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Em ato de ruralistas, Bolsonaro diz que Lula vencerá em 2022 'pela fraude' e defende voto impresso

Presidente participou de manifestação realizada em Brasília; em outras cidades, grupos conservadores realizaram Marcha da Família Cristã com Deus e Pela Liberdade

15 mai 2021 19h38
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BRASÍLIA, SÃO PAULO, CURITIBA, BELO HORIZONTE, SALVADOR, RECIFE, SOROCABA - Após divulgação de pesquisa eleitoral que aponta vitória por 55% a 32% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o atual presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, o mandatário afirmou que seu potencial oponente ganharia as eleições mediante fraude nas urnas eletrônicas. A declaração - acompanhada de uma defesa do voto impresso - foi dada neste sábado, dia 15, durante protesto pró-Bolsonaro realizado em Brasília por setores do agronegócio. Em outras cidades, grupos conservadores realizaram um ato chamado Marcha da Família Cristã com Deus e Pela Liberdade, também em apoio ao atual presidente.

Na Esplanada dos Ministérios, Bolsonaro chamou Lula de "canalha" e "bandido de nove dedos" e insinuou que existe um conluio entre ele e o Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ex-presidente petista ganhe as eleições presidenciais de 2022. A pesquisa Datafolha divulgada na última quarta-feira, indicou que, caso a eleição fosse agora, Bolsonaro perderia no segundo turno tanto para Lula quanto para o pedetista Ciro Gomes. O presidente empataria contra o governador de São Paulo, João Doria.

"Queremos eleições em 2022 onde o voto possa ser auditado. Se tiraram da cadeia o maior canalha da história do Brasil, se para esse canalha foi dado o direito de concorrer, o que me parece é que se não tivermos o voto auditável, esse canalha, pela fraude, ganha as eleições do ano que vem. Não podemos admitir um sistema eleitoral que é passível de fraude", afirmou.

É a terceira vez em dois dias que Bolsonaro fala sobre a possibilidade de ser sucedido por Lula. O ex-presidente voltou a ficar elegível depois que o STF anulou condenações sofridas pelo petista em processos da Operação Lava Jato.

Bolsonaro foi ao protesto acompanhado dos ministros Tarcísio Gomes Freitas (Infraestrutura), Gilson Machado (Turismo), Tereza Cristina (Agricultura e Pecuária), Walter Braga Netto (Defesa), Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública) e Ricardo Salles (Meio Ambiente). Bolsonaro e sua equipe foram de cavalo à Esplanada. Ele não usou máscara no evento.

Em seu discurso, o presidente disse ainda que o Brasil poderá ter "infinitas ondas" de contaminações por coronavírus e criticou governadores pela adoção de medidas de isolamento social - providências defendidas por infectologistas para evitar a disseminação do vírus. A crítica às medidas restritivas decretadas por autoridades locais era uma das bandeiras dos atos deste sábado.

"Já se fala em terceira onda, se vier a terceira onda, temos a quarta, quinta, sexta, infinitas ondas", afirmou o presidente. "Lamentamos as mortes por covid, bem como as demais mortes no Brasil, mas devemos enfrentar o problema. Não é ficando embaixo da cama ou em casa que vamos solucionar esse problema. Tem uma passagem bíblica que diz: 'se você for frouxo na hora da angústia, tua força é pequena", acrescentou.

Demais cidades

Apesar das convocações para o protesto deste sábado, dia internacional da família, o contingente de bolsonaristas que foram às ruas nas capitais foi menor que no ato de 1º de Maio. Em São Paulo, cerca de 200 manifestantes ocuparam a calçada em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, a partir das 14h. O ato contou com a participação de Angela Gandra, filha do jurista Ives Gandra e secretária nacional da Família do governo Bolsonaro, e Quirino Cordeiro Jr, secretário de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania. O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) também estava presente.

Voluntários recolhiam assinaturas pela criação do Aliança Pelo Brasil, o partido que Bolsonaro tenta criar desde 2019. A circulação de carros ficou livre em ambos os sentidos da avenida.

Em Curitiba, cerca de 50 apoiadores do presidente se reuniram no período da manhã no Centro Cívico, próximo às sedes do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa do Paraná. Religiosos, sobretudo conservadores, predominaram entre os manifestantes. Viaturas da Polícia Militar acompanharam o ato, que se dispersou por volta do meio-dia. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, nenhuma ocorrência foi registrada.

Em ambas as capitais foram entoadas palavras de ordem contra o senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid. A investigação do Senado tem pressionado o Planalto, já que investiga a má condução da pandemia no Brasil. Renan, como relator, pode responsabilizar integrantes do governo federal pelo alto número de mortes em decorrência do coronavírus.

Uma das maiores reivindicações dos manifestantes era o repúdio ao PL 399/2015, que eles alegam ser um projeto de legalização da maconha. Na realidade, o texto permite a comercialização de remédios que contenham extratos da planta cannabis sativa. Atualmente, pacientes que necessitam de remédios com cannabis têm que conseguir uma autorização individual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importar seus medicamentos a altos custos.

Em Belo Horizonte, a marcha reuniu algumas dezenas de manifestantes na região da praça do Papa, no centro-sul da cidade, por volta das 10h. Eles seguiram em carreata até a praça da Liberdade, tradicional ponto de encontro em atos de protesto na capital mineira. Os manifestantes portavam cartazes com os dizeres: "Prisão em Segunda Instância: para o Brasil se livrar dessa maldição política" e "Lei da Maconha: querem destruir nossas famílias".

Em Salvador, cerca de 200 manifestantes iniciaram a marcha por volta de 9h, no estacionamento do antigo Aeroclube, no bairro de Boca do Rio, de onde seguiram em carreata - por cerca de 20 km - até o Farol da Barra. Eles defenderam a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue prefeitos e governadores. Também citaram o militar Wesley Soares, morto pela polícia após 'surtar' e disparar tiros de fuzil, em março, no Farol da Barra. A marcha foi encabeçada por lideranças políticas, como o deputado estadual capitão Alden (PSL) e do vereador Alexandre Aleluia (DEM).

Em Recife, os manifestantes marcharam pela Avenida Boa Viagem, na praia de Boa Viagem, zona Sul do Recife. A maioria estava sem máscara e vestia verde e amarelo. A Polícia Militar (PM) acompanhou o protesto, que saiu da frente da padaria Boa Viagem com um trio elétrico e seguiu até o segundo jardim.

A manifestação em Sorocaba foi convocada pelas redes sociais. Vestindo verde e amarelo, os apoiadores se concentraram no Parque das Águas, na zona norte, ouviram discursos em um carro de som e seguiram em carreata pela Avenida Dom Aguirre até Votorantim, cidade vizinha, juntando-se a um grupo de apoiadores dessa cidade. Faixas lembravam que, "sem voto impresso, eleição é fraude". Em Jundiaí, os manifestantes da Marcha da Família Cristã se reuniram no bairro Anhangabaú e seguiram em carreata até o centro da cidade. Na Avenida Nove de Julho houve um buzinaço. / Colaboraram ALINE RESKALLA, ANGELO SFAIR, JOSÉ MARIA TOMAZELA, PAULA REVERBEL, PEDRO JORDÃO e TAILANE MUNIZ

Estadão
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