PUBLICIDADE

PIB: Brasil terá mais um ano difícil pela frente; leia análise de Sergio Vale

'Mais um ano de governo disfuncional trará dificuldades para estabilizar as expectativas e trazer rapidamente a inflação para baixo e acelerar investimentos', escreve o economista-chefe da MB Associados

3 dez 2021 02h02
ver comentários
Publicidade

Depois de duas quedas seguidas de PIB no segundo e terceiro trimestres e com uma inflação acima de 10%, parece incontornável dizermos que o País passa por um processo de estagflação.

É verdade que a situação não é tão severa como se viu nas últimas duas crises mais profundas, de 2015/2016 e do ano passado. Mas passa a ideia de que em um momento de saída relativa da pandemia, em que a atividade era para estar reagindo com mais vigor como vemos no resto do mundo, o contrário está acontecendo por aqui.

A nova variante do coronavírus pode trazer adicionalmente preocupação na retomada do primeiro trimestre, mas o que vimos acontecer ao longo do segundo semestre, quando a vacinação estava acelerada, é o efeito conjunto de uma economia com inflação elevada e sem capacidade de usar estímulos de curto prazo. Para conter a inflação, os juros têm que subir e a política fiscal entrou em tal desgaste com a quebra do teto que aumentar gasto tem o efeito negativo e não positivo na economia pela piora nas expectativas.

Estamos de certa forma atados, sem condições efetivas de retomar crescimento no curto prazo enquanto não houver uma mudança política no país. Mais um ano de governo disfuncional como temos trará dificuldades para conseguirmos estabilizar as expectativas e trazer rapidamente a inflação para baixo e acelerar investimentos. Não adianta o governo sinalizar vultosas concessões para 2022 se o resto da economia segue sofrendo os impactos de uma estabilidade macro que tem sido afetada.

Se é verdade que essa sensação de paralisia permanece enquanto não houver mudança política, a estagnação que agora vemos continuará ano que vem. O crescimento do PIB não deverá ser muito diferente de zero, e por trás disso está, além das dificuldades da economia, o cerne da questão: uma política altamente ineficiente em conseguir estimular corretamente a economia. Pelo contrário, o tom do governo, no geral, é claramente eleitoral, tendo abdicado de governar como seria necessário. Infelizmente, será mais um ano difícil.

* Economista-chefe da MB Associados

Estadão
Publicidade
Publicidade