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'Prévia' do PIB do BC tem alta de 2,15% em julho e indica recuperação gradual

Resultado veio abaixo do esperado pelo mercado, mas, segundo analistas, isso foi reflexo da revisão dos números do índice nos meses anteriores

14 set 2020
09h50
atualizado às 11h11
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BRASÍLIA - O nível de atividade da economia brasileira cresceu pelo terceiro mês seguido em julho, segundo números divulgados nesta segunda-feira, 14, pelo Banco Central.

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), apresentou crescimento de 2,15% em julho, na comparação com o mês anterior. O número foi calculado após ajuste sazonal, uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes.

O resultado, porém, ficou abaixo do esperado pelos analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que projetavam alta de 3,30%.

Mas, segundo Carlos Pedroso, economista-chefe do Banco MUFG Brasil, o número abaixo do previsto se deu pela revisão do dado de junho: o Banco Central revisou o crescimento naquele mês 4,89% para 5,32%. O dado de maio também foi revisado, de alta de 1,59% para 1,86%. Sem as mudanças, o número de julho seria de 3,54%, diz.

"As revisões do BC reforçam a questão de não mudarmos a nossa projeção para o Produto Interno Bruto (PIB), porque esperávamos alta de 3,0% ante uma base um pouco menor", resume Pedroso. Ele manteve estimativa de alta de 6,0% no PIB do terceiro trimestre em relação ao segundo.

Pedroso explica que a continuidade do processo de flexibilização das medidas de distanciamento social deve sustentar uma retomada nessa intensidade. "Estamos chegando ao fim de setembro sem retrocesso na reabertura, e isso vai acabar favorecendo principalmente o setor de serviços", afirma.

De acordo com o economista, a tendência é de continuidade de uma recuperação gradual, com melhora progressiva no setor de serviços. Para o quarto trimestre, com a queda do valor do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300 mensais, além de uma base de comparação menos depreciada, Pedroso espera crescimento de 3,50% no PIB. Em 2020, a economia deve ceder 5,60%, segundo o analista.

Para os economistas João Maurício Lemos Rosal e Homero Guizzo, da Guide Investimentos, o crescimento do IBC-Br de julho deixou o indicador 6,5% abaixo do nível de fevereiro. Com o resultado, seriam necessários quatro meses consecutivos com crescimentos marginais de 2,0% para que o índice retornasse ao nível pré-pandemia, calculam

"Essas ponderações deveriam ser feitas antes de chegar à conclusão de que estamos testemunhando uma recuperação em 'V' sustentável. O caminho de volta à atividade pré-covid é uma subida pedregosa, íngreme que logo vai enfrentar a redução dos pagamentos do auxílio emergencial", escrevem os analistas em relatório.

Reflexos da Covid-19

Os resultados do IBC-Br, neste ano, refletem os efeitos da pandemia de covid-19, sentidos com maior intensidade na economia em março e abril. De maio em diante, os números mostram o início de uma reação.

Com o crescimento, o indicador atingiu 130,85 pontos em julho, mas ainda permaneceu abaixo do patamar de antes da pandemia do novo coronavírus, em fevereiro (140 pontos).

No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, de acordo com a instituição, o índice de atividade econômica registrou uma redução de 5,77% - sem ajuste sazonal. Em 12 meses até julho de 2020, os números do BC indicam uma queda de 2,90% na prévia do PIB - também sem ajuste sazonal.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB registrou queda histórica de 9,7% no 2º trimestre, na comparação com os 3 primeiros meses do ano, devido ao impacto da crise do coronavírus.

PIB x IBC-Br

Os resultados do IBC-Br são considerados uma "prévia do PIB". Porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do Produto Interno Bruto.

O cálculo dos dois é um pouco diferente - o indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.

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