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Serviços têm alta de 0,7% em abril, mas ainda estão abaixo do nível pré-pandemia

Com reabertura das atividades, setor recuperou apenas uma pequena parte das perdas de 3,1% de março; no acumulado de 12 meses, queda é de 5,4%, aponta o IBGE

11 jun 2021 09h57
| atualizado às 13h28
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RIO e SÃO PAULO - Ainda sob impacto da segunda onda da pandemia de covid-19, o volume de serviços prestados no País cresceu 0,7% em abril, após ter recuado 3,1% em março, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgados nesta sexta-feira, 11.

Embora o desempenho tenha sido melhor do que a alta mediana de 0,35% projetada por analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, o resultado ainda sinaliza fraqueza de segmentos mais afetados pela pandemia, avaliou o economista Lucas Godoi, da consultoria GO Associados.

"Essa teórica volta em abril não teve um efeito prático para aqueles setores mais afetados, que mesmo com o relaxamento das medidas da restrição não engataram um processo forte de recuperação", observou Godoi.

Apenas duas das cinco atividades registraram avanços: informação e comunicação (2,5%) e serviços prestados às famílias (9,3%), que recupera apenas uma pequena parte da queda de 28,0% registrada em março. Houve perdas nos serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,6%) e nos outros serviços (-0,9%). O segmento de transportes ficou estagnado (0,0%) em abril, após ter recuado 3,1% em março.

O setor de serviços mostra um comportamento ainda moderado, opinou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, que defende o avanço da imunização da população brasileira contra a covid-19 para que haja uma retomada mais consistente.

"A vacinação em massa é fundamental para uma recuperação mais folgada para os serviços de caráter presencial", defendeu o pesquisador do IBGE. "Boa parte dos serviços presenciais ainda sente os efeitos da pandemia e demoram mais a recuperar o patamar pré-crise", completou.

Em abril, o volume de serviços prestados no País ainda estava 1,5% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, no pré-crise sanitária. Enquanto os serviços de informação e comunicação operavam 7,4% acima do pré-pandemia e o segmento de outros serviços estava 3,4% além, os serviços profissionais e administrativos funcionavam em nível 4,5% abaixo do patamar de fevereiro de 2020. Os transportes operavam 0,1% acima do nível pré-pandemia, enquanto os serviços prestados às famílias ainda estavam 40,1% abaixo.

Para o economista Rodolfo Margato, da gestora XP Investimentos, o principal desafio para a recuperação dos serviços prestados às famílias é a melhora do trabalho informal, que ainda está atrelado à situação sanitária do País. A XP espera, no entanto, que os próximos meses não tragam novos reveses à reabertura da economia. Medidas como a retomada do auxílio emergencial e a antecipação dos benefícios previdenciários ainda devem dar fôlego ao setor, enumerou o analista.

"No primeiro semestre, apesar da piora da pandemia, do lado da atividade econômica, o tombo gerado por esse recrudescimento se mostrou menor, bem menos acentuado e profundo do que o do ano passado", observou Margato. A XP Investimentos espera crescimento de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e expansão de 5,2% no ano de 2021.

Rodrigo Lobo, pesquisador do IBGE, aponta que o mês de março foi mais afetado que abril pelos decretos com medidas restritivas para conter a disseminação do novo coronavírus.

"Os efeitos restritivos foram bem maiores em março do que em abril", disse Lobo. "Os serviços cresceram. Isso obviamente significa que a parte não afetada pela prestação presencial acabou trazendo o setor de serviços para o terreno positivo como um todo, mas mesmo a parte presencial, com restrições maiores em março do que em abril, como os restaurantes, acabou dando uma contribuição positiva", relatou.

Em relação a abril de 2020, o volume de serviços prestados teve uma alta recorde de 19,8% em abril de 2021, mas impulsionado por uma base de comparação extremamente baixa, uma vez que o setor estava bastante afetado pela crise sanitária em abril de 2020, ressaltou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.

Estadão
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