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Flávio Dino busca contraponto a Bolsonaro em plano de recuperação econômica pós-pandemia

Governador do Maranhão, apontado como possível candidato à Presidência em 2022, lança programa no Estado com viés desenvolvimentista e homenageia economista Celso Furtado

21 ago 2020 18h57
| atualizado às 19h06
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Apontado como possível candidato à Presidência em 2022, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), lançou nesta semana um programa de recuperação econômica pós-pandemia do coronavírus com viés desenvolvimentista com o objetivo de fazer um contraponto à política econômica liberal do governo Jair Bolsonaro. "Na verdade é o contraponto à ausência", disse Dino. "A gente olha para a cara do Bolsonaro e do (Paulo) Guedes e é só depressão."

Flávio Dino, governador do Maranhão
Flávio Dino, governador do Maranhão
Foto: Gilson Teixeira/ Divulgação / Estadão

O programa prevê investimento imediato de R$ 558 milhões em obras e compras públicas, além de medidas fiscais como anistias, parcelamento e descontos em multas e juros de créditos tributários. O objetivo é criar 63 mil empregos até o final do ano, mesmo número de vagas abertas no Maranhão entre agosto e dezembro de 2019.

O pacote vem carregado de simbolismo. Não por acaso, Dino batizou de Programa Emergencial de Empregos Celso Furtado (1920-2004) em homenagem ao economista paraibano que criou a Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), ajudou a construir as bases do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, foi ministro do Planejamento de João Goulart e é uma das principais referências para os desenvolvimentistas brasileiros. "Escolhi homenagear Celso Furtado porque é um nordestino que este ano faria 100 anos e também por causa da bandeira do desenvolvimentismo", disse Dino.

Entre as ações previstas estão a antecipação de obras previstas para o ano que vem como construção de hospitais e escolas, abertura e reparo de rodovias, implantação de parques ambientais e programas de combate a incêndios, compra de produtos agrícolas e financiamento de máquinas e insumos, entre outras ações.

A maior parte do dinheiro, segundo ele, vai sair do próprio tesouro estadual. "Há um espaço fiscal que você consegue juntando recursos aqui e ali. Bolsonaro deveria estar fazendo alguma coisa, mas para isso é preciso de eficiência gerencial. Acontece que este governo não tem um número um", disse o governador.

De acordo com ele, embora o Maranhão já tivesse uma previsão de queda de arrecadação em relação a 2019 antes mesmo da pandemia, o pacote não vai colocar em risco as finanças estaduais. "Não estou advogando descontrole fiscal, não tenho uma máquina de imprimir dinheiro, mas tem que ter um pouquinho de ousadia", disse ele.

Estadão
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