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Ministério atrasa envio de diluente de vacina da Pfizer

Protesto de caminhoneiros atrapalhou entrega, segundo governo da Bahia; desabastecimento trava aplicação de ao menos 300 mil doses

10 set 2021 23h05
| atualizado em 11/9/2021 às 08h26
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O Ministério da Saúde tem atrasado a entrega do diluente obrigatório para aplicação da vacina da Pfizer, reclamam secretarias estaduais de Saúde. Na Bahia e em Pernambuco, pelo menos 300 mil doses do imunizante contra a covid-19 aguardam a chegada do insumo. O governo de Mato Grosso do Sul também enfrenta o mesmo problema. Manifestações de caminhoneiros que bloqueiam rodovias em apoio ao presidente Jair Bolsonaro contribuíram para o desabastecimento.

Logo da Pfizer
11/01/2021 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa
Logo da Pfizer 11/01/2021 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa
Foto: Reuters

A vacina da Pfizer requer um diluente para ser aplicada. No País, a diluição tem sido feita com solução de cloreto de sódio 0,9% (soro fisiológico), que costuma ser distribuído junto com as vacinas. O volume é aplicado dentro do frasco em uma proporção de um frasco de diluente (1,8 ml) para um frasco de vacina, que contém seis doses, segundo especificações detalhadas pelas secretarias de saúde. Só depois dessa mistura é que o imunizante pode ser aplicado na população.

O governo de Pernambuco afirma não receber o diluente do ministério há mais de 20 dias - antes dos protestos nas estradas. O déficit do Programa Nacional de Imunização (PNI) com o Estado é de 38 mil frascos do insumo, quantidade que seria suficiente para liberar a aplicação de 228 mil doses da vacina.

O secretário estadual de Saúde, André Longo, diz que a dificuldade é recorrente e já afeta o andamento da vacinação. "O governo de Pernambuco tem feito grande esforço para garantir este insumo, a partir de empréstimos com as redes públicas e privadas, evitando atraso na proteção da população, mas essa situação não deveria ocorrer e pode, em algum momento, comprometer a campanha de vacinação", disse ele em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 9.

A Secretaria de Saúde da Bahia confirmou ao Estadão que 81,9 mil doses da Pfizer aguardam o diluente para serem liberadas no Estado. A pasta informa ter recebido do ministério o parecer de que não há previsão para regularizar a entrega. Ainda conforme o governo baiano, VTCLog, empresa de logística contratada pela Pasta, disse ao Estado que o caminhão para a entrega de diluentes está retido em São Paulo por causa das manifestações dos caminhoneiros.

O secretário de Saúde do Mato Grosso do Sul, Geraldo Resende, quer avançar na vacinação de adolescentes e reduzir o intervalo entre as doses da vacina da Pfizer de oito semanas para 21 dias. O produto desta marca é o único liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em menores de 18 anos.

No entanto, ele disse ao Estadão que a falta de diluentes é um gargalo: o produto já começa a faltar no Estado. A incerteza no recebimento de novas doses é outro gargalo, uma vez que o Ministério da Saúde constantemente reduz as previsões de entrega, o que prejudica o planejamento da campanha. O Mato Grosso do Sul é o Estado com maior cobertura vacinal, com 48,1% da população com duas doses.

No Rio, uma remessa de 98 mil doses de Pfizer foi entregue na noite de quarta-feira, 8. Já o diluente chegou ao Estado apenas na manhã de quinta-feira, 9. A imunização dessa faixa etária na capital fluminense tem sofrido interrupções por causa da oscilação na entrega de doses.

O Ministério da Saúde informou que, nos próximos dias, "serão entregues 824,9 mil frascos de diluentes ao Estado da Bahia e 531,3 mil frascos ao estado de Pernambuco". "O quantitativo é suficiente para aplicação das doses da Pfizer enviadas aos dois Estados", apontou a pasta. Em nota, a VTCLog disse que "quem é responsável pela gestão das vacinas é o Ministério da Saúde". "A VTC apenas executa, de acordo com critérios de segurança e contrato vigente."

Falta de AstraZeneca surpreende paulistanos em postos de saúde

Metade das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade de São Paulo estavam sem vacina da AstraZeneca para aplicação da segunda dose nesta quinta-feira, 9. No total, 240 dos 468 postos ficaram sem essas doses, segundo informações do secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido. O estoque do município erade cerca de 37 mil doses, o que não era suficiente para abastecer todas as unidades.

A Secretaria Estadual de Saúde afirma que o ministério deveria ter enviado cerca de um milhão de doses até o dia 4 de setembro para suprir a demanda por segunda dose, mas não mandou. "O não envio destas doses descumpre uma obrigação do Ministério da Saúde das vacinas necessárias à imunização complementar das pessoas que já tomaram a primeira dose", diz trecho da nota.

Já o Ministério da Saúde diz que antecipou ao Estado o envio de 315,5 mil de doses de AstraZeneca no dia 1º de setembro. Segundo a órgão, as doses estavam previstas para serem entregues até 30 de setembro e são destinadas a segunda dose. "A Pasta reforça que não garantirá doses para estados e municípios que adotarem esquemas vacinais diferentes do que foi definido por representantes da União, estados e municípios no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO)", diz a nota enviada pelo ministério.

Estados estão vendo um risco de desabastecimento de vacinas da AstraZeneca para as próximas semanas. O receio ocorre diante de um cenário em que a demanda pelas doses produzidas no Brasil pela Fiocruz seguirá em alta, e deve se intensificar ainda mais com o plano de encurtar o intervalo entre as aplicações, de 12 para oito semanas. Trinta e dois milhões de pessoas começam a retornar para a 2ª dose da AstraZeneca a partir de setembro até novembro.

Estadão
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