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Cinco meses após abrir capital, ações da rede Petz acumulam alta de 70%

Presente em setor que mostrou resistência em relação à crise econômica trazida pela pandemia, Petz vai abrir de 30 a 40 lojas por ano para ganhar musculatura e abocanhar fatia de mercado que está concentrada nas mãos de negócios familiares

23 fev 2021
13h01
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Os animais de estimação ganharam mais brinquedos e petiscos na pandemia, fazendo com que o mercado de cuidado para pets conseguisse ficar imune ao tombo da economia em 2020, que deve ficar acima de 4% quando os números do ano forem fechados. Líder do setor, a rede Petz abriu seu capital em setembro e surfou essa resistência do setor à crise econômica trazida pela pandemia de covid-19. Desde que abriu seu capital, em setembro do ano passado, a companhia viu suas ações subirem 70% na B3, a Bolsa paulista. A empresa hoje é avaliada em R$ 8,7 bilhões.

Situada em um segmento bastante pulverizado, mesmo sendo uma empresa bilionária, a Petz atualmente tem 6% de participação de mercado, seguida de perto pela Cobasi, com 5%. O setor de produtos e serviços para animais de estimação faturou R$ 40,1 bilhões no ano passado, uma alta de 13% sobre 2019, segundo dados do Instituto Pet Brasil.

Depois de abrir o capital, a empresa tem a intenção de crescer via aquisições. Hoje, pequenos petshops e clínicas veterinárias ocupam uma participação de aproximadamente 51% do mercado. Segundo o Euromonitor, trata-se do maior domínio de pequenas empresas do setor no mundo. Na China essa fatia é de 38% e na Inglaterra, de 24%.

Com o mercado aquecido, a Petz abriu 28 lojas pelo Brasil no ano passado. Para os próximos cinco anos está em seu planejamento estratégico a inaugurar de 30 a 40 anualmente. Conforme os últimos dados da companhia, a Petz tem 136 pontos de venda em 15 Estados e no Distrito Federal. Para os próximos cinco anos, a empresa pretende fincar sua bandeira com uma loja em cada um dos 27 Estados brasileiros.

"A Petz lidera um mercado brasileiro de produtos para animais de estimação excepcionalmente fragmentado e de rápido crescimento. A empresa também é líder em tecnologia, oferecendo e-commerce integrado", afirma, em relatório, os analistas Robert E. Ford Aguilar, Melissa Byun e Vinicius Strano, do Bank of America. No documento, os profissionais recomendam aos investidores a compra da ação da varejista de animais de estimação.

Escalada

Menos de seis meses após sua abertura de capital - e com dinheiro no caixa -, o crescimento projetado não virá da simples abertura de lojas, mas também por meio da construção de centros veterinários e hospitais para pets acoplados às lojas - uma vertente do negócio batizada de Seres.

Hoje, já são 115 centros veterinários sendo que dez deles funcionam também como hospitais. A ideia é criar todo um "ecossistema" para o atendimento ao animal de estimação. Além da rede de hospitais, está no planejamento para os próximos anos o fornecimento de toda uma gama de serviços, que podem ir desde "dog walkers" (profissionais que passeiam os cães enquanto os donos estão no trabalho, por exemplo) a hotéis, passando por um serviço de veterinário a domicílio.

Dentro da criação desse ecossistema, um lançamento já testou uma novidade curiosa, que já rendeu até prêmio no Cannes Lions - Festival Internacional de Criatividade. A Petz desenvolveu um e-commerce em que o próprio animal de estimação "escolhe" o produto. As expressões do pet são capturadas pelas câmera, e a tecnologia promete medir o interesse do bicho quando ele for apresentado a algum produto, de snacks a brinquedos interativos.

O Itaú BBA apontou que o crescimento de participação do mercado da Petz decorre do ganho de mercado que antes estava nas mãos de pequenas lojas. "Em contraste com a tendência negativa registrada em muitos setores da economia durante a crise do covid-19, o mercado doméstico de pet care tem apresentado um crescimento sólido. E embora esse crescimento tenha ajudado a mitigar um pouco o fechamento de pequenos participantes da indústria (como lojas pequenas), também aumentou a participação da Petz", aponta relatório ds analistas Thiago Macruz, Helena Villares, Gabriel Simões, e Maria Clara Briza Infantozzi.

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Estadão
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