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Avanços na vacina melhoram o astral

Tudo está sujeito a reviravoltas, mas já não estamos mais sob a dominância do desalento como antes

2 jul 2020
19h08
atualizado às 19h23
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As notícias não são mais tão desoladoras como há algumas semanas. Por mais que, diante dos sinais de melhora, os técnicos recomendem cautela e prontidão para enfrentar eventuais novas ondas do coronavírus, a percepção que prevalece no mundo é a de que a fase já é de recuperação.

A melhor notícia é que a vacina está a caminho. Ainda nesta quinta-feira, a líder de equipe para Implementação de Pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ana Maria Restrepo, informou que há 17 delas em pelo menos uma das três fases que devem percorrer antes da distribuição. A da Universidade de Oxford está mais adiantada, já entrou na terceira fase.

Não estamos ainda no campo das certezas. Se tudo der certo, uma vacina não estará disponível em grande escala antes do final do ano. Mas, ao redor do mundo, as informações parecem suficientemente otimistas para injetar certo ânimo na atividade econômica que até agora se achava prostrada.

Também nesta quinta-feira, o relatório do mercado de trabalho nos Estados Unidos, conhecido como payroll, mostrou que, em junho, houve criação de mais 4,8 milhões de postos de trabalho, quando o esperado era de apenas 3,7 milhões. Mesmo levando-se em conta o impressionante mergulho do PIB dos Estados Unidos, onde se espera queda de 35% no segundo trimestre em relação ao trimestre anterior (em termos anualizados), o progresso das vacinas tem força para mudar o astral de produtores e consumidores. E isso conta. A especialista da OMS também informou que, daqui para a frente, será improvável a necessidade de novos lockdowns (quarentenas restritas).

Tudo ainda está sujeito a recaídas e reviravoltas, mas já não estamos sob a dominância do desalento. Para enfrentar os efeitos da pandemia, os governos despejaram cerca de US$ 10 trilhões na economia mundial e os bancos centrais, outros US$ 6 trilhões. O volume de moeda que circula na economia global é tão grande, que os juros estão ou negativos ou muito baixos, o que barateia o crédito e amontoa munição para a retomada do investimento.

O comportamento das bolsas de valores, que geralmente se antecipam aos fatos, parece apontar nessa direção (veja gráfico). E, no Hemisfério Norte, comandante do ritmo da economia mundial, há o fator sazonal que pode pesar a favor. Trata-se da chegada do verão, temporada que deve favorecer a melhora geral do estado de ânimo.

Ao longo dos últimos quatro ou cinco meses, as pessoas aprenderam alguma coisa e passaram a colocar os ensinamentos em prática. Os cuidados básicos com higiene e distanciamento entre pessoas têm sido bem mais observados e o índice de mortalidade entre os infectados graves caiu aos níveis mais baixos - inclusive no Brasil. E os organismos parecem agora mais atentos para o estrago que possa vir a ser causado por doenças infecciosas. Até mesmo o Fundo Monetário Internacional (FMI) passou a levar em consideração riscos dessa ordem.

Os mais pessimistas têm preferido puxar pelos enormes problemas que advirão do inevitável processo de remoção das ruínas e do entulho produzido pelo coronavírus. Mas é preciso entender que este não é um fim de guerra, onde tudo ou quase tudo foi devastado. Apesar das quebras e do alto nível de endividamento de grande número de empresas, o patrimônio físico e a rede de infraestrutura ao redor do mundo estão intactos. É o que favorece uma recuperação, se não em forma de V, pelo menos em forma de U.

E o Brasil? As coisas por aqui estão mais devagar, porque são três crises superpostas: a da saúde, a econômica e a política. O estrago foi maior e ainda não terminou.

Há mais desempregados do que empregados; o PIB do ano deverá mergulhar entre 6% e 7%; o rombo fiscal deve ultrapassar os 10% do PIB; a dívida pública bruta passou dos 81% do PIB; a quebra esperada de empresas é enorme... Há cacos espalhados por toda a economia. Vai ser preciso consertar muita coisa. E terá de ser com o que temos - e não com as condições ideais.

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Estadão
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