13 de dezembro e 22 de janeiro. O French Quarter Inn, em Charleston, Carolina do Sul, que também é administrado pelo Charlestowne, registrou 11% mais de reservas feitas por pessoas com mais de 65 anos entre 10 e 28 de janeiro, em comparação com 22 de dezembro a 9 de janeiro.

Alguns idosos estão até pensando em finalmente realizar sua viagem dos sonhos. Fernando Diez, que é proprietário da Quasar Expeditions, que opera cruzeiros nas Ilhas Galápagos, diz que em dezembro, quando os trabalhadores da área de saúde foram os primeiros americanos a serem vacinados, houve uma onda de pedidos de informações de viagem por parte de médicos e enfermeiros. Mas a partir de 1.º de janeiro, 70% dos interessados são pessoas com mais de 65 anos.

O setor de turismo, golpeado pela pandemia, agora vem tendo o tão necessário impulso com esse novo aumento de demanda. Hotéis e resorts, que registraram quedas recorde de ocupação durante a pandemia, estão entusiasmados com essa nova onda de viajantes, com muitos estabelecimentos introduzindo novos programas e serviços orientados para sua clientela mais idosa.

No Marker Key West Harbor Resort, em Florida Keys, as transações realizadas por clientes com mais de 55 anos foram 70% maiores do que em dezembro de 2020, o que se traduziu num aumento de gastos de 41%. Allie Singer, diretora de vendas e marketing do resort, disse que esse salto com certeza se deve aos clientes idosos recém-vacinados. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Estadão
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