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Queiroga ironiza Doria por vacinar crianças: "Palanque"

Para o ministro da Saúde, o governador de São Paulo estaria explorando eleitoralmente as vacinas compradas pelo Governo Federal

17 jan 2022 08h31
| atualizado às 14h30
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O governador de SP João Doria e o ministro da Saúde Marcelo Queiroga
O governador de SP João Doria e o ministro da Saúde Marcelo Queiroga
Foto: Fotos: Marcos Corrêa/PR | Isac Nóbrega/PR

O ministro Marcelo Queiroga, da Saúde, acusou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de "fazer palanque" com o início da vacinação infantil contra a covid. Na última sexta-feira, 14, um garoto indígena de 8 anos foi a primeira criança imunizada contra a doença no Estado governado pelo tucano e também no País.

Queiroga ironizou o fato de Doria, pré-candidato do PSDB à Presidência, ter apresentado resultados tímidos nas pesquisas de intenção de voto para o cargo. O tucano aposta na vacinação como um de seus principais ativos políticos para a disputa deste ano. Uma das primeiras vacinas autorizadas para uso no Brasil, a Coronavac, foi produzida no País pelo Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo.

"O político João Doria subestima a população. Está com as vacinas do governo federal e do povo brasileiro em mãos fazendo palanque. Acha que isso vai tirá-lo dos 3%", escreveu o ministro em uma rede social.

Desde o início da imunização no País, a gestão federal disputa com os Estados, em especial com São Paulo, o mérito da aquisição de vacinas contra a covid. Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse diversas vezes que o Brasil não compraria a vacina que, à época, ele mesmo atribuía ao governador João Doria. Contudo, o governo federal mudou o discurso diante da aceitação dos imunizantes pela população.

Após quase dois anos de pandemia e um ano de vacinação, personagens que tiveram destaque na crise sanitária tentam usar o tema como vitrine para conquistar votos, como mostrou o Estadão. Um exemplo é a enfermeira Mônica Calazans, a primeira pessoa vacinada no Brasil, que se filiou ao MDB e deve se candidatar a deputada federal. Doria, por sua vez, tem buscado divulgar a alcunha de "pai da vacina".

"As vacinas pediátricas chegaram ao Brasil em tempo recorde! Logo após autorização da agência reguladora a farmacêutica começou a produzir as doses e garantiu que esse era o melhor cronograma possível", completou Queiroga.

A autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para vacinar crianças, porém, foi seguida de um embate público entre o presidente Bolsonaro e o órgão regulador. O chefe do Executivo mostrou-se contrário à imunização desse público e chegou a fazer ameaças aos servidores do órgão. A gestão federal foi criticada por atrasar o início da vacinação, autorizada pela agência em 16 de dezembro, e por lançar uma consulta pública sobre o tema.

O atraso da vacinação infantil foi lembrado nos comentários da publicação de Queiroga. Usuários destacaram que o Executivo federal foi o primeiro a politizar o assunto, lembrando das ameaças de Bolsonaro à Anvisa. Sem citar o ministro, Doria fez uma publicação celebrando um ano do início da vacinação no País nesta segunda-feira, 17. Na postagem, ele aparece ao lado de Calazans e sublinhou que "a verdade da ciência derrotou as mentiras do negacionismo".

Estadão
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