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Perguntas e respostas: o que se sabe sobre a vacinação contra covid-19 para adolescentes

Ministério da Saúde retirou da lista de imunização grupo de pessoas de 12 a 17 anos sem comorbidades

16 set 2021 21h49
| atualizado às 21h57
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O Ministério da Saúde retirou adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades da lista de grupos cuja vacinação contra a covid-19 é recomendada. Em transmissão nas redes sociais, o ministro Marcelo Queiroga confirmou que o presidente Jair Bolsonaro pediu a reavaliação. A decisão da pasta foi criticada por especialistas e pelos Conselhos Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) e Nacional de Secretários de Saúde (Conass). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve a liberação do imunizante da Pfizer para essa faixa etária.

O Estadão compilou o que já se sabe sobre a nova decisão do Ministério da Saúde e com as respostas sobre o tema.

Qual é a nova orientação do Ministério da Saúde?

A pasta tirou adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades da lista de grupos cuja vacinação contra a covid-19 é recomendada. Assim, a orientação é vacinar só os adolescentes com comorbidades ou privados de liberdade.

Como fica a situação de quem já tomou a 1ª dose?

O ministério diz que adolescentes sem comorbidades que tomaram a 1.ª dose, por ora, não devem voltar para a 2.ª aplicação. Já aqueles com comorbidade devem concluir o esquema vacinal.

Além do Brasil, quais países estão vacinando adolescentes com o imunizante da Pfizer?

Estados Unidos, Chile, Canadá, França e Israel.

Quantos adolescentes já foram vacinados no Brasil?

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde mostram que 3.538.528 pessoas de 12 a 17 anos já foram imunizadas contra a covid-19. O número tende a ser ainda maior porque há uma demora entre a aplicação da vacina e o registro no sistema. Em São Paulo, por exemplo, a vacinação de adolescentes começou no dia 18 de agosto. De lá para cá, foram imunizadas 2,4 milhões de pessoas, 72% do público, informou o Estado.

O que diz a Anvisa?

Apesar de o Ministério da Saúde ter recomendado a suspensão da aplicação da vacina em adolescentes sem comorbidades, o órgão regulador manteve a liberação do produto para essa faixa etária. O imunizante da Pfizer é o único aprovado para adolescentes de 12 a 17 anos no Brasil.

Estados e cidades têm seguido a nova orientação do Ministério da Saúde?

Salvador e Natal mandaram parar a imunização. Já a capital paulista informou que não vai suspender. Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Maranhão e São Paulo criticaram a decisão do ministério e seguem com a vacinação.

Foram relatados eventos adversos em jovens imunizados?

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Arnaldo Medeiros, houve 114 casos de eventos adversos nessa faixa etária. Os eventos adversos, porém, compreendem qualquer ocorrência indesejada após a vacinação, que não necessariamente tenha relação causal com o imunizante. Febre e dor de cabeça são exemplos. Medeiros citou ainda um evento adverso grave, em investigação, registrado pelo Estado de São Paulo. Uma adolescente de 16 anos teria morrido depois de ser vacinada. A ligação entre o óbito e o imunizante não está comprovada.

O que dizem os especialistas?

Especialistas em saúde criticaram a nova orientação. Para a epidemiologista Ethel Maciel, "não há justificativa técnica" para a interrupção por parte da pasta. "A única justificativa neste momento seria a prioridade da vacinação em relação ao número de vacinas disponíveis. Mas, se há vacinas disponíveis, não há nenhuma razão de segurança para que isso (a interrupção) aconteça", diz Maciel. O epidemiologista Pedro Hallal reforça que campanhas de vacinação não podem ser destinadas só a grupos de risco. "Campanha de vacinação é para atingir imunidade coletiva. Então, quanto mais gente estiver vacinada, mais a gente está protegido", diz.

Estadão
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