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Confusão na CCJ vira assunto em jantar do Lide com Maia, Alcolumbre e Doria

Base do governo não se organizou 'da melhor forma' na audiência sobre reforma da Previdência, disse Maia

5 abr 2019
07h34
atualizado às 09h10
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Durante o jantar de abertura do 18° Fórum Empresarial do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), realizado na noite dessa quinta-feira, 4, em Campos do Jordão, no interior de São Paulo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ao Estado que a base do governo não se organizou "da melhor forma" na audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que debateu a reforma da Previdência.

A reunião da CCJ, realizada na terça-feira, foi marcada por um bate-boca entre Guedes e deputados da oposição. O apíce da tensão foi o momento que o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) afirmou que o ministro era "tigrão" com uns e "tchutchuca" com outros, sugerindo que Guedes privilegia banqueiros.

"Tem muita gente jovem, muita gente começando. (A base do governo) não se organizou da melhor forma, do meu ponto de vista. Mas não adianta olhar para trás. Temos que olhar para a frente. Quando o ministro for para a Comissão Especial vamos deixar claro que queremos ouvi-lo sobre Previdência. Um debate de alto nível. A imagem que ficou ontem foi ruim para o Brasil: um ministro sendo desrespeitado e reagindo depois de 8 horas à uma agressão. Não foi bom para o parlamento, nem para o Brasil. Aprendemos sempre com nossos erros. O erro é sempre coletivo", disse Maia ao Estado.

A avaliação de deputados da base governista presentes ao jantar é que os deputados aliados erraram ao permitir que a oposição tomasse conta da lista de oradores na CCJ. Segundo um parlamentar governista presente ao jantar, a base de Bolsonaro "bobeou": todo mundo da oposição se inscreveu antes para falar na CCJ.

"Todos sabiam que Guedes ia apanhar. Deveriam ter dito: ou muda a ordem de perguntas, ou então ele não vem. Foi um erro da base governista", disse um deputado do DEM reservadamente.

Jantar do grupo Lide em Campos do Jordão
Jantar do grupo Lide em Campos do Jordão
Foto: Divulgação/Lide / Estadão

O jantar também foi marcado por manifestações de solidariedade a Guedes. "Quero lamentar o que houve na Câmara. O ministro da Economia foi convidado para ir na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Essa reforma não é desse governo, é do Brasil", disse o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM).

O jantar de abertura do Fórum Empresarial do Lide foi feito na residência do advogado Marcelo Braga em uma quadra de tênis adaptada para receber 120 convidados, entre políticos e empresários. A jornalista Sonia Racy, da coluna Direto da Fonte, acompanhou o evento. O Estado foi o único veículo presente.

Oitenta garçons serviram à francesa pratos de vitela com couve frita e farofa de pinoles dourados. Doria, fundador do Lide, fez o discurso de abertura. Em seguida foi a vez do govenador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) discursar em defesa da reforma da Previdência. O mineiro pediu "mais patriotismo" para um "Brasil melhor"

Já Doria pediu em sua fala que todos os presidentes ajudassem Maia e Alcolumbre a aprovarem a reforma. No final da noite, a cúpula do DEM - Alcolumbre, Maia e ACM Neto, prefeito de Salvador e presidente do partido, tiveram uma longa conversa reservada em uma mesa no fundo do salão.

Jantar do grupo Lide
Jantar do grupo Lide
Foto: Divulgação/Lide / Estadão

Em conversas reservadas no jantar, empresários e banqueiros avaliaram que Guedes não tem condição de "costurar" nada politicamente. Apesar do conhecimento técnico, o ministro seria prejudicado pelo "pavio curto". Guedes foi descrito como "emotivo". "Ele não é frio como o (ex-ministro da Fazenda Pedro) Malan", disse um empresário presente.

Estadão
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