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Brasileiro se adapta a 'novo normal'

Queda no faturamento pela covid faz empresários e profissionais liberais se reinventarem com serviços online e busca por outros nichos

17 jan 2021
05h10
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A loja de galeria que agora sobrevive com e-commerce, a vaquinha virtual durante a live do artista favorito e a troca do passeio no parque por uma refeição para viagem. O mundo teve de se adaptar às restrições impostas pelo novo coronavírus. O cenário é de desemprego em alta e salários em queda, mas o isolamento na pandemia também trouxe novas demandas e oportunidade de reinvenção.

A lembrança é que 2020 foi um ano de superação de desafios. E a economia ainda cambaleante, com o aumento do número de casos de covid-19 e a falta de definição sobre um plano de vacinação pode prolongar esses desafios em 2021. A seguir, algumas dessas histórias.

Teatro virtual

Em 2019, os projetos da arquiteta e cenógrafa Zula Matias, de 30 anos, estavam começando a crescer: autônoma por três anos, e já tendo se tornado um nome frequente nos créditos de shows de stand-up em São Paulo, ela costumava entregar dois ou três projetos artísticos por mês. Zula conta que 2020 tinha tudo para ser o melhor ano da sua vida profissional. Até que veio a pandemia.

Para evitar aglomerações, casas de show, teatros e cinemas tiveram de permanecer fechados durante a maior parte do ano. Na cidade de São Paulo, os cinemas só puderam reabrir em outubro. Ainda assim com capacidade limitada.

Estudo exclusivo da Arymax e da B3 Social, com o Instituto Veredas, aponta que os setores de cultura, turismo, hotéis e restaurantes estão entre os que sofreram os maiores impactos causados pela covid-19.

Juntos, os segmentos mais afetados somam 34,2% dos empregos na América Latina, de acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

"A queda na renda foi impressionante. Quanto mais projetos tenho para trabalhar, maior é a equipe contratada e a renda. Os pagamentos normalmente são feitos logo após o evento. Mas, sem eventos, me vi sem nenhuma entrada de dinheiro durante meses", conta Zula.

Apesar das dificuldades e de o trabalho sempre ter exigido uma proximidade com o contratante, ela diz que novos clientes surgiram por meio das redes sociais, encomendando cenários para canais de YouTube ou cursos online.

"Como eram projetos pequenos, acabei fazendo uma consultoria, ou seja, o próprio cliente colocou a mão na massa e eu dava as orientações, no formato 'faça você mesmo'. Financeiramente o ano passado foi o pior da minha vida, mas também foi um ano de muito aprendizado", resume Zula.

Sapato para viagem

No começo de 2020, a marca de sapatos e bolsas Cura se preparava para ganhar mercado na Europa. "O mundo tem simpatia pelos produtos brasileiros, sobretudo quando têm um selo sustentável. Mas a dificuldade para ficar conhecido em outros países, que já era grande, ficou maior com a pandemia. Conseguimos exportar até junho, mas as viagens pararam", conta a designer Raíssa Colela.

A demora na recuperação do mercado interno, após a recessão de 2015 e 2016, já tinha pesado na decisão de vender para o exterior. Até que a pandemia mudou todo o planejamento. "A marca fechou a loja na zona sul do Rio. O ponto, que fica em uma galeria, acabou. Nos concentramos no e-commerce."

Ela afirma que, apesar de as perdas do ano não terem sido totalmente compensadas, o comércio virtual da marca mais que dobrou. "Tenho recebido muitos pedidos com desconto em pré-venda. No fim, nos reinventamos em 2020."

Nova fábrica

O empresário Celso Oliveira, de 45 anos, contava com os eventos corporativos, em que instalava food trucks de alimentação, para que a empresa crescesse em 2020. "Em um evento grande, como a CCXP (evento de cultura pop, que reúne fãs de quadrinhos e séries), chegávamos a ganhar R$ 120 mil." Com as restrições impostas pela covid-19, porém, o faturamento caiu 90% no meio do ano e Oliveira precisou gastar parte das economias.

"Antes da pandemia trabalhava com quatro carros. Vendia de comida asiática a pratos regionais. Basicamente eram três funcionários em cada operação. Não conseguimos manter todos os funcionários e muitos acabaram dependendo do auxílio emergencial", diz Oliveira.

Mesmo com os eventos não tendo sido retomados, ele viu que a demanda por comida aumentou e decidiu focar na fábrica de food trucks da família, a Bumerangue. Em um primeiro momento, com apenas serviços essenciais funcionando, um nicho de negócio que cresceu foi a instalação de carrinhos ao lado de supermercados e postos de combustíveis.

"Agora, com as pessoas querendo sair de casa, alguns ambulantes, meus clientes da fábrica, tiveram aumento de 300% no faturamento. Os eventos, meu principal campo de negócios, não devem voltar tão cedo, mas acabamos nos adaptando. A dúvida é como será 2021."

Perda de renda chegou a 25%

No primeiro semestre do ano passado, os trabalhadores que não chegaram a completar o ensino médio tiveram queda de até 25% em relação aos que costumavam ganhar no mês com o trabalho, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid, do IBGE, organizados pela consultoria IDados.

Entre os que tinham ensino médio, a queda chegou a 20%, e atingiu 14% para os que tinham mais do que o ensino superior. Para calcular a perda, o IBGE perguntou quanto o trabalhador recebia habitualmente e quanto recebeu após a covid.

Veja também:

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Estadão
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