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Linhas emergenciais e desvalorização do câmbio aumentam o endividamento das empresas

Pequenos e médios negócios tomaram 72% dos créditos oferecidos pelo governo federal no contexto da pandemia, para cobrir as necessidades imediatas de caixa

29 jul 2021 17h01
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BRASÍLIA - O aumento do endividamento das empresas leva em conta uma enxurrada de recursos disponíveis - com linhas emergenciais criadas pelo governo para o enfrentamento da covid-19 e também o momento favorável no mercado de capitais - e o efeito da desvalorização cambial.

As companhias conseguiram captar R$ 420,5 bilhões em 12 meses até março, uma alta de 28,3% na comparação com o acumulado de 2020. Desse total, mais de três quartos foram na forma de dívida, o que fez com que o endividamento subisse para 61,7% do PIB, patamar recorde. Os dados são de levantamento feito pelo Centro de Estudos de Mercado de Capitais da Fipe (Cemec-Fipe).

"Esse dinheiro veio da captação de recursos com custo financeiro baixo e boas condições de renegociação, graças a programas emergenciais de crédito lançados pelo governo com os bancos na crise", diz o coordenador do Cemec-Fipe, Carlos Antonio Rocca.

De acordo com ele, as empresas pegaram muito dinheiro via crédito bancário ao longo do ano passado para cobrir necessidades imediatas de caixa, mas também aproveitaram para fazer uma poupança diante das incertezas da pandemia. "Mais uma vez, o impacto da crise foi muito diferenciado. Mais de 100 mil empresas fecharam, enquanto outras conseguiram atravessar a crise com grande disponibilidade de recursos."

Pequenas e médias empresas foram as que mais recorreram ao crédito das linhas emergenciais do governo, segundo o levantamento. Do total de R$ 272 bilhões de crédito bancário contratado em 12 meses até março, 72% ficaram com as companhias de menor porte. Entre as linhas que foram oferecidas como ajuda no combate aos efeitos econômicos da pandemia, estão o Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac), do BNDES, e o Programa Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Pronampe), que foi renovado para este ano, após pressão dos setores, mas com condições menos vantajosas.

Rocca explica, no entanto, que o principal fator responsável pelo salto no endividamento foi a desvalorização do real em relação ao dólar. Quando considerado em reais, o valor dos empréstimos intercompanhia no mercado internacional passou de 13,6% do PIB, ao fim de 2019, para 18,9% do PIB em março deste ano. A taxa de câmbio, que era de cerca de R$ 4 em dezembro de 2019, chegou a bater na casa de R$ 5,70 no fim de março de 2021.

"Essa dívida em dólares pouco variou, quase nada, o grande degrau foi a taxa de câmbio. Mas não se trata de um grande problema, já que os empréstimos intercompanhia com matrizes ou subsidiárias no exterior têm flexibilidades e condições de pagamentos melhores do que as de um crédito bancário ou de uma colocação de títulos no exterior."

Estadão
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