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Renault entra em acordo com sindicato e vai reintegrar os 747 funcionários demitidos

Montadora vai lançar outro PDV e espera que parte dos mais de 700 demitidos em julho aceite o programa, que vai pagar seis salários extras; greve acaba e funcionários retornam ao trabalho amanhã

10 ago 2020
19h21
atualizado em 11/8/2020 às 17h41
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Funcionários da Renault decidiram nesta tarde, em votação on line, aceitar a proposta acertada ontem entre a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. A greve que durou 21 dias foi encerrada e os trabalhadorem retomam atividades nesta quarta-feira, 12. A empresa abrirá outro Programa de Demissão Voluntária (PDV) com incentivo melhor do que o proposto anteriormente.

Os 747 demitidos há 20 dias serão reintegrados, mas a intenção da empresa é que parte deles aceite o novo PDV. Quem não aceitar terá de devolver os valores recebidos na indenização e entrará em lay-off (suspensão de contrato) até o fim do ano. Nesse período, só será convocado para voltar à fábrica em substituição a outras vagas que surgirem com a adesão de outros trabalhadores ao PDV.

Com o PDV, a Renault mantém a meta de desligar cerca de 750 do total de 7,3 mil trabalhadores da área de produção do complexo de São José dos Pinhais para adequar o efetivo à atual demanda do mercado. Em razão da crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus, a montadora deve produzir este ano 186 mil veículos, ante uma previsão no início do ano de 353 mil unidades.

Quando encerrar o período do PDV, se a empresa ainda não tiver colocação para o grupo, voltará a negociar alternativas com o sindicato. Nos próximos dias a Renault abrirá outro PDV para funcionários da área administrativa.

A proposta foi resultado de negociações entre empresa e sindicato ocorridas desde quinta-feira, dia em que a Justiça do Trabalho de Curitiba (PR), concedeu liminar em ação impetrada pelo sindicato de reintegração dos demitidos. Hoje, em julgamento de segunda instância após a empresa recorrer da decisão, a liminar foi derrubada.

"Com aprovação da proposta teremos garantia de pilares de competitividade que precisamos para o futuro da Renault do Brasil", afirma a montadora em comunicado distribuído aos funcionários. Com base no acerto, a empresa poderá negociar a produção de novos modelos no complexo com a matriz da França.

Para o presidente do sindicato, Sérgio Butka, a proposta possibilita a manutenção de empregos daqui para frente e atende as demandas da empresa. "O que importa é o trabalhador ter mais tranquilidade para desenvolver sua função e produzir melhor."

Sem reajustes

O plano de demissão voluntária receberá adesões até o dia 20 e prevê o pagamento de seis salários extras, independente do tempo de casa do funcionário. Também haverá extensão do plano de saúde para toda a família até junho de 2021 e do vale mercado até dezembro próximo. Quem aderir também receberá a primeira parcela do Programa de Participação nos Lucros (PPR) e um abono previsto para 2021.

A negociação incluiu a data-base dos metalúrgicos para os próximos quatro anos. Fica definido a suspensão de reajustes salariais neste ano e no próximo - será pago um abono de R$ 2,5 mil no período e reposição pelo INPC em 2022. O PPR deste ano deve ficar em R$ 13,9 mil, caso a produção se confirme em 186 mil veículos. Se nos três anos seguintes os volumes a serem definidos serão pagos, respectivamente, R$ 27 mil, R$ 27,5 mil e R$ 28 mil. Novas contratações terão salários 20% inferiores aos atuais.

Caso a aprovação da proposta por 95% dos funcionários, segundo o sindicato, os funcionários retornam ao trabalho amanhã. Os dias parados serão descontados gradualmente, um dia por mês. A greve foi decretada no mesmo dia em que a Renault anunciou as demissões após várias reuniões com o sindicato em que não houve acordo para o PDV apresentado na ocasião (que oferecia entre 1,5 e 4 salários extras de acordo com o tempo de casa).

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