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Bancos americanos têm alta nos lucros e dão mais confiança à retomada da economia

No 3º trimestre, grandes instituições mostraram forte retomada da rentabilidade; no Brasil, temporada de balanços dos bancos será aberta no dia 27, com o Santander

15 out 2020
09h10
atualizado às 10h09
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Depois de grandes bancos dos Estados Unidos, como JP Morgan, Citi, Bank of America e Goldman Sachs, mostrarem forte retomada da rentabilidade em seus balanços do terceiro trimestre, superando inclusive todas as projeções, o mercado brasileiro volta seus olhos para a temporada local, a ser aberta pelo Santander no próximo dia 27.

Por aqui, além do impacto na qualidade dos ativos trazido pela crise da pandemia da covid-19, os bancos brasileiros sofrem pressão inédita do aumento da competição, com fintechs prontas para ganhar mais espaço às vésperas do lançamento oficial do Pix - sistema brasileiro de pagamentos instantâneos e do open banking. As ações dos chamados 'bancões' já caíram, na média, mais de 30% apenas no acumulado deste ano.

Nos Estados Unidos, as maiores instituições que já liberaram seus resultados trimestrais deixaram no mercado a esperança de uma recuperação muito próxima da economia, embora os números de casos de coronavírus por lá estejam em níveis bastante elevados e exista uma preocupação quanto a uma segunda onda no inverno que se aproxima. Mas essas instituições constituíram provisões no terceiro trimestre sensivelmente mais baixas do que no segundo trimestre, no meio do furacão de incertezas com a pandemia, apontando para uma menor preocupação com piora no cenário da covid-19.

No caso do JP Morgan, o lucro superou de longe as estimativas de mercado e alcançou US$ 9,44 bilhões de julho a setembro, até mesmo maior do que aquele visto no mesmo período de 2019. A provisão para perdas com devedores duvidosos caiu da casa de US$ 10 bilhões para US$ 600 milhões. Já o Goldman Sachs reportou um lucro líquido de US$ 3,48 bilhões, quase o dobro do ganho de US$ 1,79 bilhão apurado em igual período do ano passado. As provisões cederam de US$ 1,59 bilhão para US$ 278 milhões. A exceção ficou com o Wells Fargo, que registrou lucro de US$ 2,04 bilhões no terceiro trimestre de 2020, com queda de 55,7% na comparação com o mesmo período do ano passado, resultado que frustrou analistas.

"As ações dos bancos latino-americanos reagiram aos resultados dos bancos americanos nos últimos trimestres. Na realidade, as tendências de provisionamento nos EUA foram um bom indicador do provisionamento na América Latina. Em nossa opinião, a baixa visibilidade atualmente tem levado investidores a buscar pistas em outras regiões", segundo comentário do analista do JP Morgan, Domingos Falavina, enviado a clientes, antes da divulgação dos resultados dos bancos norte-americanos.

Apesar disso, tanto lá como aqui, investidores ainda têm dúvidas de qual será o verdadeiro impacto da crise na inadimplência, dado que os efeitos foram postergados com medidas de estímulo, no caso brasileiro o auxílio emergencial, já perto de chegar ao fim. No Brasil, os vencimentos de empréstimos, tanto de pessoas físicas como jurídicas, foram adiados com medidas lançadas para mitigar os efeitos da crise pandêmica, deixando ainda incerto de quanto a inadimplência crescerá. Um retrato mais próximo da realidade é esperado apenas para o ano que vem e o tamanho do rombo dependerá, ainda, do ritmo de recuperação da economia.

A vice-presidente e analista-sênior da Moody's Investors Service, Ceres Lisboa, defendeu em evento virtual nesta quarta-feira que o pico da inadimplência deve ocorrer no primeiro ou no segundo trimestre de 2021, mas entende que as instituições têm bastante capacidade para absorver perdas neste momento. No entanto, Lisboa ressalta que o ambiente econômico ainda instável faz com que a Moody's mantenha uma perspectiva negativa para os ratings dos bancos e que 2021 será ainda um ano de desafio para a rentabilidade dessas instituições. Em relatório recente, a Moody's lembra que os bancos brasileiros reestruturaram e renegociaram cerca de 20% das suas exposições de empréstimos e que, portanto, será fundamental para a rentabilidade ver como será a evolução da qualidade do crédito e se os bancos construíram provisões suficientes.

Em relatório, o UBS BB afirma que as medidas anunciadas para mitigar os efeitos da crise reduziram de forma artificial os níveis de inadimplência bancária, mas que parte desses programas começaram a ser maturados a partir do terceiro trimestre do ano. No entanto, os impactos ainda não deverão ser vistos nos índices de inadimplência superiores a 90 dias. Por outro lado, segundo o documento, já poderá ser vista alguma deterioração na inadimplência de mais curto prazo, especialmente em pessoas físicas.

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Estadão
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