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Conscientização em meio à pandemia

Aumento no número de casos de covid-19 acende alerta até mesmo entre pessoas que não acreditavam nos riscos da pandemia e no potencial da vacina; confi ra relatos

22 abr 2021
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Na pandemia, o que não falta são medos. E foi uma sucessão de medos e incertezas que fez a intérprete Luana Arnhold, de 38 anos, mudar os hábitos nos últimos meses. Moradora da Zona Oeste da capital paulista, ela conta que, quando os primeiros casos de morte por covid-19 foram noticiados no Brasil, pensou se tratar de uma doença "dessas que acontecem todo ano". "Eu falava que a gente não precisava se preocupar, não iríamos ficar doentes. Quando uma amiga postou que higienizava com álcool todas as compras, eu dei risada, falei que estava exagerando. De repente, o pessoal começou a ficar doente, e passei a entender que o negócio é sério", relembra.

No processo de conscientização, além da higienização, reforçou o uso de máscaras e o distanciamento social, mas encontrou menos apoio do que esperava. Enquanto ouvia críticas por reduzir os encontros presenciais, recebeu notícias de que um grupo inteiro de amigos havia se infectado pelo vírus em decorrência de um "isolamento coletivo" em uma casa no interior. Desde então, ficou ainda mais rígida nos cuidados. "Aprender a falar 'não' é o maior desafio [...]. Você tem vontade de encontrar uma pessoa, mas ela chama outra, e mais uma, e quando você vê há dez pessoas na sua casa."

MITOS E FAKES

Um dos inimigos do combate ao vírus que ainda assombra Luana - e milhares de outros brasileiros - são as fake news espalhadas pelas redes sociais. Entre mensagens sobre tratamentos sem procedência e teorias da conspiração, ela conta que precisou até "tirar da cabeça da mãe a ideia de que implantariam um chip junto com a vacina". Ela não é a única. Uma pesquisa de fevereiro da empresa Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) mediu a aderência a esse tipo de afirmação falsa e constatou que 46% dos entrevistados concordavam com ao menos uma fake news.

Essa enxurrada de informações fez a diarista Carla Beatriz do Carmo, de 34 anos, desacreditar da vacina em um primeiro momento. "Estava rolando muita coisa dizendo que causava outros tipos de complicação, como câncer, problemas nos ossos. Isso me assustou, fiquei em cima do muro e pensei em não tomar quando chegasse minha vez." O convencimento veio com o agravamento da pandemia e o medo de que, sem o medicamento, ela venha a contrair o vírus e ficar em estado grave. "Eu acabei deixando de lado o que ouvi antes [...]. Temos que sair para trabalhar, não tem jeito, mas temos que nos prevenir e ter cautela." E completa: "É ruim ficar em casa? Sim, é péssimo. Mas se não for para trabalhar ou alguma coisa grave, fique em casa, não dá para ficar fazendo balada ou reunindo pessoas".

"MEU ERRO FOI MEU EGO"

Para a cuidadora Quéren Carvalho, 24 anos, falar sobre esses riscos é ao mesmo tempo uma dor e uma necessidade. Ela conta que minimizou os perigos iniciais de contaminação, mas em 2021 viu sua vida ser afetada após contrair duas variantes de covid-19 em um curto espaço de tempo. "Na primeira vez, os efeitos foram leves. Na segunda, causada por uma variante nova do vírus, eu tive efeitos colaterais graves, perdi parte do movimento no corpo e tive trombose na perna", conta. Precisou abandonar a rotina saudável para contar com medicamentos e apoio constante. "Eu era ativa, não fumava, não bebia, treinava. Hoje, estou de cama, preciso de ajuda para tomar banho, para andar. É complicado. [...] Meu erro foi meu ego. Achar que eu sou nova, imune, que só idosos ou pessoas com outros problemas pegam. Meu erro foi achar que era só uma gripezinha." Diante de sua condição atual, ela faz um alerta a outros jovens: "Cuide-se. Faça atividade física e evite aglomeração. Se puder, fique em casa. Se não puder, use máscara, troque de três em três horas, use álcool em gel, não toque nos olhos. Espero mesmo que as pessoas tomem consciência e deixem o ego de lado".

A vez dos vacinados

Nas filas de vacinação da capital, o medo tem dado lugar à esperança. Não é raro encontrar, nos mais de mil equipamentos de saúde da cidade, quem mostre o comprovante com orgulho. Caso de João Clementino, de 80 anos, que tomou a segunda dose na última semana. "Estava ansioso. É muito importante tomar vacina, não via a hora de tomar", contou à reportagem.

A ansiedade também marcou a espera de Maria Madalena Fogaça, de 67, pela primeira dose. "Estava com medo de que esse momento não chegasse, mas acabei de ser vacinada e foi muito tranquilo, estou me sentindo segura." Para quem ainda tem receio, ela faz um alerta: "Venham se vacinar e não deixem de tomar a segunda dose, porque é a única saída neste momento, como em todas as doenças epidêmicas. A vacina salva!".

Aplicativo integra dados e agiliza diagnóstico de covid-19 em SP

Com as constantes atualizações sobre o impacto da pandemia, não é difícil se perder entre as informações disponibilizadas na internet, especialmente para aqueles que procuram o sistema público de saúde. Pensando em combater a desinformação e, ao mesmo tempo, agilizar o atendimento aos moradores da capital, a Prefeitura de São Paulo tem reforçado o uso do aplicativo e-SaúdeSP.

Lançado em junho de 2020, o aplicativo é gratuito e destinado à triagem e à orientação dos pacientes com suspeita de covid-19. Atualmente, disponibiliza sistema de integração de dados clínicos e telemedicina com o histórico do paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital.

Após breve cadastro, é possível, por exemplo, fazer teste virtual que identifica os sintomas de covid-19 e envia para a avaliação de médicos e enfermeiros. Em seguida, o usuário recebe uma mensagem sobre a sua situação de saúde e demais orientações. Com o app, também é possível checar com facilidade os grupos e as datas de vacinação para cada faixa etária, além de receber alertas frequentes com informações atualizadas. Até o final de março, o aplicativo ultrapassou a marca de 115 mil cadastros e contabilizou mais de 440 mil acessos.

Estadão
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