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'Não há espaço para mais estímulos sem contrapartidas fiscais', diz presidente do BC sobre auxílio

Roberto Campos Neto afirmou que entende a necessidade de novas medidas para enfrentar os efeitos da pandemia, mas, 'se algo for feito, tem que ser com disciplina fiscal'

9 fev 2021 14h11
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BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira, 9, que não há nenhum espaço para novas medidas fiscais sem que haja contrapartidas fiscais. Ele foi questionado sobre uma nova rodada de auxílio emergencial, pago em 2020 a desempregados, informais e beneficiários do Bolsa Família para enfrentarem os efeitos da covid-19.

"É preciso tomar ações para que a dívida não continue crescendo. A reação dos mercados nos mostra que a fragilidade fiscal pesa mais do que os eventuais benefícios de se colocar mais dinheiro na economia. Pode acabar tendo o efeito contrário, de contração da economia", afirmou, em evento virtual promovido pelo Observatory Group.

Campos Neto disse, porém, entender a necessidade de novas medidas, mas ressaltou a necessidade de contrapartidas. "Há consenso no Executivo e no Legislativo de que, se algo for feito, tem que ser com disciplina fiscal", completou.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil - 20/2/2020 / Estadão

Com o agravamento da pandemia, aumentou a pressão sobre o governo para uma nova rodada do auxílio. No ano passado, foram pagas cinco prestações de R$ 600 e quatro, de R$ 300. Agora, como mostrou o Estadão, a equipe econômica aceita uma nova rodada de R$ 200 por três meses, desde que para um público menor e atrelada a medidas de contenção de despesas. O ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a falar em atender metade dos 64 milhões de brasileiros que receberam o auxílio no ano passado.

A contrapartida fiscal, no entanto, está travando a retomada do benefício. Na segunda-feira, 8, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que não é não é possível condicionar a concessão do auxílio à entrada em vigor de medidas de ajuste fiscal porque a emergência e a urgência da situação não podem esperar.

Em entrevista à GloboNews, Pacheco disse que o cenário pode ser diferente em três ou quatro meses, com o aumento da imunização, mas agora ele é urgente. Já o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), acenou com a possibilidade de o Congresso abrir uma "excepcionalização temporária" do Orçamento para garantir uma nova rodada.

Para Campos Neto, a nova composição dos comandos da Câmara e do Senado deve dar impulso às propostas de reformas que tramitam no parlamento. "Temos agora no Congresso uma situação mais favorável para a aprovação de reformas. Isso deve reduzir um pouco os prêmios de risco e ajudar a reduzir a volatilidade no câmbio."

"Entendemos que parte dessa volatilidade está relacionada com o risco de longo prazo do País. Por isso é importante aprovar reformas que possam mitigar esse risco fiscal", enfatizou.

Mais uma vez, o presidente do BC lembrou que o Brasil não tem espaço fiscal para estimular a economia por meio de investimentos públicos. Assim, o crescimento da atividade deve vir por meio de investimentos do setor privado, que exigem credibilidade da política fiscal. "Precisamos de reformas para gerar confiança e fazer o setor privado investir. A resposta é credibilidade, credibilidade e credibilidade", completou.

Estadão
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