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Argentina: entra em vigor congelamento de preços; comércio alerta para possível desabastecimento

Diante da disparada da inflação, o governo argentino tabelou os preços de 1.432 produtos até janeiro de 2022

20 out 2021 12h10
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O governo da Argentina publicou no Diário Oficial desta quarta-feira, 20, uma resolução da Secretaria de Comércio Interior, a partir da qual os preços de 1.432 produtos serão congelados até 7 de janeiro de 2022. Além disso, os preços recuarão ao nível em que estavam em 1.° de outubro, explica a agência estatal Télam.

A decisão deve ser seguida por "todos os produtores, comercializadores e distribuidores" em todo o território nacional, diz o texto. A norma também define que as empresas que integram a cadeia de produção dos produtos da lista devem "aumentar sua produção até o máximo de sua capacidade instalada" e assegurar o transporte e o fornecimento durante o período de vigência da medida.

O presidente da Câmara Argentina de Comércio e Serviços, Mario Grinman, alertou para o risco de desabastecimento, com a medida oficial, segundo o jornal local Ámbito Financiero. Segundo ele, quando terminar o que as empresas já fabricaram, elas podem não produzir mais no período, caso concluam que terão prejuízo. Grinman lamentou que o país tenha voltado a recorrer a uma estratégia que, segundo ele, "nunca funcionou".

O secretário de Comércio, Roberto Feletti, rebateu no Twitter, criticando as "ameaças", dizendo-se aberto ao diálogo e às negociações, "mas não nesses termos".

Outro jornal local, Cronista, destacou que a lista de produtos tem 881 páginas, por incluir preços determinados para cada produto em cada um dos 24 distritos do país.

A Argentina enfrenta um aumento na inflação, em mais de 50% ao ano na leitura mais recente, além de um aumento na pobreza e outros problemas sociais em decorrência da pandemia de covid-19. O país negocia novo pacote de ajuda com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, a decisão sobre congelar os preços de produtos é tomada em período que inclui a eleição legislativa de 14 de novembro no país.

Estadão
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