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Busca por preços menores favorece marcas próprias de supermercados na crise

Em abril, pesquisa feita em parceria com a Nielsen apontou um crescimento de 32,6% dos itens fornecidos e embalados pelos mercados

6 ago 2020
14h10
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Busca por preços menores, compras em um só lugar e foco nos produtos básicos. A pandemia do novo coronavírus mudou os hábitos de compras dos brasileiros e, consequentemente, as estratégias das empresas. Enquanto as marcas próprias dos supermercados crescem, as indústrias buscam novas estratégias para aparecer na jornada do consumidor nos estabelecimentos.

No primeiro semestre, a Nielsen informou que os setores de commodities, perecíveis frescos e alimentos cresceram 19,7%, 19,6% e 16,6%, respectivamente, em comparação com o mesmo período de 2019. Essas cestas foram as que mais avançaram no varejo ampliado brasileiro, perdendo apenas para os eletrônicos, que tiveram alta de 21,2% no período. A priorização dos itens básicos, e a busca por economia levaram os clientes a consumirem mais produtos das marcas exclusivas dos supermercados.

Em abril, o movimento já foi reportado em uma pesquisa da Nielsen, em parceria com a Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro). As commodities de marcas próprias cresceram 32,6% no mês, com relação ao mesmo período de 2019. A tendência de alta continuou nos meses seguintes da pandemia, segundo a Abmapro.

"Já tínhamos uma perspectiva de crescimento das marcas próprias no ano de 15% a 20% antes da crise. Hoje estimamos esse crescimento em 20% até o fim de 2020. Esse efeito de migração visto em abril se expandiu para outros setores além das commodities. Um dos destaques é a área de farmácia", diz a presidente da Abmapro, Neide Montesano.

Confirmando esse movimento, o GPA informou recentemente que observou aquecimento de suas marcas exclusivas de março a junho deste ano. Segundo dados da Nielsen divulgados pelo grupo, as marcas da empresa, como Qualitá e Taeq, cresceram 40% no período. "Nas crises, as marcas próprias sempre cresceram, mas, desta vez, elas estavam mais desenvolvidas. Quem faz essa migração e percebe produtos de qualidade não volta atrás depois da crise", diz Neide.

Ela lembra que, segundo estudos da associação, uma cesta básica com marcas próprias pode ser de 25% a 30% mais barata do que com marcas tradicionais. "Dependendo da rede, esse porcentual pode chegar até a 40% ou ser de apenas 15%. Varia de acordo com as estratégias", diz.

Cliente avulso

Enquanto os supermercados comemoram a mudança econômica, indústrias do ramo de alimentos e algumas redes varejistas sentiram falta da visita do consumidor em partes das lojas. "Com o consumo focado nos produtos mais básicos e idas mais rápidas ao supermercado, algumas compras por impulso deixaram de acontecer. O cliente deixou de passar por algumas sessões", diz Wagner Gutierrez, CEO da Allis, empresa especializada em varejo.

De março até julho, a Allis viu seu serviço de promotores sob demanda crescer 20%. O produto permite que as indústrias adquiram o serviço de reposição e organização de seus itens no supermercado por algumas horas. A Allis, por sua vez, contrata esses trabalhadores em formato intermitente, como permitiu a última reforma trabalhista. Nesse período de pandemia, a busca pelo serviço cresceu, pois as indústrias sentiram a necessidade de ter seus itens expostos "por onde o cliente passa".

Para isso, a plataforma permite contratar, inclusive, promotores para mercados de bairro, para serviços pontuais. Já que muitos consumidores passaram a preferir estes estabelecimentos para evitar aglomerações. "Redes varejistas também nos procuraram porque muitos funcionários foram afastados nessa época e o absenteísmo (faltas) também aumentou", diz Gutierrez. Com 70 mil chamados no primeiro semestre, o aplicativo - que existe desde setembro do ano passado - passou a ser rentável a cerca de 2 meses. A expectativa da Allis é chegar a R$ 200 milhões de receita em 2020. O app Allis on Demand deve corresponder à 5% disso.

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