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Auxílio emergencial evita crise dos supermercados e fim do benefício já preocupa o setor

Para Carrefour e GPA, ajuda sustentou o consumo das famílias na pandemia; faturamento dos atacarejos subiu 23,9% em julho deste ano na comparação com 2019

6 ago 2020
14h10
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Nos balanços do segundo trimestre de 2020, o auxílio emergencial já aparece como um dos efeitos que amenizam a crise do novo coronavírus para as empresas. Nas duas redes de supermercados e atacarejos listadas no Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, Carrefour e GPA, o benefício foi citado como um dos motivos da resiliência no consumo das famílias. Além disso, a migração de pessoas físicas para as bandeiras de atacarejo também é atribuída a esse recurso. Até quem vende cerveja creditou parte da surpresa positiva do trimestre ao auxílio.

"Não sentimos efeito da crise pelo auxílio emergencial, mas ele vai acabar", disse o vice-presidente do grupo Carrefour, Stephane Engelhard, durante live da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), um dia antes da divulgação de resultados do grupo. O diretor financeiro do grupo disse no dia seguinte ao Estadão/Broadcast que a empresa trabalha com o cenário de que essa medida deve cessar nos próximos meses. "Achamos que o auxílio emergencial vai acabar, o desemprego vai subir. Teremos crise pela frente, mas é cedo para dizer como será", diz Durchon.

No setor de bebidas, a Ambev mostrou que esse dinheiro rendeu. A empresa atribuiu a retomada de suas receitas no trimestre à sua estratégia de inovação e distribuição, mas também destacou a ajuda do auxílio emergencial do governo. "Esses benefícios foram amplificados pelo impacto positivo dos subsídios governamentais na renda disponível dos consumidores", diz a empresa, nos comentários dos seus resultados.

Para o presidente da Abras, João Sanzovo Neto, o impacto do fim do benefício será sentido rapidamente. "Estamos diretamente ligados ao poder de compra da população, e o fim do auxílio, previsto para setembro, representará uma queda importante no crédito e mais um desafio para o varejo", disse, por meio de nota à reportagem. Ele diz ainda que o País vive um momento de estímulos fiscais e monetários "sem precedentes no Brasil", e que isso reflete de forma direta no consumo das famílias.

O GPA deu mais um exemplo dos efeitos sentidos pelo auxílio em questão. O presidente do Assaí, Belmiro Gomes, disse, em teleconferência com investidores, que a bandeira de atacarejo do grupo foi beneficiada pela medida. "Com os R$ 600, ganhamos clientes que antes não podiam fazer compras de abastecimento. Isso porque elas recebiam por dia", explicou Gomes.

No geral, o faturamento do ramo de atacarejos no País teve alta de 23,9% em julho sobre o mesmo período de 2019, até o dia 29 do mês, segundo dados da GS Ciência do Consumo. Para o presidente da GS, Fernando Gibotti, a migração das pessoas físicas para os atacarejos tem a ver tanto com o sentimento de urgência e necessidade de estocagem da pandemia, quanto com a distribuição do benefício. Ele afirma, porém, que há um fenômeno recorrente em eleições municipais que pode perpetuar para além de setembro as compras maiores nos supermercados.

"As eleições municipais injetam dinheiro nas camadas mais pobres da população. São trabalhos temporários em campanhas que não geram renda para comprar um carro ou uma geladeira, mas aumentam o consumo dessas famílias no mercado ou em lojas de vestuário", diz. Ele acredita que esse movimento deve compensar a "perda de força" do auxílio emergencial a partir de setembro.

Renda Básica

Os especialistas falam em perda de força porque o governo estuda manter o benefício de alguma maneira. O Congresso Nacional lançou, no fim de julho, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Renda Básica, que busca implantar um programa de transferência de renda para mais de 120 milhões de pessoas. "A pandemia tornou mais visível a necessidade de uma reestruturação das políticas públicas e sociais no Brasil", diz Sanzovo, da Abras, sobre o assunto.

"Estamos entrando em uma recessão, com projeções de queda do PIB em mais de 5%, e a retomada do crescimento econômico deverá ser lenta e dependerá de ações menos emergenciais e mais estruturais, como a aprovação das reformas, principalmente a tributária, e organização da situação fiscal e das contas públicas, além da manutenção do controle dos juros e da inflação", complementa Sanzovo.

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