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EUA liberam 50 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas para conter alta da gasolina

Volume é o maior já liberado pelo país desde que as reservas foram criadas nos anos 70; Reino Unido, China, Japão, Índia e Coreia do Sul também concordaram em liberar estoques

23 nov 2021 17h02
| atualizado às 19h07
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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira, 23, que vai liberar 50 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, o que representa o maior volume já liberado desde que o estoque emergencial foi estabelecido nos anos 1970.

O objetivo do governo americano é resolver o descompasso entre oferta e demanda do óleo mineral e, assim, reduzir os preços no mercado internacional. A medida, informada por meio de um comunicado da Casa Branca, é realizada em conjunto com outros países consumidores de petróleo, como China, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e Índia.

A Índia confirmou que vai liberar 5 milhões de barris de sua reserva. Já o Reino Unido afirmou que o volume liberado será de 1,5 milhão de barris. Os demais países não indicaram a extensão da medida.

Na nota, a Casa Branca diz que os consumidores americanos estão sentindo o impacto dos preços elevados da gasolina nas bombas porque, em meio à retomada econômica, o fornecimento de petróleo não acompanhou a demanda.

Recentemente, os preços do petróleo Brent, negociado em Londres, e do WTI, comercializado em Nova York, chegaram a ultrapassar a marca de US$ 80 por barril. Esse movimento ocorreu em meio à alta da demanda, com o fim de boa parte das restrições de mobilidade impostas para conter a pandemia de covid-19, e à retomada lenta da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), grupo que reúne grandes produtores como Arábia Saudita, Iraque, Irã, Emirados Árabes Unidos, Venezuela e Nigéria, entre outros.

Desde que os esforços dos EUA para reduzir os preços se tornaram mais evidentes, contudo, o barril caiu abaixo de US$ 80.

Histórico

Os Estados Unidos têm as maiores reservas estratégicas de petróleo do mundo, com capacidade de armazenar até 714 milhões de barris. Até setembro, os reservatórios tinham um estoque de 621,3 milhões de barris, o que equivale ao volume de petróleo consumido em todo o país durante um mês, de acordo com os níveis de 2019.

Criadas nos anos 1970, durante a crise internacional do petróleo, as reservas costumam ser usadas em casos excepcionais, como durante guerras ou após desastres naturais. Nos últimos 30 anos, os estoques foram liberados, por exemplo, durante a Guerra do Golfo (1990 e 1991), após o furacão Katrina (2005) e durante os protestos na Líbia em 2011 em meio à Primavera Árabe.

O anúncio da Casa Branca desta terça-feira representa o maior volume já liberado desde que as reservas estratégicas foram estabelecidas. Até então, a maior operação de vendas das reservas havia sido em 2011, durante a Primavera Árabe. Em 2000, o país também havia usado 30 milhões de barris das reservas em uma operação de troca, para elevar os níveis de estoques das refinarias.

Liberação

De acordo com a Casa Branca, a liberação do óleo mineral no mercado vai ocorrer de duas maneiras. Primeiro, 32 milhões de barris serão liberados nos próximos meses em uma espécie de "troca", ou seja, esse volume eventualmente retornará à reserva estratégica.

"A troca é uma ferramenta compatível com o ambiente econômico específico de hoje, onde os mercados esperam que os preços futuros do petróleo sejam mais baixos do que são hoje, e ajuda a fornecer alívio imediato aos americanos e a fazer uma ponte para esse período de preços mais baixos esperados do petróleo", diz o documento.

Além disso, 18 milhões de barris serão liberados por meio da venda de petróleo autorizada recentemente pelo Congresso americano. "O presidente está pronto para tomar medidas adicionais, se necessário, e está preparado para usar toda a sua autoridade, trabalhando em coordenação com o resto do mundo para manter o abastecimento adequado enquanto saímos da pandemia."

Já a Índia diz acreditar que os preços dos hidrocarbonetos "devem ser razoáveis, responsáveis e determinados pelas forças do mercado". O país afirma que tem demonstrado várias vezes preocupação com a oferta de petróleo sendo "artificialmente ajustada abaixo dos níveis da demanda por países produtores", o que leva a preços mais altos e a "consequências negativas".

O país diz também que está atento aos preços interno de petróleo e diesel, tendo ajustado tarifas no setor para conter pressões inflacionárias. A nota qualifica essas reduções de tarifas como "passos difíceis" e com impacto fiscal "elevado" para o governo, mas argumenta que elas são tomadas para aliviar o quadro para a população.

Mercado

O anúncio da liberação dos estoques, no entanto, não foi o suficiente para reduzir os preços do petróleo nesta terça. Analistas avaliaram que a decisão dos Estados Unidos, na verdade, terá efeito limitado nas cotações. Para o Criag Erlam, analista da Oanda, o volume anunciado "não superou expectativas, então o mercado já estava posicionado".

O barril do petróleo WTI para janeiro encerrou o dia com ganho de 2,28% a US$ 78,50. Já o petróleo tipo Brent para igual mês subiu 3,27% a US$ 82,31 por barril.

Após o anúncio dos EUA, o secretário-geral da Opep, Mohammed Barkindo, reafirmou o compromisso do cartel com a garantia de um mercado "estável e equilibrado" para produtores e consumidores e que garanta apoio à recuperação da economia global. A declaração foi feita em videoconferência do Conselho da Comissão Econômica da Opep nesta terça-feira, segundo publicação no Twitter do grupo.

Barkindo estimulou os líderes mundiais a tomarem medidas para lidar com os gargalos nas cadeias produtivas, com objetivo de "otimizar" o comércio e sustentar uma retomada mais "holística" da atividade econômica.

O secretário reconheceu que incertezas ainda ameaçam a economia, entre eles restrições à circulação de pessoas por conta da covid-19, particularmente na Europa. Mas, para ele, um superávit no mercado de petróleo poderia se materializar entre o primeiro e o segundo semestre de 2022. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Estadão
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