3 eventos ao vivo

Ação da PetroRio salta quase 30% após compra de fatia de campos no pré-sal

Companhia investiu US$ 100 milhões para explorar óleo em águas ultraprofundas; para analistas, a operação permitirá à empresa reduzir custos, o que tem sido considerado crucial nesse momento do setor

19 nov 2020
23h29
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator

SÃO PAULO e RIO - A PetroRio anunciou nesta quinta-feira, 19, um acordo para comprar uma fatia de 35,7% da britânica BP no Campo de Wahoo, localizado na Bacia de Campos (RJ), e de 60% no Campo de Itaipu, na mesma bacia, por US$ 100 milhões. As aquisições, que surpreenderam o mercado, colocam a empresa, especializada na operação de campos maduros, no cobiçado pré-sal. O movimento poderá reduzir seus custos - o que fez as ações darem um salto. Os papéis fecharam o dia com alta de 29, 24%, cotados a R$ 46.

"Ao se dispor a entrar no pré-sal, a PetroRio vai a uma seara diferente de seu portfólio e que tem custo de produção muito baixo", diz Ilan Arbetman, analista de petróleo e gás da Ativa Investimentos. Segundo ele, com o mercado de petróleo em crise, com preços baixos e incerteza de demanda, a redução de custos é a "grande chave do jogo". Somente petroleiras que aumentarem a produção mantendo custos baixos conseguirão bons resultados a médio prazo.

Para atingir esse objetivo, a PetroRio pretende compartilhar a infraestrutura de produção com a do campo de Frade, que fica a 35 quilômetros de distância. Por meio de uma ligação entre os campos, a empresa conseguirá extrair petróleo de dois lugares, sem precisar ter uma infraestrutura para cada. Essa otimização deve manter os custos em níveis baixos.

O potencial de sinergias entre o ativo adquirido e o já existente é o que explica a maior parte da empolgação do mercado. "A aquisição é importante porque dilui os custos em um momento em que a extração no pré-sal está se mostrando muito rentável, o que gera aumento nas margens da empresa", diz Julia Monteiro, analista da MyCap.

Ao Estadão/Broadcast, o presidente da PetroRio, Roberto Monteiro, previu que a companhia poderá dobrar reservas e produção, reduzindo o chamado lifting cost (custo de extração), hoje em US$ 12,70 por barril. Em termos de comparação, a Petrobrás gasta US$ 4,50 para extrair um barril de petróleo. Se for levado em consideração apenas o pré-sal, o custo é ainda menor: US$ 2,50. Isso tem ajudado a estatal a gerar bilhões em caixa, mesmo com o choque de preços do petróleo e a pandemia, que reduziu a demanda.

Monteiro prevê uma produção de até 40 mil barris ao dia para a PetroRio quando o negócio for concluído. "Nos nossos ativos atuais, quando produzimos 3 mil (barris) já fazemos festa." Segundo ele, o campo de Wahoo não tem a mesma produtividade dos maiores da região, mas ajudará a reduzir custos. "Se tivermos 100% do campo, nosso lifting cost vai para perto de zero", diz. Ele está disposto a conversar com os outros dois sócios da área, a indiana IBV e a francesa Total, caso elas coloquem suas fatias à venda.

Para desenvolver o campo, a empresa deve fazer investimentos de US$ 800 milhões. Ela pode buscar esses recursos por meio de um aumento de capital, relançamento de títulos de dívida no mercado norte-americano, ou mesmo financiamento tradicional, por bancos. "Vai depender se os sócios vão ou não participar", diz.

Caso o custo do projeto se mantenha em US$ 800 milhões e a produção em 40 mil barris diários, os analistas Tasso Vasconcellos e Lucas Chaves, da Eleven Financial, calculam que a PetroRio ganharia até US$ 184 milhões com o novo campo.

Longo prazo

Os ganhos dessa aquisição, porém, devem vir apenas no longo prazo. Para Gabriel Mota, operador de renda variável da plataforma RJ Investimentos, o salto da ação tem um pouco de movimento de rebanho. "Vai demorar muito tempo até o campo efetivamente entrar em produção, então todo o operacional da PetroRio depende do que eles já têm", afirma. "O petróleo está retomando os níveis pré-pandemia, mas ainda há muita dúvida envolvendo a covid-19. Então a ação tende a oscilar bastante."

Veja também:

Nova alta de infecções faz hospitais privados abrirem mais leitos covid e reduzirem cirurgias
Estadão
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade