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Morre o bailarino e coreógrafo Ismael Ivo, vítima da covid-19, aos 66 anos

Paulistano com longa carreira internacional retornou ao País em 2017 para dirigir o Balé da Cidade; veja a repercussão da morte de Ismael Ivo

9 abr 2021
00h03 atualizado às 08h39
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O bailarino e coreógrafo Ismael Ivo morreu nesta quinta-feira, 8, aos 66 anos. O artista paulistano se notabilizou internacionalmente após atuar por mais de três décadas na Europa, tendo retornado ao Brasil para assumir, em 2017, a direção do Balé da Cidade de São Paulo. Ambicionava fomentar uma dança do futuro, como disse ao Estadão naquele ano. Ele estava internado havia um mês no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e morreu por complicações decorrentes de uma infecção por covid-19.

A jornada internacional de Ivo começou quando o coreógrafo norte-americano Alvin Ailey (1931-1989) o viu dançar em Salvador em 1983 e o chamou para ir a Nova York. No ano seguinte, o artista criou em Viena o ImPulsTanz, hoje um dos mais importantes festivais de dança contemporânea do mundo. Pouco depois, Ivo se estabeleceu na Alemanha, onde dirigiu a companhia do Teatro de Weimar. Foi ainda o diretor artístico que por mais tempo esteve à frente do setor de dança da Bienal de Veneza (2005 a 2012).

A morte do artista foi lamentada por colegas e autoridades.

A cantora Fabiana Cozza disse, no Twitter, que ver Ismael Ivo dançar foi uma das maiores emoções que sentiu assistindo a outro artista em cena.

O dramaturgo Ivam Cabral disse, também no Twitter, que ele e o coreógrafo tinham se aproximado nos últimos e idealizavam um projeto "desses que mudam o mundo". Em outro post, relembrou as origens do balilarino.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em uma publicação pelo Twitter, disse que o Brasil perdeu um dos maiores coreógrafos contemporâneos. "Ismael foi diretor da Bienal de Veneza, do Balé da Cidade, e o primeiro estrangeiro a dirigir o Teatro Nacional Alemão. Era um amigo querido. Muito triste. Minha solidariedade aos familiares", escreveu.

O secretário de Cultura do Estado, Sérgio Sá Leitão, confirmou, também pelas redes sociais, que o projeto da escola de dança idealizado por Ismael Ivo vai sair do papel.

O rapper Max B.O. também comentou a morte de Ismael Ivo.

A São Paulo Companhia de Dança destacou que carisma, representatividade e inventividade são parte do legado que Ismael deixa a todos os artistas da dança.

Já Inês Bogéa, diretora da São Paulo Companhia de Dança, escreveu que ele era amoroso e criativo.

O secretário de cultura da cidade de São Paulo, Alê Youssef, disse em nota que Ivo era "um dos grandes artistas do nosso tempo". "Teve uma carreira brilhante na arte e marcou uma gerac¸a~o da danc¸a nacional e internacional. Consagrou-se na Europa como diretor e curador na Bienal de Veneza, e na direc¸a~o da companhia de danc¸a do Teatro Nacional Alema~o", declarou.

Seu trabalho, acrescentou Youssef, se caracterizou pela antropofagia cultural: "assimilac¸a~o de refere^ncias e apresentac¸a~o de distintas formas de fazer e pensar a danc¸a, sempre com foco na comunicac¸a~o direta com o pu´blico". E lembrou o período em que Ivo foi diretor do Balé da Cidade, entre 2017 e 2020: "Ismael inovou buscando a diversidade de estilos e ampliou a visibilidade e o alcance desse maravilhoso corpo arti´stico da cidade. Meus sentimentos a` sua fami´lia, amigos, colegas de trabalho e fa~s."

Nascido na Vila Ema, zona leste da capital, em uma família humilde, Ivo afirmava em 2017 que tinha obsessão em aprender, sem medo de errar. "Às vezes, precisamos escutar o outro e discordar também. É saudável." Não temia que a nova companhia em São Paulo tivesse resistência a mudanças. Mas acreditava que, se ela ocorresse, seria natural. "Ninguém precisa ver tudo do mesmo ângulo."

Estadão
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